AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS 1ª Lei
AMAR AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO – 2ª Lei
Universal
Não fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós.
Parece fácil, mas não é! Muitas vezes, em momentos de descontrole, raiva, ou
injustiça, descarregamos os nossos sentimentos nas outras pessoas. Neste
momento crucial, esquecemos de parar, respirar e pensar um pouquinho se devemos
fazer aquilo que o nosso impulso diz que sim e o coração diz que não.
Quantas coisas acontecem nestes momentos de falta de reflexão e ponderação,
simplesmente porque fazemos aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem
a nós. E para que? Pergunto. Para que, se, num momento mais tarde, com mais
calma, vamos refletir e compreender que a nossa atitude foi impensada.
Quantas atitudes que tomamos e quantas coisas que fazemos aos outros passam a
nos atormentar durante a vida. Ah! Se não tivesse feito isso. Ah! Se não
tivesse tomado esta atitude. Ah! Se não tivesse feito aquilo. O arrependimento
é uma das emoções mais negativas que existe, pois nos marca profundamente. Por
mais que tentemos esquecer, ele existe, está sempre lá, no fundo do nosso ser,
nos atormentando e dizendo: Estou aqui! Não se esqueça do que fez aos outros!
Atitudes premeditadas, decisões precipitadas, reflexos mentais errôneos, razões
idiotas. Quanta bobagem as pessoas fazem, para depois se atormentarem
eternamente. E a vergonha de voltar atrás? Somos humanos, não é verdade? Este
sentimento idiota de vergonha também nos assalta. Vergonha de pedir perdão, de
reconhecer o erro. Vergonha de amar!
A Parábola do Bom Samaritano combina bem com a ponderação sobre amar ao
próximo. O que nos diz a Parábola?
"E eis que se levantou um doutor da lei e lhe disse: Mestre, que ei de
fazer para entrar na posse da vida eterna? Disse-lhe então Jesus: Que é que
está escrito na lei? Como a lês tu? Ele, respondendo, disse: Amarás o Senhor
teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e
de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E Jesus lhe
disse: Respondeste bem, faze isso e viverás.
Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus,
prosseguindo disse-lhe: Um homem descia de Jerusalém a Jericó e caiu nas mãos
de salteadores, que o despojaram e se foram, deixando-o semimorto. Aconteceu
que pelo mesmo caminho desceu um sacerdote, que o viu e passou de largo. Do
mesmo modo um levita, que também foi ter àquele lugar, viu o homem e passou de
largo. Um Samaritano, porém, seguindo o seu caminho, veio onde estava o homem e
ao vê-lo se encheu de compaixão. Aproximou-se dele, pensou-lhe as feridas,
deitando nelas óleo e vinho, colocou-o sobre a sua alimária e o levou para uma
hospedaria, onde cuidou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os deu ao
hospedeiro, dizendo: Trata desse homem e na minha volta te pagarei tudo quanto
despenderes a mais.
Qual dos três te parece que tinha sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos
salteadores? Respondeu o doutor da lei: O que para com ele usou de
misericórdia. Pois vai, disse-lhe Jesus, e faze o mesmo". (Lucas, 10, 25 a 37).
Jesus quis evidenciar com essa parábola que a caridade e a compaixão independe
do credo religioso. Importa, sim, nos colocarmos no lugar do próximo. Saber que
se estivéssemos no lugar dele, estariamos passando pelo que ele está passando.
Como é que fica então, a nossa cabeça, quando não tomamos a atitude caridosa ou
correta com as pessoas? Se Jesus nos ensinou a Lei do Amor, por que esta
violência no nosso coração? Esquecemo-nos dos seus ensinamentos? Estamos
deveras condicionados pela sociedade? Falta-nos a educação necessária?
Quando perdoamos a ofensa recebida, não sete, mas setenta vezes sete; quando
aguardamos até o dia seguinte para queixarmo-nos com o nosso vizinho; quando
exercitamos a nossa paciência e complascência; quando procuramos dar o exemplo;
quando respeitamos a liberdade alheia; quando fazemos todos os esforços para
não nos omitirmos; estaremos nos exercitando na arte de amar ao próximo.
Amar ao próximo como a si mesmo é um trabalho custoso. Muitas vezes implica num
sacrifício total da liberdade humana, coisa que nem sempre estamos dispostos a
fazer.
A família é o melhor lugar para o exercício constante do amor. Para isso, é
importante que amemos a todos com desprendimento, sem exigências pessoais, que
nos doemos num exercício permanente de renúncia, de humildade em benefício dos
demais. "Muito se pedirá a quem muito foi dado", asseverou Jesus.
Amor na família inclui também amar as pessoas que comparticipam dessa relação,
como empregados domésticos que, muitas vezes, ficam anos recebendo tratamento
diferenciado, embora concorram com a paz e a harmonia do lar. Por que
excluí-los das alegrias do convívio familiar? Como viveríamos muito mais
felizes no lar, por conseqüência, fora dele, se buscássemos amar a todos!
Aqueles a quem temos dificuldade de amar, provavelmente, sentem o mesmo em
relação a nós, vendo-nos também como pessoas difíceis. Precisamos aprender
olhar cada pessoa com olhos de simpatia e vontade de gostar dela, mesmo que a
nossa mente concreta diga o contrário. Com esta atitude estaremos facilitando o
desenvolvimento do amor em nós, ainda que os outros não nos correspondam da
mesma forma.
Jesus nos ensinou: "Amai aos inimigos". Se devemos amar até a quem
nos faz mal refletidamente, quanto mais devemos amar aos que convivem conosco e
aos que nos encontramos no dia-a-dia!
Amar ao próximo, desenvolvendo o amor em nós, deve ser o nosso objetivo, se
queremos ser, a cada dia, pessoas melhores, mais felizes e em paz. O amor ao próximo
leva-nos a amarmo-nos sem egoísmo e sem ilusões; leva-nos a amar a Deus e às
suas leis, trazendo-nos a paz interior, porque assim, estaremos sempre rodeados
de amigos e de pessoas a quem desejamos tudo o que queremos para nós e... para
eles!
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NÃO MATAR – 1ª Lei Universal
Não
matar qualquer ser vivo - mineral, vegetal ou animal - é a primeira Lei
Universal. Não é apenas uma Lei de Deus para os homens; é um conceito do
universo. Em um sentido amplo, não matar significa não fazer sofrer os
demais, os animais e a natureza. Não odiar, não invejar, já que também
essas ações são outras formas de matar.
Devemos observar sempre que o céu e a terra possuem a mesma essência.
Toda a existência é formada de uma só consistência. Compreender a
natureza original significa compreender a não diferenciação entre si e o
todo. Por essa compreensão, qualquer crime, qualquer ódio ou inveja,
qualquer animosidade desaparecem para sempre.
O nosso entendimento de compaixão cresce graças aos outros. Sem os outros
não pode existir entendimento de compaixão ou de amor. Se exercemos a
nossa paciência frente às dificuldades o nosso domínio da paciência
aumenta. O poder de nossa fé aumenta ao mesmo tempo em que se desenvolve
o nosso espírito da compaixão.
Tive uma aluna que reclamava que as formigas
estavam invadindo sua casa. Disse-lhe: Já falou com elas? A aluna pensou
que eu estava brincando. Disse que não, que quem tinha invadido o
território das formigas tinha sido ela ao construir a sua habitação.
Expliquei como deveria fazer e no dia seguinte compareceu ao curso
maravilhada. Falei com as formigas e elas foram embora, agora só tenho
pena da vizinha, pois elas se dirigiram para lá.
A desgraça dos indivíduos da nossa época e toda a crise da civilização
atual se resume na acumulação das más sementes que germinam e crescem,
semeadas e mantidas pelas falhas praticadas contra a moral primordial,
quando esta cai no esquecimento. “Não matar” é a regra essencial para o
ser humano se harmonizar com a natureza e não se opor às leis do
universo.
Ao respeitarmos uma pessoa e sentirmos uma
compaixão verdadeiramente intensa, alcançaremos a plenitude e o nosso
egoísmo diminuirá. Porém, o mais importante antes de tudo é respeitar a
família, os pais, o cônjuge e os irmãos. Aqueles que não sentem respeito
nem compaixão pela própria família não podem criar um espírito de
compaixão pelos demais ou pela própria natureza. Ao não se possuir um
espírito de compaixão facilmente se mata animais, insetos ou a própria
mãe natureza. Um animal ou um inseto também sente amor por seus filhos ou
por sua mãe. Também existe intimidade entre o macho e a fêmea, sentem
alegria, prazer e temem a morte. Se nós nos observássemos de cima, como
se estivéssemos numa nave espacial, o ser humano também pareceria um
inseto pequenino. Ao compreendermos isso entendemos que não podemos
matar.
Muita gente acha que os monges andam de cabeça
baixa por humildade. Não, eles andam de cabeça baixa para não pisar e
matar qualquer ser pequenino que possa estar abaixo dos seus pés.
Se a nossa forma de proceder se afastar do
ensinamento de “não matar”, ou se os nossos antepassados não a
respeitaram, seguramente isso irá se refletir na nossa vida atual. Isso é
devido à influência do mau karma. Aqueles que não mantêm esse preceito
sofrem de enfermidades ou problemas que são, em sua maioria, devidos à
aparição do karma passado. Se os nossos antepassados não tiverem cumprido
ou nós não cumprirmos esse preceito sofreremos com isso. A força do karma
é poderosa e se repete eternamente.
As grandes guerras provocam grandes calamidades.
Os japoneses, por exemplo, receberam uma bomba atômica em Hiroshima e
Nagasaki em retribuição a seu mau karma. E, sem dúvida, esta ação trará
um karma nacional para os Estados Unidos. Existem grandes karmas entre os
países. Se uma nação conquista a outra isso lhe criará um mau karma. Em um Sutra está
escrito: "Se numerosas pessoas morrem em um país, as colheitas não
serão boas. Esse país não dará bons frutos, nem belas flores."
No debate a respeito da conveniência ou não da instituição da pena de
morte para castigar delinqüentes que cometem delitos atrozes, existe uma
pergunta que necessita ser feita aos que defendem o castigo capital: qual
a reação adequada quando um crime hediondo é praticado pelo próprio
Estado?
Não há porque matar o delinqüente, seja ele o cidadão ou o Estado. Como
afirmou o famoso penalista italiano Cesare Beccaria, não é a crueldade da
pena que inibe o criminoso, mas a crença de que ela será infalivelmente
aplicada. Acreditando-se que todos os delitos serão punidos de forma
honesta, a criminalidade – inclusive a do “colarinho branco” que
indiretamente ceifa mais vidas do que a marginal – diminuirá?
Servir-se da pena de morte como meio de proteção
da sociedade é comprovadamente desnecessário. Usada como processo de
vingança, é reacionária. Do “olho por olho, dente por dente”, Lei de
Talião, passamos para as fogueiras da Idade Média. Das mutilações e
torturas que antecediam o enforcamento dos plebeus franceses, atingimos a
guilhotina estabelecida pela revolução burguesa de 1789. Do miserável
garrote espanhol, que aos poucos quebrava a espinha dos sentenciados, nos
aproximamos do pelotão de fuzilamento. Da cadeira elétrica que
descarrega, durante períodos alternados, dois mil volts sobre o corpo do
condenado, chegamos à injeção fatal aplicada aos norte-americanos
penalizados com a morte.
Ainda, atualmente, em algumas poucas nações,
mulheres adúlteras são apedrejadas até que a vida lhes seja tirada. Os
cristãos, no romper do primeiro milênio, eram atirados aos leões para
divertimento dos cidadãos de Roma e se dava fim aos desequilibrados
mentais por serem avaliados como endemoniados.
A diferença entre o homem e o animal reside, por
essência, na observância dos preceitos. O ser humano segue um cerimonial
ou ritual em grande número de acontecimentos, tais como nascimentos,
casamentos e funerais. A hierarquia familiar e os antepassados foram, durante
muito tempo, honrados em nossa sociedade, estando ainda este conceito
muito presente nas sociedades mais arcaicas. O próprio ato sexual sempre
foi objeto de rito, de um comportamento definido. Esses aspectos da forma
de proceder não se encontram nos animais que submetem-se aos seus
instintos sem o intermédio de um cerimonial. Os homens, em nossa
civilização atual, tendem a regressar ao comportamento animal,
entregando-se aos instintos sem se preocupar com a moral. Isso traz
grandes repercussões para a civilização.
A nossa vida é exatamente igual a uma nuvem: sempre segue a direção do
vento. O vento é parecido com o karma e a nuvem, com o nosso corpo. O
vento move e impulsiona a nuvem do corpo. Da mesma forma, o destino das
pessoas e de um país é conduzido pelo karma. Se seguirmos a doutrina do
“não matar”, o nosso mau karma diminuirá e influenciará a humanidade.
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Pesquisa,
estudos de Geraldo de Souza
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