SIGNOS
1
ÁRIES
Áries - 20/03 a 20/04
Quando você topar com um tipo inflamado, ou de pavio tão curto que vai explodir em resmungos - ou tiradas engraçadas - antes mesmo de ser apresentado, nem precisa perguntar (polidamente, como faria qualquer outro habitante do zodíaco) "mas qual é mesmo o seu signo?". O camarada só pode ser um ariano.
Atenção, porém: há quase tantos
arianos tímidos quanto empolgados. Porque um ariano, para fazer jus ao bicho que
o tem simbolizado por milênios - um carneirinho - é também meio retraído. Fica
sem-graça por qualquer coisa, principalmente com elogios, e pode sumir
repentinamente de uma festa se não encontra ninguém da
mesmo tribo.
Assim, se há tantos arianos atirados (mesmo que o
tiro saia meio gauche) quanto ensimesmados, o teste definitivo será checar seu
grau de teimosia. Todo bom ariano, por ser o primeiro representante do zodíaco,
é também o mais impulsivo e obstinado dos doze: Seu lema é: agir primeiro,
pensar depois.
Mas experimente questionar a inconsistência de seus
motivos. Ele vai olhar para você como um terráqueo provavelmente observaria um
marciano: mas é claro que ele sabia exatamente porque agiu assim e assim, e é
claro que ele tem absoluta certeza de que este é o único modo de se fazer as coisas, e é óbvio que ele jamais pensaria de outra
maneira... até mudar de idéia, ou, melhor dizendo, de
impulso.
Conclusão: um ariano nunca será monótono, desde que você tenha
versatilidade e fôlego suficientes para acompanhá-lo. Além do mais, ele sempre
será um tipo bem-intencionado, sem qualquer malícia.
DOENÇAS:
É
sensível a doenças e ferimentos na região da cabeça, principalmente olhos,
cérebro e face. As congestões, febres, convulsões e inflamações são os
distúrbios típicos arianos, podendo ocorrer mesmo em outras áreas do corpo.
Cuidado também com acidentes por excesso de velocidade. Essas perturbações
tornam a ariano irritado, tímido, ansioso, desconfiado,
chegando à apatia e à fadiga após o mínimo esforço, com perda da clareza de
raciocínio.
TERAPIAS:
Sendo
jogo rápido, ele vai se dar bem com qualquer uma. Um ariano não é aquele que
fica escarafunchando o pedigree do seu terapeuta, ou tem de ler os três tomos da
obra completa de Freud para depois se decidir sobre se topa ou não uma primeira
consulta. Ele quer é resultados imediatos, no que, aliás, demonstra admirável
bom senso. Como, em geral, as crises nervosas e existenciais do ariano não têm
origem em traumas edipianos, mas num ataque de fúria em que ele vê tudo vermelho
(muitas vezes, com absoluta razão), a técnica psicoterapêutica mais indicada é
um bom karatê, judô ou box, no mínimo duas vezes por
semana.
A realidade rapidamente retomará seu colorido real. Nada tai-chi
ou yoga. Acordar às seis da manhã para treinar graciosos e lentos movimentos de
tai-chi com o mestre, sob frondosas árvores do parque da cidade, pode ser uma boa para o pisciano, mas para áries só tornará
o mundo ainda mais vermelho-congestionado, e numa hora singularmente imprópria.
Quanto a permanecer meia hora sentado em posição de lótus,
praticando a hatha-yoga, isso só levaria o ariano direto a uma
ambulância, com um ataque apoplético.
No caso de o ariano só arranjar
uma academia de karatê ou judô extorsivamente cara, ou com horários de matinê,
ou infinatamente longe de casa, resta-lhe uma saída barata e doméstica: o
punching-bag, isto é, encomendar um saco de areia revestido de plástico,
pendurá-lo no banheiro, e trancar-se lá por meia hora, diariamente, quando chega
do trabalho. Com este módico método, conflitos familiares, empregatícios e
emocionais serão dissolvidos em quinze minutos.
Para as arianas,
recomenda-se fazer pão: sovando a massa com toda força de que seus bíceps são
capazes, ela sublimará o ímpeto de aplicar uma sova de pirralhos de casa, ou no
camarada que sempre deixa as roupas espalhadas naquela trilha do hall (gravata),
à sala de estar (paletó), quarto de casal (meias e sapato) e banheiro (o
restante). A família inteira sai ganhando, e passa a disputar não entre si, mas
o maior bocado de pão no jantar. Um curso de cerâmica também é recomendável para
aquelas arianas que não são muito chegadas ao forno e fogão. Amassar argila, em
vez de amassar o pára-lama do vizinho, é mais barato e instrutivo, e pode,
inclusive, render uma carreira artística internacional, quem sabe com exposições
de ícones semi-destroçados, na Documenta Kassel ou
Bienal de São Paulo. O duro, para essas arianas premiadas com talento para
esculturas, vai ser aguentar quietinhas, paradas de pé no mesmo lugar, só
ouvindo conversa mole, os vernissages e coquetéis que se
seguirão.
2
Touro - 21/04 a 20/05
Se o touro tem uma
ambição, é a de que o deixem sossegado onde está. Como, em geral, ele vai estar
sempre bem instalado, cercado de belos móveis, boa comida e bebida de primeira,
não há porque estranhar sua tendência ao imobilismo. Ninguém pratica melhor do
que ele o velho ditado "mais vale um pássaro na mão que dois voando": enquanto o
ariano se entedia se não está correndo atrás de uma causa (quanto mais perdida,
melhor), o taurino se desespera se tem que alterar sua velha e boa rotina. Nada
mais natural para um signo regido pela mais preguiçosa das deusas, Vênus. E a
preguiça, ao contrário do que se diz, é uma admirável virtude: sem ela não seria
possível relaxar e aproveitar as férias, relaxar e beber um bom conhaque,
relaxar durante aquela maravilhosa massagem do seu japonês preferido, a até
mesmo relaxar e sair da sala para tomar um cafezinho enquanto o chefe espuma e
berra porque o trabalho não ficou pronto a tempo. Afinal, o mau humor do chefe
vai passar, e o mundo continua ali, no mesmo lugar. Com seu modesto pragmatismo,
o touro enfrenta as maiores crises sem chamuscar uma lasca de chifre. A vida,
para ele, é simples e clara, e deve apenas ser bem vivida.
A notoriedade
não o seduz: ele sabe que a fama não põe a mesa, e prefere os bastidores bem
remunerados a sair em coluna social não tem como pagar o jantar. O poder é muito
estressante e cheio de ambigüidades e artifícios, duas palavras que lhe dão
alergia. As aventuras dissipam aquela rendazinha extra guardada na poupança, e
isso um touro jamais vai suportar. Prudência, estabilidade, segurança material:
se você encontrar alguém que prefira investir em imóveis a jogar na Bolsa,
comprar ouro em vez de dólares ou trocar uma estadia num hotel cinco estrelas
por uma liminária art déco (afinal, gasta-se
praticamente o mesmo, mas a luminária dura), então você estará diante de um
touro de raça.
Não pense, contudo, que ele só trata de negócios. Sua
especialidade é outra: uma sensualidade que só tem paralelo com a do signo
oposto, o escorpião. Com a vantagem de que o sensual taurino evita relações
perigosas. Para que se meter num caso complicado, se o negócio, afinal, é apenas
ser feliz?
DOENÇAS:
Doenças
na região do pescoço, garganta, faringe, laringe, ouvidos e vértebras cervicais.
A assimilação descontrolada, a desproteção aos órgãos internos e as doenças
contagiosas são distúrbios típicos. Elas tornam o taurino
possessivo, obstinado nos seus pontos de vista, lento em suas ações e
entregue ao comodismo.
TERAPIAS:
Símbolos
não são com ele. Cinqüenta minutos de conversa sobre arquétipos só vão causar
bocejos. Como o touro é, igualmente, um pacifista nato, tentar
persuadi-lo de que não anda bem porque lá na sua infância odiava o pai
(já que desejava a mãe e tal), é perda de tempo. Ele vai achar que o maluco é o
analista, que nunca viu a senhora em questão e se mete a imaginar um affair
entre ela e ele, trinta anos atrás. Amante de respostas sólidas, o touro em
crise deve procurar terapias mais de acordo com o seus
cinco sentidos. Seis, se considerarmos o bom senso - que ele tem de
sobra.
Assim, se o touro quer porque quer freqüentar um consultório,
deve procurar um terapeuta bioenergético. Massagear seus pontos de tensão,
desfazer os nós de seu pescoço e aplicar óleo aromático em suas costas, sem
exigir dele uma só confissão, apenas suspiros satisfeitos, vão produzir
milagres. Uma gueixa também produziria bons efeitos, mas elas andam raras. Na
falta delas, o taurino ligado na sabedoria oriental pode também experimentar um
banho de furô, aqueles tonéis cheios de água quente onde os japoneses adoram se
enfiar.
Sempre pode ocorrer que não haja um único terapeuta
bioenergético, gueixa ou furô no raio de muitos quilômetros e o touro esteja no
auge da angústia. Que fazer, então? Muito simples: cantar. A plenos pulmões!
Óperas, baladas, refrões antigos, qualquer gênero de música, debaixo do chuveiro
ou no meio da rua.
Outra terapia que produz alívio imediato é correr
para a próxima doceria e devorar doze quindins. A contra-indicação é meio óbvia
- se a crise durar um mês, o touro sai curado, mas com quatro quilos a mais. Por
isso a única receita infalível para sair da crise, sem seqüelas, é lançar mão do
talão de cheques, parar na loja mais chique da cidade e comprar aquela roupa
estonteante. O toque novo do tecido (seda, linho, algodão puro) sobre a pele do
touro é ainda mais terapêutico que os mais hábeis dedos do melhor massagista.
3
GÊMEOS
Gêmeos - 21/05 a 20/06 Outros signos
De mamanhã, você pegou
uma conversa entre seu sócio e um camarada muito empertigado,
que expunha com ares de sabichão as inúmeras vantagens da instalação de um novo
equipamento a laser na empresa. Acidentalmente, este mesmo camarada
estava sentado na mesa ao lado, quando você foi tomar seu chope de fim de tarde
- só que parecia ser outra pessoa, pois atacava piadas de papagaio com a ginga
de um malandro carioca. E não é que na manhã seguinte, por acaso, você cruza com
este mesmo indivíduo na porta da escola das crianças, e ele está pacientemente
arrumando a mochila do filho e fazendo uma preleção sobre a falta de educação
que é ficar contando piadas de português para a professora. Você vai pensar que
está tendo miranges, ou que o tal camarada tem vários clones espalhados pela
cidade. Bobagem. O doutor esnobe, o piadista escrachado e o pai cheio de dedos
são uma única e mesma pessoa: um camaleão geminiano.
O velho adágio "la
donna è mobile" pode ser aplicado à perfeição aos homens, mulheres e crianças de
gêmeos: eles são seres voláteis por natureza, que mudam de postura e opinião com
a mesma sem-cerimônia com que mudam de roupas, hobbies, simpatias e antipatias.
E não é porque eles não saibam o que querem - é que não conseguem se decidir
entre tanta coisa que o mundo oferece e, na dúvida,
decidem-se por tudo. O próprio mito relativo ao signo, dos irmãos Castor
e Pollux, filhos de Zeus (disfarçado de cisne) e da mortal Leda, explica tudo: o
geminiano é um caso de dupla personalidade crônica, ou, na mais emocionante das
hipóteses, de múltipla personalidade, mesmo.
O geminiano é regido pelo
planeta Mercúrio, o mais esperto e inquieto dos corpos celestes. Isso lhe dá,
além da personalidade camaleônica, a capacidade de fazer mil e uma coisas ao
mesmo tempo, com um pé nas costas. Aquele senhor mencionado acima, por exemplo,
é capaz de ler jornal, atender nove telefonemas, ditar uma carta comercial e
revisar os originais de seu livro de memórias simultaneamente, e isso no espaço
de quarenta minutos. E de falar com desenvoltura sobre qualquer assunto, das
últimas do Dalai Lama às últimas cotações da Bolsa de Tóquio. Pode ser que diga
uma ou outra mentirinha sobre a fuga do Dalai do Tibet, ou certa invencionices sobre a flutuação das ações. Não tem
importância - o geminiano não mente de propósito, apenas sofre de excesso de
imaginação. Ele será sempre mais caleidoscópico do que a monótona realidade.
DOENÇAS:
Está
propício a doenças nervosas, doenças nas vias respiratórias, nos ombros e nos
braços. A arritmia respiratória e nervosa e a descoordenação são a expressão
típica dos distúrbios geminianos, tornando-os confusos ao pensar e no falar,
contraditórios nos seus gestos, intolerantes com os erros alheios, bem como
excitados e insones por causa de pequenos problemas.
TERAPIAS:
O
esgotamento nervoso, para um geminiano, geralmente não provém do stress, mas da
falta dele. A superatividade lhe dá equilíbrio e paz de espírito, enquanto o
tédio, este sim, é capaz de tirá-lo dos eixos. Obrigue um geminiano a deitar na
rede e ouvir música oito horas por dia e ele terá um tremendo surto psicótico.
Surtos, porém, não são muito comuns - o problema mais constante da gente de
gêmeos é a insônia, provavelmente porque eles acham que dormir é perda de tempo.
Uma excelente terapia, nesse caso, é a caminhada peripatética, como aquela que o
filósofo Aristóteles vivia fazendo com seus discípulos: para isso basta
encontrar um ouvinte atlético e convidá-lo para andar no mínimo cinco
quilômetros por dia, aproveitando para discorrer sobre as últimas idéias a
respeito da política nacional, conflitos na Iugoslávia, a condição da mulher
da Islã ou a dieta da lua. Falando (e andando) sem
parar, o geminiano está absolutamente na dele.
Como os geminianos são
curiosos por natureza, pode ser que queiram freqüentar um consultório, para
xeretar a técnica usada pelo terapeuta. Só não convém procurar um daqueles
psicanalistas ortodoxos - além de sair com as pernas dormentes porque foi
obrigado a deitar-se duro e teso num desconfortável divã, o geminiano ainda
sairá furioso porque abomina dogmatismos e ouvir lenga-lengas sobre sua
"resistência à análise". Ele resiste, no duro, a ouvir o que não quer. Por isso,
uma análise lacaniana vem mais a calhar. Primeiro, porque um analista lacaniano
raramente fala. E quando o faz, é exclusivamente com jogos de palavras. Mesmo
pagando, este jogo pode compensar: alguns analistas lacanianos produzem os
mesmos efeitos de um curso na Aliança Francesa, já que a
maioria de seus jogos de palavras só fazem sentido na língua de Asterix,
o gaulês.
Mais econômica, porém, é a fofocaterapia. Aboslutamente sem
contra-indicações para os geminianos, que a praticam regularmente, com fins
terapêuticos ou não, a fofocaterapia tem tudo que a análise lacaniana oferece,
com a vantagem de que suas sessões são mais longas, e o geminiano pode ser
dispersivo o quanto quiser que ninguém vai chamar-lhe a atenção. Nesse
particular, as mulheres de gêmeos levam vantagem sobre os homens, porque já tem
à disposição uma instituição pronta a aplacar suas angústias a qualquer momento:
o cabeleireiro, aquele profissional maravilhoso que escuta todos os pormenores
de sua vida íntima, dá palpites curtos e certeiros, e ainda melhora seu
visual.
4
Câncer - 21/06 a 21/07
Eles são sensíveis,
sensatos, solícitos e vivem em busca do tempo perdido. É fácil notá-los, e
encantar-se à primeira vista: abrirão portas e puxarão cadeiras se forem
caranguejos-macho, ou se oferecerão para consertar aquele abajur quebrado, se
forem caranguejos-fêmeas, enquanto lhe contam o quanto, mas quanto mesmo, foram felizes na infância. O canceriano é um
idealizador do passado, e para ele nunca houve época mais feliz que a época do
ginásio, ou aqueles meses em que ele passava as férias com todos os primos, no
sítio do avô, ou aquele dia muito particular em que ganhou a primeira bicicleta.
Pode até não ser verdade - mas o conceito de verdade, para um canceriano, é
totalmente sentimental. Esta é a marca registrada deste signo de água, regido
pela Lua: eles são movidos a sentimentos. Realidade, para eles, é o que eles
sentem, e nenhuma análise fria, objetiva, e matemática dos fatos vai
convencê-los do contrário.
Não adianta, por exemplo, insistir que é
melhor pegar um ponte aérea para passar o fim de semana
no Rio, em vez de perder oito horas na Dutra e desmaiar de cansaço no sábado e
domingo se eles "sentem" que o avião pode cair. Eles são tão amáveis e corteses
que às vezes se demora para perceber o quanto são
refratários a sugestões. Não ouse perguntar porque eles não vão ao teatro, se a
última peça que eles assistiram foi em 1969 e as coisas evoluíram um pouquinho
desde então. "Não vou porque não vou", ele lhe responderá provavelmente porque
sente algo absolutamente incomunicável. "Porque sim" e "porque não" são as
expressões mais freqüentes do repertório do caranguejo.
É que ele,
apesar de conservador, é também um cara de lua. Suas opiniões variam
barbaramente, indo num mesmo dia do grau zero ao grau máximo da escala Richter
de emotividade. A instabilidade do caranguejo, porém, não tem nada a ver com a
volubilidade do geminiano: enquanto aquele borboleteia entre duas idéias, este
oscila entre vários humores. Mas seus ataques de melancolia passam tão rápido
quanto vieram: basta que você ofereça um pouco de colo e ele terá de volta tudo
que mais necessita, isto é, segurança, segurança e segurança.
DOENÇAS:
Problemas
no estômago, no pâncreas, nas glândulas mámarias, no diafragma e no útero. A
indigestão, gastrite, irregularidade do fluxo das secreções são outros problemas
dos cancerianos. Isto afeta o humor do canceriano, e ele fica muito sensível e
inseguro emocionalmente.
TERAPIAS:
Os
achaques mais comuns do caranguejo são stress, gastrites de origem depressiva e
enxaquecas tremendas toda vez que o mundo não o acolhe como deveria, e por isso
ele exagera no uísque. Recomenda-se, além de uma certa moderação etilíca, um
pouco de terapia junguiana. Desde que o terapeuta o receba com açúcar e afeto, e
não com aquela sanha incontrolável de extraír-lhe todos os segredos. O
canceriano abomina abelhudos, embora esteja sempre
disposto a relatar passagens da sua infância. Um freudiano não é recomendável,
pois, apesar de pronto a ouvir histórias antigas, vai tentar se meter entre elas
e a mãe. Já um analista junguiano, mais soft e craque em símbolos e arquétipos,
pode auxiliar o caranguejo a se acomodar melhor na sua concha, sem ter que se
desfazer inteiramente dela. Aliás, se há algo que o canceriano não tolera, é
desfazer-se das coisas - antes um caranguejo em paz com suas neuroses familiares
que totalmente desprovido delas.
Retiros programados também podem ser
uma boa pedida, mesmo porque eles já os praticam naturalmente todos os dias em
que resolvem não atender ao telefone nem abrir a porta da casa. Um fim de semana
escondido num hotel-fazenda ou encaramujado dentro de casa repõe suas energias.
Depois de algum tempo na toca, ele volta à toda.
Demonstre uma certa condescendência com suas crises, mas nunca tenha pena dele.
O caranguejo é um expert em chantagens emocionais, e se você deixar convencer de
que o problema dele é mesmo sério, ele pode ficar influenciado e também acabará
se convencendo - e é capaz de entrar em crise de verdade.
5
LEÃO
Leão - 22/07 a 22/08 Outros signos
É muito fácil reconhecer um
leão em público: basta localizar o pavão do pedaço, que você chegou nele. Ele
estará abrindo e fechando seu leque emplumado, com um ar teatral e levemente
superior, hipnotizando a platéia e esperando condescendente por aplausos. Seus
gestos são largos e suntuosos, sua fala tem pausas dramáticas e ele pronuncia
várias vezes "eu", "me", "mim", "comigo" - um leão nunca deixa de anunciar que a
idéia genial foi dele, e graças ao talento ímpar dele o projeto grandioso (dele)
finalmente saiu. O mais insólito é que ninguém vai achá-lo pomposo ou
antipático: ao contrário, todos continuarão magnetizados por tanta realeza
natural. Pois o egocentrismo leonino não tem nada de mesquinho. O leão é até
pródigo demais: um rei que paga banquetes, empresta o
carro e dinheiro de olhos fechados e arranja colocação para todos seus
conhecidos, só esperando dos agraciados o devido reconhecimento e devoção
eterna.
No coração do leão cabe todo mundo - o que lhe causa, às vezes,
aborrecimentos inesperados. Sua majestade, com toda aquela pose, é um tremendo ingênuo, e vive na ilusão de que tal o mundo
é uma extensão das virtudes leoninas, e seus contemporâneos são réplicas
motorizadas dos cavaleiros da Távola Redonda. É aí que o leão quebra a cara. Mas
nem assim abaixa a juba - ele é orgulhoso demais para ficar remoendo as
mesquinharias do dia-a-dia, que encara como meros acidentes de percurso. Sua
falta de objetividade é diretamente proporcional ao otimismo narcisista: todo
leão está convencido de que o sol se levanta para ele, não por motivos
astronômicos.
Portanto, ame-o ou deixe-o. E se você se decidir pela
primeira hipótese, ganhará uma fera em lealdade para o resto da vida. Porque, ao
contrário do astro que rege este signo, o Sol, o leonino não brilha sozinho.
Depende de alguém para conseguir irradiar luz - e isso ele reconhece. Sem um
refletor que amplie e aperfeiçoe sua auto-imagem, ele não passará de um
empoeirado e gasto leão de tapete.
DOENÇAS:
Doenças
no coração, na coluna vertebral e na aorta. A hipertensão, o excesso de
vitalidade e o desgaste pela excitação constante são alguns reflexos que podem
aparecer no leonino.Essas perturbações alteram a vitalidade, tornando o leonino
indisposto a esforços mentais e físicos.
TERAPIAS:
Ele
imagina ser Napoleão Bonaparte? Vai ver que é mesmo, já que escolheu outro
leonino para trocar de identidade. Um leão nunca adotaria um personagem de
segundo escalão, se tivesse que endoidar de vez. Ele, aliás, endoida muito
raramente, mas pode ser levado às raias da locura se deixar de ser o centro de
atenções. Procurará um terapeuta, portanto, não para ouvir
diagnósticos, mas para ter garantida, duas vezes por semana, um audiência
bem atenta - e, se possível, silenciosa. Os analistas ortodoxos falam pouco, e isso os tornaria a audiência perfeita para o
leonino, mas o problema é que estão sempre insistindo para que o paciente conte
histórias tristes e traumáticas, derrotas sofridas, choques não superados. Leão
nenhum vai querer saber disso: ele foi até o consultório para confessar, sim,
mas seus grandes feitos e qualidades, e com isso talvez amolecer o empedernido
coração do analista.
Como analistas não se enternecem jamais, a terapia
correta para o leonino é o psicodrama. Lá estão reunidos todos os requisitos
para uma cura rápida e eficaz: palco, platéia e grandes chances de conquistar o
papel principal. Os leoninos deveriam, inclusive, ser pagos para freqüentar as
sessões de psicoterapia, em vez de pagar - sua presença sempre garantirá um alto
dinamismo no ambiente, obrigando até os mais tímidos do grupo a entrar
em cena.
Se o leonino estiver duro
demais para arcar com os custos de um profissional diplomado (o que ocorrerá com
freqüência, dada sua magnamidade com dinheiro), pode solucionar suas habituais
crises de melancolia numa única sessão: convidando para jantar aquele amigo que
vai elogiá-lo a noite inteira, sobretudo depois do cafezinho, quando o leão
puxar a conta e disser "deixa comigo". Aconselha-se, porém, um restaurante que
não ultrapasse duas estrelas, senão a crise pode piorar.
6
VIRGEM
Virgem - 23/08 a 22/09 Outros signos
Tome-se um virginiano no
dia seguinte de uma festa. Ele não terá ressaca, naturalmente - bebeu e comeu
com moderação. Uma amiga vai visitá-lo, e pergunta sobre a noitada. "Nós éramos
quatro casais e três avulsos, eu e dois jornalistas cariocas. Os casais eram
fulano e fulana, beltrano e beltrana, os anfitriões, mais dois jovens
recém-chegados de Toronto. Por causa deles, falou-se inglês
quase a noite toda. O sotaque dos jornalistas era sofrível. Beltrano
escorregava nos erres. A moça de Toronto usava uma pulseira com duas serpentes
entrelaçadas e os olhos da serpente eram da mesma cor dos brincos, e o marido
estava de tênis e gravata. Um dos jornalistas acendia um cigarro a cada sete
minutos e meio, o outro sempre botava duas pedras de gelo a mais no seu uísque.
Fulana agora está com a mania de cruzar e descruzar as pernas sem parar, e o
anfitrião ultimamente só anda ouvindo jazz, muito favorecido, alías, pela
posição das caixas de som, que estava, à esquerda do..."
A amiga interrompe: "mas sobre o que vocês falaram?" "Generalidades", ele diz, continuando a descrição da aparelhagem de som. "Mas pelo menos dá para me dizer se a festa estava boa?", a amiga se impacienta. "Como?", ele parece acordar de um sonho. "Você gostou?" "Ah", conclui o virginiano, "não tive tempo de pensar nisso, mas notei que as estantes estavam cheias de poeira." À primeira vista, o virginiano pode parecer um chato, mas ninguém na festa achou isso. Ao contrário, foi o único de quem todos, igualmente, gostaram, porque ele estava tão ocupado em reparar no ambiente que mal incomodou os outros com sua presença.
Assim é o virginiano: um grande observador e classificador da vida, o Sherlock do zodíaco, sempre munido da lente de aumento capaz de detectar o menor detalhe. Às vezes um ou outro pormenor lhe escapa, como quando ele é incapaz de dizer se, no conjunto, a festa estava boa ou má. Para o virginiano, o mundo é um extraordinário maquinismo suíço, e ele prefere desmontar e analisar o relógio a perguntar que horas são. É por isso que eles são insubistituíveis. Sem eles, estes Darwins da vida social, maníacos por classificações, obsessivos por detalhes, o mundo perderia muito de suas nuances invisíveis a olho nu.
DOENÇAS:
É sensível a doenças na região abdominal, no intestino delgado e nas mãos. A desnutrição, a má assimilação alimentar e a dificuldade de eliminação são reações tipicamente virginianas. Como resultado, ele pode tornar-se melancólico, irritável, ansioso em trabalhos intelctuais e fixado em detalhes.
TERAPIAS:
Como o virginiano enxerga muito de perto, tende a tornar-se um cético. Como seu afiado senso crítico não poupa nada nem ninguém, pode ocorrer o efeito-bumerangue, e ele se tornar um auto-demolidor. Como não há mecanismo mais complexo e extraordinário do que o corpo humano, ele pode cismar com seu relógio biológico e se tornar um hiponcondríaco. E como, finalmente, ele não tolera desordens, vai ser aquele camarada que não agüenta ver um quadro torto na parede sem endireitar, ou um cinzeiro sujo sem imediatamente levantar-se e esvaziá-lo no lixo. Com esse perfil, o virginiano jamais será vítima de psicoses violentas ou depressões prolongadas. Terá apenas muitas pequenas neuroses, neurose de limpeza, mania de doenças, desânimos cíclicos, tudo absolutamente controlável.
Suas neuroses, aliás, não o incomodam tanto: importunam os outros. A maioria dos habitantes do planeta vai se infernizar com a sua mania de ajeitar os talheres a 2 cm do prato, coisa que ele considera absolutamente natural - talheres devem estar numa perpendicular exata, sempre. Que jamais um virginiano pise num consultório dum psicanalista ortodoxo. Seria horrível: além de suas obsessões naturais, ele vai contrair novas compulsões, como a compulsão para ficar analisando cada gesto seu, e descobrindo por trás dele razões ocultas. Não vai praticamente lhe sobrar tempo para viver, depois que ele adquirir esse mau-hábito.
Uma terapia adequada para o virginiano seria aquela que o fizesse levantar a cabeça do detalhe e alargar seus horizontes. Uma gestalt-terapia, por exemplo, o forçaria a dizer se a festa estava boa ou um porre. Antroposofia também pode lhe fazer bem: ele aprenderá que, além do fígado, estômago e baço, há um tal de todo holístico que é bom considerar. E como um virginiano adora tomar pílulas, tratamentos homeopáticos, com dezenas de gotinhas dezenas vezes ao dia, vão lhe proporcionar uma inefável sensação de bem-estar.
Tai-chi-chuan, a milenar técnica chinesa de integração do céu com a terra, pode igualmente ajudá-lo a parar com a sua mania de ver o mundo em negras fatias simétricas. De mais a mais, o tai-chi é instrutivo, ordenado e limpo. Como o virginiano é sujeito a raríssimos ataques de nervos, mas sofre constantes pequenos achaques, a técnica mais econômica acaba sendo a auto-ajuda. Manuais psicológicos de auto-realização, guias práticos para o conhecimento de si mesmo ou folhetos anti-stress podem ser consultados com a freqüência que se desejar. O virginiano é sistemático até em sua loucura, e já que livros estão sempre à sua mão, não custa lê-los.
A amiga interrompe: "mas sobre o que vocês falaram?" "Generalidades", ele diz, continuando a descrição da aparelhagem de som. "Mas pelo menos dá para me dizer se a festa estava boa?", a amiga se impacienta. "Como?", ele parece acordar de um sonho. "Você gostou?" "Ah", conclui o virginiano, "não tive tempo de pensar nisso, mas notei que as estantes estavam cheias de poeira." À primeira vista, o virginiano pode parecer um chato, mas ninguém na festa achou isso. Ao contrário, foi o único de quem todos, igualmente, gostaram, porque ele estava tão ocupado em reparar no ambiente que mal incomodou os outros com sua presença.
Assim é o virginiano: um grande observador e classificador da vida, o Sherlock do zodíaco, sempre munido da lente de aumento capaz de detectar o menor detalhe. Às vezes um ou outro pormenor lhe escapa, como quando ele é incapaz de dizer se, no conjunto, a festa estava boa ou má. Para o virginiano, o mundo é um extraordinário maquinismo suíço, e ele prefere desmontar e analisar o relógio a perguntar que horas são. É por isso que eles são insubistituíveis. Sem eles, estes Darwins da vida social, maníacos por classificações, obsessivos por detalhes, o mundo perderia muito de suas nuances invisíveis a olho nu.
DOENÇAS:
É sensível a doenças na região abdominal, no intestino delgado e nas mãos. A desnutrição, a má assimilação alimentar e a dificuldade de eliminação são reações tipicamente virginianas. Como resultado, ele pode tornar-se melancólico, irritável, ansioso em trabalhos intelctuais e fixado em detalhes.
TERAPIAS:
Como o virginiano enxerga muito de perto, tende a tornar-se um cético. Como seu afiado senso crítico não poupa nada nem ninguém, pode ocorrer o efeito-bumerangue, e ele se tornar um auto-demolidor. Como não há mecanismo mais complexo e extraordinário do que o corpo humano, ele pode cismar com seu relógio biológico e se tornar um hiponcondríaco. E como, finalmente, ele não tolera desordens, vai ser aquele camarada que não agüenta ver um quadro torto na parede sem endireitar, ou um cinzeiro sujo sem imediatamente levantar-se e esvaziá-lo no lixo. Com esse perfil, o virginiano jamais será vítima de psicoses violentas ou depressões prolongadas. Terá apenas muitas pequenas neuroses, neurose de limpeza, mania de doenças, desânimos cíclicos, tudo absolutamente controlável.
Suas neuroses, aliás, não o incomodam tanto: importunam os outros. A maioria dos habitantes do planeta vai se infernizar com a sua mania de ajeitar os talheres a 2 cm do prato, coisa que ele considera absolutamente natural - talheres devem estar numa perpendicular exata, sempre. Que jamais um virginiano pise num consultório dum psicanalista ortodoxo. Seria horrível: além de suas obsessões naturais, ele vai contrair novas compulsões, como a compulsão para ficar analisando cada gesto seu, e descobrindo por trás dele razões ocultas. Não vai praticamente lhe sobrar tempo para viver, depois que ele adquirir esse mau-hábito.
Uma terapia adequada para o virginiano seria aquela que o fizesse levantar a cabeça do detalhe e alargar seus horizontes. Uma gestalt-terapia, por exemplo, o forçaria a dizer se a festa estava boa ou um porre. Antroposofia também pode lhe fazer bem: ele aprenderá que, além do fígado, estômago e baço, há um tal de todo holístico que é bom considerar. E como um virginiano adora tomar pílulas, tratamentos homeopáticos, com dezenas de gotinhas dezenas vezes ao dia, vão lhe proporcionar uma inefável sensação de bem-estar.
Tai-chi-chuan, a milenar técnica chinesa de integração do céu com a terra, pode igualmente ajudá-lo a parar com a sua mania de ver o mundo em negras fatias simétricas. De mais a mais, o tai-chi é instrutivo, ordenado e limpo. Como o virginiano é sujeito a raríssimos ataques de nervos, mas sofre constantes pequenos achaques, a técnica mais econômica acaba sendo a auto-ajuda. Manuais psicológicos de auto-realização, guias práticos para o conhecimento de si mesmo ou folhetos anti-stress podem ser consultados com a freqüência que se desejar. O virginiano é sistemático até em sua loucura, e já que livros estão sempre à sua mão, não custa lê-los.
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