Sob a ótica da teoria Analítica Junguiana, estudamos que devido ao rompimento com Freud, Jung não considerava a transferência importante para o processo psicoterapêutico, pois acreditava que poderia obter o material que necessitava através de sonhos ou desenhos. JACOBY (1984) cita o que Jung relata em uma de suas conferências no ano de 1935: “Uma transferência é sempre um obstáculo, nunca uma vantagem. Você cura apesar da transferência, não por causa dela (...) se não houver transferência, tanto melhor. Não, é a transferência que possibilita ao paciente trazer a luz os elementos; você obtém dos sonhos todo material que poderia desejar (...) eles trazem à tona tudo o que é necessário.”
Posteriormente o próprio Jung considera estas opiniões exageradas e passa a aceitar a verdadeira importância da transferência para a psicoterapia e comenta: “Não é provavelmente exagero dizer que quase todos os casos que requerem um longo tratamento gravitam em torno do problema da transferência, e que o sucesso ou fracasso do tratamento parece estar essencialmente ligado a ele.” (JACOBY, 1984)
Jung acreditava que a transferência nascia da falta de uma verdadeira relação humana entre analista e analisando, e aparecia para compensar esta ausência de comunicação entre eles. Sendo que a transferência aparece inicialmente nas relações parentais e, uma vez não integradas a personalidade do analisando, ele as projeta na figura do analista, e se este a responde de maneira emocional inconsciente, temos o que é denominada de contratransferência, ou seja, na abordagem Junguiana, o que caracteriza a contratransferência é a existência de uma projeção, dentro de uma relação terapêutica, com o intuito de descrever a resposta emocional inconsciente do analista ao analisando. Jung ainda coloca que esta não deve ser evitada, porém o analista tem que estar o mais consciente possível deste processo, para que a análise aconteça satisfatoriamente.
Ainda, na teoria Junguiana, encontramos vários conceitos sobre a contratransferência:
■Contratransferência ilusiva: o analista não percebe (inconsciente) que projeta/contra transfere para seu cliente conteúdos que são seus, ou seja, não é capaz de ter um insight significativo;
■Contratransferência sintônica ou adequada: é uma interação com a transferência do cliente, o que é benéfico para o processo psicoterapêutico;
■Contratransferência concordante: o analista é espontâneo com seu cliente, desde que este realmente necessite disto, e “use” seu analista de acordo com o que busca dentro do simbolismo de um setting terapêutico;
■Contratransferência complementar: quando o sentimento do analista poderá ser uma reação ao estado interno do analisando.
Percebe-se que, apesar de Jung, a princípio, não considerar a transferência e contratransferência importantes para a análise; com o tempo e seus estudos, percebeu que os mesmos são indispensáveis, pois uma relação analítica só se dá com a soma do relacionamento humano mais os processos de transferência e contratransferência, sendo assim o analisando promove sua própria cura , pois "... qualquer analista Junguiano sabe que sua função não é curar. O auxílio só poderá vir por meio de uma transformação da atitude do paciente através da obtenção de um relacionamento correto com seu subconsciente." (JACOBY, 1984)
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