domingo, 18 de maio de 2014

Carl Gustav Jung - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Carl Gustav Jung

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Carl Gustav Jung em 1912

Índice

Vida

Juventude

Ao longo da sua juventude interessou-se por filosofia e por literatura, especialmente pelas obras de Pitágoras, Empédocles, Heráclito, Platão, Kant e Goethe. Uma das suas maiores revelações seria a obra de Schopenhauer. Jung concordava com o irracionalismo que este autor concedia á natureza humana, embora discordasse das soluções por ele apresentadas. [1]

Primeiros estudos

Já estudante de medicina, decide dedicar-se à, então obscura, especialidade de psiquiatria, após a leitura ocasional de um livro do psiquiatra Kraff-Ebbing. Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Burgholzli, em Zurique, então dirigida pelo psiquiatra Eugen Bleuler, famoso pela sua concepção de esquizofrenia.

Primeira ocupação, encontro com Sigmund Freud e polêmicas sobre nazismo

Em 1902 deslocou-se a Paris onde estudou com Pierre Janet, regressando no ano seguinte ao hospital de Burgholzli onde assumiu um cargo de chefia e onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que implementou o seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico. Neste interim, Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-1939). O primeiro encontro entre eles transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas. Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre eles foi inevitável. Seria nos anos 30 do século XX que esta divergência atingiria o auge. Se por um lado os livros de Freud eram proibidos e queimados publicamente pelos Nazistas, sendo Freud obrigado a deixar Viena pouco depois da anexação da Áustria, doente, nos seus 80 anos, para se dirigir ao exílio em Londres enquanto que quatro irmãs suas não foram autorizadas a deixar a Áustria, tendo perecido no Holocausto nos campos de concentração de Auschwitz e de Thereseinstadt, por seu lado Carl Jung tornar-se-ia neste mesmo período uma das faces mais visíveis da psiquiatria "alemã" da época. Carl Jung, que alguns pretendem ter sido um simpatizante Nazista, assumiu em 1933, ano da chegada ao poder de Adolf Hitler a presidência da "Sociedade Médica Internacional Geral para a Psicoterapia", que contou como administrador, entre outros, de um sobrinho de Göring. No início de 1934, num artigo "Sobre a situação actual da psicoterapia", Jung afirma que o Judeu, como nómada, não pode jamais criar a sua cultura própria; para desenvolver os seus instintos e talentos tem de apoiar-se em um "povo anfitrião mais ou menos civilizado". Carl Jung viria mais tarde a deixar aquela organização. Ver: Jung and the Nazis (em inglês),Carl Gustav Jung y el Nacionalsocialismo (em espanhol)
Por outro lado, tem-se alguns eventos biográficos que mostram suas relações amistosas e profissionais com muitos Judeus, relações estas que não parecem indicar alguma atitude anti-semita. Em alguns documentos, afirmou num comentário de época sobre a cultura judaica que judeus em geral são mais conscientes e diferenciados, enquanto os 'arianos' comuns permaneceram próximos à barbárie (apud Lomeli, 1999).

A polêmica teórica mantida por Jung com Freud não chegou ao ponto de Jung fazer referências à origem religiosa ou racial de Freud, com vistas a conquistar a simpatia nazista. Nem no artigo de 1929, em que comparava as duas teorias (Gallard, 1994 apud Medweth, 1996), nem no discurso de Jung sobre Freud após a morte deste eminente pensador, em 1939, num momento que poderia ser propício a angariar aquele beneplácito (Medweth, 1996).
Sabe-se também que o obscurantismo atingiu obras de Jung que não interessavam ao regime nazista, tendo sido suprimidas em 1940 várias edições publicadas na Alemanha, e quando da invasão da França a Gestapo destruiu as traduções francesas da obra de Jung. (Medweth, 1996).
As primeiras providências de Jung quando assumiu a Überstaatliche Ärztliche Gesellschaft für Psychotherapie (Sociedade Médica Internacional para Psicoterapia), acumulando com a entidade Suíça, em 1933, foram:
  • A reformulação dos estatutos, para evitar o controle hegemônico por alguma das sociedades nacionais; como a Sociedade Internacional congregava as Sociedades Nacionais da Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda, Suécia e Suíça, era importante evitar o domínio isolado de uma delas (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que as demais tivessem participação adequada e dividissem as responsabilidades;
  • A aceitação na Sociedade Internacional dos membros judeus e antinazistas expulsos da Sociedade da Alemanha (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que eles podiam exercer o seu ofício em outros países e garantir a sua subsistência como profissionais qualificados.
Sobre o editorial nazista publicado na revista editada pela Sociedade Médica Nacional da Alemanha para Psicoterapia, Jung declarou várias vezes que ele não teve ingerência no episódio. Pelas amizades que tinha com muitos representantes das vítimas do preconceito nazista, e pelo conteúdo de sua obra, é extremamente improvável que ele concordasse intelectualmente com o seu conteúdo, sob pena de perder esses relacionamentos.

Reconhecimento internacional

Em 1938, quando Freud saiu de Viena para Londres, a Dra. Iolande Iacobi também emigrou para Zurique, continuou seus estudos com Jung e posteriormente foi uma das fundadoras do Instituto C.G.Jung, tendo escrito a introdução às obras completas de Jung. (McGuire e Hull, 1982, p. 52). Ainda nesse ano, a Universidade de Oxford, na Inglaterra, concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa.
Em 1939 Jung renunciou à presidência da Sociedade Médica Internacional para Psicoterapia. Alegou que já tentara por duas vezes anteriores a renúncia, tendo permanecido apenas devido a pedidos dos representantes inglês e holandês, somente se retirando quando foram interrompidas as comunicações internacionais e a sua permanência não era mais necessária (apud Loneli).
Em 1946, em cerimônia realizada em Zurique, Winston Churchill pediu que o Dr, Jung compusesse a mesa e se sentasse a seu lado (Lomeli, 1999). Em abril desse ano Ernest Harms publicou um artigo cujo título é “Carl Gustav Jung – Defender of Freud and the Jews” na Psychiatric Quarterly (McGuire e Hull, 1982, p. 70).
Alguns dos seus mais devotados pupilos – Erich Neumann, Gerhard Adler, James Kirsch e Aniela Jaffe – eram Judeus (Medweth, 1996). - Citações: Lomeli, 1999; Medweth, 1996; McGuire, William e Hull, R.F.C. (1982). C.C.Jung: entrevistas e encontros. São Paulo: Cultrix.

Teorias

Anterior mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a desenvolver uma sistema teórico que chamou, originalmente, de "Psicologia dos Complexos", mais tarde chamando-a de "Psicologia Analítica", como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. O conceito de inconsciente já está bem sedimentado na sólida base psiquiátrica de Jung antes de seu contato pessoal com Freud, mas foi com Freud, real formulador do conceito em termos clínicos, que Jung pôde se basear para aprofundar seus próprios estudos. O contato entre os dois homens foi extremamente rico para ambos, durante o período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem cunhou o termo e a noção básica de "complexo", que foi adotado por Freud.
Utilizando-se do conceito de "complexos" e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Em sua teoria, enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos, também é provável que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com os instintos.

Últimos dias

Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, nas margens do lago de Zurique, em Küsnacht após uma longa vida produtiva, que marcou - e tudo leva a crer que ainda marcará mais - a antropologia, a sociologia e a psicologia.

O funcionamento da psique

Para Jung, a psique humana é composta de vários estratos, ou instâncias, que interagem de forma variada no decorrer da vida. O ego, a sombra, a dupla animus-anima e o Si-mesmo são estratos que se expressam, interna ou externamente, para cada pessoa. Ao processo de integração desses estratos Jung chamou individuação.
Ao estudar a tipologia humana na literautura e na história, Jung chegou à definição de quatro tipos clássicos: o pensativo e o sentimental, em que uma destas duas funções racionais predomina, e o perceptivo e o intuitivo, em que predomina uma destas duas funções irracionais (no sentido em que são funções de apreensão do dado, sem mediação da razão). Estes quatro tipos básicos são modificados pela disposição primária da psique para a introversão ou a extroversão da energia psíquica.
Cada pessoa desenvolve uma função dominante de relacionamento com o mundo interno e externo, e outra função secundária. Algumas pessoas desenvolvem uma terceira função, mas a individuação requer que se integre também a quarta. Por isto, surge a necessidade da função simbólica: a quarta função sendo antagônica às dominantes, sua integração exige um função psíquica que integre razão e irracionalidade. Daí a necessidade dos mitos e da arte.

Sincronicidade

Um outro conceito proposto por Jung foi o da Sincronicidade, como uma tentativa de encontrar formas de explicação racional para fenômenos que a ciência de então não alcançava. Eventos como premonições, por exemplo. Para uma abordagem sobre a construção do conceito veja-se Capriotti, Letícia. Jung e sincronicidade: a construção do conceito), e uma explanação sintética e didática de sincronicidade, veja-se Capriotti, Letícia. Jung e sincronicidade: o conceito e suas armadilhas.)
A construção do conceito de sincronicidade surgiu da leitura que Jung fez de um grande número de obras sobre alquimia e o pensamento renascentista. Jung chegou a possuir grande quantidade de textos alquímicos originais, que o levaram também a usar a expressão Unus Mundus em sua autobiografia, e a idéia de Anima Mundi.
Uma interessante análise da contribuição da psicologia profunda de Freud – Jung para a formação do pensamento ocidental, mostrando como Jung tinha preocupações epistemológicas rigorosas pode ser vista em Tarnas. Em função disso, tais fenômenos puderam ser examinados, mas apenas como algo psicológico, e não propriamente da natureza, resultando em algumas distorções interpretativas, em inúmeros sentidos.
A partir da contribuição de Jung, vários desenvolvimentos em diferentes áreas do conhecimento têm ampliado a compreensão da relação entre os processo psíquicos e o mundo exterios. O conceito de inconsciente coletivo encontra ecos na nova física de Bohm e Capra, nos campos morfogenéticos de Sheldrake, nas psicologia profunda e na ecopsicologia norte-americanas.

Imagens do inconsciente

No Brasil, Jung teve uma conhecida aluna, a Dra. Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Ela escreveu, dentre outros, o livro “Jung: vida e obra”, publicado em primeira edição em 1968.

 

Obras


Carl Gustav Jung em 1912
Devido à metodologia usada por Jung, seus escritos costumam ser de leitura difícil e penosa. É recomendável iniciar por algum de seus comentadores, como Nise da Silveira (Jung: vida e obra) e Aniela Jaffe (Memórias, sonhos e reflexões de C. C. Jung). Sobre este, um comentário.

Eis abaixo, a lista das obras de Jung, publicadas em português no Brasil:
  • A Energia Psíquica.
  • A Prática da Psicoterapia.
  • A Vida Simbólica: Escritos Diversos.
  • Ab-reação, análise dos sonhos, transferência.
  • Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo.
  • Cartas de Carl Gustav Jung.
  • Escritos Diversos.
  • Estudos Alquímicos.
  • Estudos Experimentais Vol. II.
  • Estudos Experimentais.
  • Estudos Psiquiátricos.
  • Eu e o Inconsciente.
  • Freud e a Psicanálise.
  • Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade.
  • Memórias, Sonhos e Reflexões. Autobiografia escrita em conjunto com Aniela Jaffé.
  • Misterium Coniunctionis 1.
  • Misterium Coniunctionis 2.
  • Misterium Coniunctionis 3.
  • O Desenvolvimento da Personalidade.
  • O Homem e seus Símbolos. Obra para leigos, organizada por Jung e escrita por ele e seus colaboradores, com artigos de Aniella Jaffé, Marie-Louise fon Franz e outros.
  • O Segredo da Flor de Ouro: Um Livro de Vida Chinesa.
  • Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.
  • Presente e Futuro.
  • Psicologia da Religião Ocidental e Oriental.
  • Psicologia do Inconsciente.
  • Psicologia e Alquimia.
  • Psicologia e Religião Oriental.
  • Psicologia e Religião.
  • Símbolo da Transformação na Missa.
  • Símbolos da Transformação: Análise dos Prelúdios de uma Esquizofrenia.
  • Sincronicidade.
  • Tipos Psicológicos.

Consciência

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(Redirecionado de Inconsciente)
Nota: se procura consciência como sentido moral, consulte Consciência (moral).

A consciência é uma qualidade da mente considerando abranger qualificações tais como subjetividade, auto-consciência, sentiência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. É um assunto muito pesquisado na filosofia da mente, na psicologia, neurologia, e ciência cognitiva.


Representação gráfica de consciência do século XVII.
Alguns filósofos dividem consciência em consciência fenomenal, que é a experiência propriamente dita, e consciência de acesso, que é o processamento das coisas que vivenciamos durante a experiência (Block 2004). Consciência fenomenal é o estado de estar ciente, tal como quando dizemos "estou ciente" e consciência de acesso se refere a estar ciente de algo, tal como quando dizemos "estou ciente destas palavras.

Consciência é uma qualidade psíquica, isto é, que pertence à esfera da psique humana, por isso diz-se também que ela é um atributo do espírito, da mente, ou do pensamento humano. Ser consciente não é exatamente a mesma coisa que perceber-se no mundo, mas ser no mundo e do mundo, para isso, a intuição, a dedução e a indução tomam parte.

Índice


Consciência, autoconsciência e autoconhecimento

Manfred Frank (em "Self-consciousness and Self-knowledge", ver bibliografia abaixo) apresenta a relação entre consciência, autoconsciência e autoconhecimento da seguinte maneira:
  1. Consciência pressupõe autoconsciência. Não há como alguém estar consciente de alguma coisa sem estar consciente de estar consciente dessa coisa.
  2. A autoconsciência é pré-reflexiva. Se a autoconsciência fosse o resultado da reflexão, então só teríamos autoconsciência após termos consciência de alguma coisa que fosse dada à reflexão. Mas isso não pode ser o caso, pois, como dissemos antes, consciência pressupõe autoconsciência. Logo, a autoconsciência é anterior à reflexão.
  3. Autoconsciência e consciência são distintas logicamente, mas funcionam de maneira unitária.
  4. O autoconhecimento -- isto é, a consciência reflexiva ou consciência de segunda ordem -- pressupõe a consciência pré-reflexiva, isto é, a autoconsciência.
De acordo com o esquema acima, a autoconsciência é o elemento fundamental da consciência. Sem ela não há consciência nem reflexão sobre a consciência.

Inconsciente (definições)

O inconsciente define um complexo psíquico (conjunto de fatos e processos psíquicos) de natureza praticamente insondável, misteriosa, obscura, de onde brotariam as paixões, o medo, a criatividade e a própria vida e morte (vide Jung).
O conceito de inconsciente de Jung se contrapõe ao conceito de subconsciente ou pré-consciente de Freud. O pré-consciente seria o conjunto de processos psíquicos latentes, prontos a emergiriam para se tornarem objetos da consciência. Assim, o subconsciente pode ser explicado pelos conteúdos que fossem aptos a se tornarem conscientes (determinismo psíquico). Já o inconsciente seria uma esfera ainda mais profunda e insondável. Haveria níveis no inconsciente mesmo inatingíveis.
Jung separou o inconsciente pessoal do inconsciente coletivo. Hoje, não existe consenso se realmente existe um tal inconsciente coletivo, igual ou distribuído igualmente entre todas as culturas e povos.
Alguns comentários sobre a necessidade de um "Inconsciente":
A noção de um "inconsciente" parece atrelada firmemente à crença em um tempo físico e objetivo, inviolável e inalterável. Devido então à experiência subjetiva da "flexa do tempo" ou à imposibilidade de revertermos a direção que nossas ações tomam no tempo - mesmo que o mesmo seja um construto -, torna-se "necessária" a especulação de uma "região" indefinida e incognoscível, rotulada dualísticamente de inconsciente, como contraposição à experiência da auto-consciência. Essa necessidade é praticamente uma exigência da manutenção da linearidade causal. Se a mesma não fosse necessária, ou se dispuséssemos de outros modelos igualmente explicativos, não seria necessário o modelo do "inconsciente". Atualmente a fisica quântica aparentemente está questionando a existência de algo "fora" da atualidade atemporal do observador devido ao seu tratamento probabilistico daquilo que simplificadamente se intitula de "realidade". Diversos fenomenos mentais, tais como sonhos, intuiçoes, processos cirativos e mesmo cognitivos, podem ser muito mais facilmente compreendidos se a linearidade causal não for uma necessidade.
Eventualmente o próprio "tempo" é apenas um construto dependente da forma pela qual o cérebro-mente organiza diversas experiências em uma linha dita causal. Isso pode ser observado em pessoas portadoras de transtornos das mais variadas espécies que apresentam ordenações nesse contruto nem sempre lineares o que as leva a serem qualificadas como patológicas em diversos niveis. Em crianças de tenra idade é possivel também observar que as mesmas se comportam como se a sua linearidade ainda estivesse em processo de construção.
Assim, e então como exigência de consistência nesse modelo de tempo fisico e irreversível, torna-se "necessária" a construção da idéia de um inconsciente. Uma solução interessante para contornar a exigência de linearidade desse construto é a mudança de domínio do tempo para o domínio da frequencia. Uma vez que o Observador (auto-consciência, Eu (não o ego), Self, ou a própria experiência da Sciência, como o estado de estar-se-ciente ) passe a organizar suas percepções pelo critério da frequencia e não do tempo, muitos fenômenos mentais tornam-se mais facilmente compreensíveis. Mas por outro lado, as noções de tempo e espaço são então necessáriamente colocadas em segundo plano. O inconsciente deixa de ter necessidade de existir porque o "tempo" que o limita, deixa de ser um fator significativo.
Torna-se mais interessante, mais consequente e mais consistente então, falar de um não-consciente em contraposição à concepção nebulosa de um inconsciente misterioso, inacessível, incógnito, indecifrável, verdadeira cornucópia de soluções na maioria das vezes absurdas para as mais diferentes mazelas provenientes de uma crença na causalidade absoluta e da incapacidade de conceber o tempo - e sua sequela o espaço - como construtos mentais humanos, e não como realidades físicas independentes do Observador.
O Ser Humano pode passar então a viver mais na atualidade, colocando acessos a outros tempos e espaços (eventos) como igualmente construtos, mas não determinismos, principalmente de um inconsciente seja ele pessoal ou coletivo mas sempre nebuloso.

Definições do senso comum

  • Ação do indivíduo ou grupo sem o intuito ou vigilância da área central de consciência.
  • Conjunto de processos e/ou fatos que atuam na conduta do indivíduo ou construindo a mesma, mas escapam ao âmbito da ferramenta de leitura e interpretação e não podem, por esta área, ser trazidos a custo de nenhum esforço que possa fazer um agente cujo sistema mental não possui o treinamento adequado. Essas atividades, entretanto, costumam aflorar em sonhos, em atos involuntários (sejam eles corretos e inteligentes ou falhos e inconsistentes) e nos estados alterados de consciência.

Definições concorrentes

  • Visão determinista: Alguns entendem o inconsciente como ações inconscientes baseadas em informações do passado, experienciadas ou noticiadas.
  • Visão reducionista: O inconsciente é entendido como um neologismo científico reducionista para não explicar ou negar os estados alterados da consciência.

Alterações da Consciência

  • Alterações Normais: SONO (é um comportamento e uma fase normal e necessária. Tem duas fases distintas, que são: sono NÃO-REM e sono REM) e SONHO (vivências predominantemente visuais classificadas por Freud como um fenômeno psicológico "rico e revelador de desejos e temores"
  • Alterações Patológicas: qualitativas e quantitativas.
  • Qualitativas:
- Rebaixamento do nível de consciência: compreendido por graus, está dividido em 3 grupos principais: obnubilação da consciência(grau leve a moderado - compreensão dificultada), sopor(incapacidade de ação espontânea) e coma(grau profundo - impossível qualquer atividade voluntária consciente e ausência de qualquer indício de consciência). - Síndromes psicopatológicas associadas ao rebaixamento do nível de consciência: 1. Delirium (diferente do "delírio", é uma desorientação temporoespacial com surtos de ansiedade,além de ilusões e/ou alucinações visuais) 2. Estado Onírico (o indivíduo entra em um estado semelhante a um sonho muito vívido; estado decorrente de psicoses tóxicas, síndromes de abstinência a drogas e quadros febris tóxico-infecciosos) 3. Amência (excitação psicomotora, incoerência do pensamento, perplexidade e sintomas alucinatórios oniróides) 4. Síndrome do cativeiro (a destruição da base da ponte promove uma paralisia total dos nervos cranianos baixos e dos membros)
  • Quantitativas:
1. Estados crepusculares (surge e desaparece de forma abrupta e tem duiração variável - de poucas horas a algumas semanas) 2. Dissociação da consciência (perda da unidade psíquica comum do ser humano, na qual o indivíduo "desliga" da realidade para parar de sofrer) 3. Transe (espécie de sonho acordado com a presença de atividade motora automática e estereotipada acompanhada de suspensão parcial dos movimentos voluntários) 4. Estado Hipnótico (técnica refinada de concentração da atenção e de alteração induzida do estado da consciência)

Bibliografia sobre consciência



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