"Prestem atenção ao comportamento das crianças:
1.Vemos nelas o que é natural ao comportamento humano antes que seja sobrecarregado com ideias aprendidas.
2. Bebês muito novos não sabem realmente distinguir uma pessoa da outra. Dão muito mais importância ao sorriso de quem está diante deles do que qualquer outra coisa.
3. Quando começam a crescer, não se interessam muito por diferenças de raça, nacionalidade, religião ou antecedentes familiares.
4. Quando encontram outras crianças, não param para discutir essas coisas: começam logo uma atividade muito mais importante, que é brincar. Isso não é só sentimentalismo. Vejo essa realidade sempre que visito um dos povoados de crianças na Europa, onde inúmeras crianças refugiadas tibetanas têm sido educadas desde a década de 1960. Esses povoados foram fundados com o objetivo de cuidar de crianças órfãs vindas de países em guerra. Para grande surpresa geral, descobriu-se que, apesar de suas diferentes origens, essas crianças vivem em completa harmonia entre si."
5. "Quando nossos atos são pautados pela consideração pelos outros, nosso comportamento para com eles é sempre positivo. Porque não há lugar para desconfianças e reservas quando nossos corações estão cheios de amor. É como se uma porta interior se abrisse e nos permitisse alcançá-los. Ter consideração pelos outros é o que faz cair a barreira que impede a interação saudável com o próximo. E não apenas isto. Quando nossas intenções para com os outros são boas, verificamos que diminui muito qualquer timidez ou insegurança de nossa parte. À medida que somos capazes de abrir essa porta interior, sentimos que nos libertamos de nossa preocupação habitual com nosso próprio eu. Paradoxalmente, constatamos que isso dá margem a uma forte sensação de confiança."
6. "Na verdade, o leitor não precisa concordar com minha teoria sobre a boa predisposição da natureza humana para perceber que a capacidade para a empatia que a sustenta é de crucial importância quando se trata de ética. Vimos anteriormente que um ato ético é um ato não-prejudicial. Mas como determinar se um ato é realmente não-prejudicial? Verificamos que, na prática, se somos incapazes de nos comunicar com os outros, se não conseguimos ao menos imaginar o impacto potencial de nossas ações sobre os outros, não temos meios de distinguir entre certo e errado, entre o que é correto e o que não é, entre que é prejudicial e o que não é. Deduz-se, portanto, que, quanto mais acentuarmos essa capacidade de empatia - ou seja, nossa sensibilidade para o sofrimento dos outros -, menor será a nossa tolerância para com a visão da dor alheia e maior o nosso empenho em garantir que nenhuma de nossas ações prejudique quem quer que seja."
"O grau em que somos afetados pelo sofrimento depende em grande parte de nós mesmos e é essencial manter uma perspectiva correta de nossa experiência de sofrimento. Quando olhamos um problema de muito perto, ele enche nosso campo de visão e parece enorme. À distância, o mesmo problema é comparado a outras coisas e fica relativizado. Esse recurso simples faz uma tremenda diferença. Permite-nos verificar que, embora uma determinada situação possa ser verdadeiramente trágica, até o mais infeliz dos acontecimentos tem inumeráveis aspectos e pode ser abordado de muitos ângulos diferentes. Na realidade, é muito raro, senão impossível, encontrar uma situação que seja totalmente negativa em todos os seus aspectos."
Dalai Lama
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