Curso de filosofia
esotérica
Módulo 1
A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO
É encorajador para os estudantes de Teosofia perceber que praticamente
qualquer pessoa no mundo ocidental já ouviu falar da doutrina da Reencarnação.
Igualmente reconfortante é a percepção que está crescendo o número de pessoas
que consideram seriamente a idéia, e, passaram a enxergá-la como a única
explicação plausível para os acontecimentos da vida. Entretanto, em conjunto
com esta pronta aceitação da idéia geral, muitos e sérios mal-entendidos e
aplicações errôneas são verificados. Ainda são muito poucos os indivíduos que
tiveram a oportunidade de formar em si mesmos uma clara compreensão dos
postulados básicos desta lei bastante antiga e abrangente --- quais de nossos
aspectos são aqueles que sofrem a reencarnação verdadeira --- qual parte de nós
morre e se vai --- como esta lei do retorno cíclico opera pela totalidade da
vida --- e como isso nos afeta em nossa vida diáSOSOria. A Madame H.P.Blavatsky, co-fundadora do presente Movimento Teosófico, o qual foi estabelecido em Nova Iorque em 1875, sustenta que a Reencarnação é uma das "chaves perdidas" do Cristianismo, desde ela fez parte dos ensinamentos iniciais. Uma das muitas controvérsias entre a comunidade cristã foi sobre o anátema pronunciado pelo Conselho de Constatinopla em 553 D.C., contra a doutrina da preexistência da alma --- e assim contra a reencarnação. Foi afirmado que este ato conduziu para a queda da cultura européia e o início da Idade das Trevas.
O lado positivo da história é que H.P.Blavatsky deu tal importância a este princípio que ela afirmou ser através da revivificação do ensinamento verdadeiro a respeito deste princípio, em conjunto com a sua doutrina gêmea, o Carma, que a maré de egoísmo e miséria tão reinante no mundo atual será diminuída. Ela as chamou de doutrinas da esperança e responsabilidade.
QUAL PARTE DA NOSSA NATUREZA REENCARNA?
Devido à predominância do pensamento materialista em nossas escolas, até mesmo em nossas igrejas, nos últimos 100 anos, muitos de nós acabamos por nos identificar com o corpo físico. Nós facilmente consideramos que somos na verdade estas formas físicas, e se a reencarnação é um fato, então é esta personalidade (persona, significando máscara) que irá voltar em uma nova encarnação. No entanto, quando pensamos a esse respeito, sabemos que nós não podemos ser estes corpos. Eles são os instrumentos que o "NÓS" verdadeiro utiliza durante a vida desperta. Eles nascem e morrem, e são finalmente devolvidos para reciclagem pelo reservatório de matéria terrestre, para serem usados novamente por nós ou alguma outra entidade.
E devemos perceber que assim como nós não somos as idéias que sustentamos, nem os sentimentos que experimentamos em algum momento em particular, pois eles estão sujeitos à mudanças, mudanças as quais podemos ficar à margem e avaliar. Nós, a consciência que se move de vida a vida, experiência a experiência, devemos ser algo mais, alguma coisa superior que possui e utiliza estes corpos, cérebros, sentimentos, etc., mas sendo sempre algo diferente destes, algo bem diferente destes veículos ou instrumentos. Mr. Crosbie, o fundador da United Lodge of Theosophists afirmou: (Universal Theosophy, p.24.)
A Teosofia apresenta uma
perspectiva mais ampla ao mostrar que há no homem uma permanência a qual é a
identidade através de todos os tipos de corpos. Não houve nenhuma mudança em
nossa identidade desde a infância até os dias de hoje. O corpo mudou, o
ambiente mudou, mas a identidade permanece a mesma e não irá mudar do modo como
é hoje através de todas as mudanças do corpo físico, mente ou circunstâncias.
Aquilo em nós que permanece inalterado é a única coisa real.
O "Eu" ou "Ego" real é aquele que
sobrevive à morte, vivendo em e através de incontáveis corpos ou
personalidades, todas diferentes porém importantes para a sua evolução
espiritual. É a identidade contínua, a autoconsciência que persiste e carrega
adiante, de vida a vida, a essência da experiência adquirida. É a realização
dessas muitas experiências adquiridas que se mostra adiante na forma do
talento, genialidade e de caráter em geral. Por outro lado, é a crença
persistente na qual nós somos nada além da personalidade que nos fecha
daquele poder, sabedoria e inspiração. A personalidade é o que nós herdamos,
através do Carma, de nós mesmos. O caráter é o que nós fazemos ou não fazemos
com essas oportunidades.
O QUE, ENTÃO, É O NOSSO SER COMPLETO? A Teosofia responde a muitas de nossas perplexidades, assim como às dúvidas da Psicologia e da Religião, através da explicação que, durante a encarnação, o homem tem uma natureza dupla, consistindo em um "Eu" superior, o qual é imortal, e um "Eu" inferior ou personalidade, a qual é um instrumento ou veículo para o primeiro, e é, como todas as formas, sujeito à morte e desintegração.
O Eu Superior é uma trindade consistindo do Espírito, Alma Espiritual e Mente (Atma, Buddhi e Manas, em Sânscrito). Esta entidade tríplice é o homem real, o qual reencarna de uma vida a outra em direção ao contínuo desdobramento de sua infinita sabedoria e poder. Atma é a fonte indefinível e impessoal de tudo; não um "Deus" pessoal e finito, mas uma Presença Divina universal. Ele é sem fronteiras, eterno e onipotente --- o poder ilimitado de crescer, conhecer e se tornar --- e cada um de nós é essencialmente ISSO.
Buddhi, de acordo com Mr. Judge, é o "Maior poder do intelecto, aquele que discerne e julga". É o que somos capazes de expressar da Mente Universal. É a nossa percepção adquirida da Divindade, da Divina Inteligência. A mente é um veículo ou instrumento consistindo do pensamento, vontade, sentimento, memória e imaginação, e ela pode estar a serviço de nossa natureza Buddhica ou superior, ou pode ser escrava de nossa natureza Cármica ou inferior.
O "eu" inferior, ou transitório, é um quaternário consistindo do corpo, corpo Astral, Princípio da Vida e Princípio das Paixões e Desejos. Em Sânscrito estes quatro termos são chamados Rupa, Linga Sarira, Prana e Kama. O corpo é o envelope material feito de matéria deste plano (físico). O Linga Sarira ou Corpo Astral é um corpo padronizado elétrica e magneticamente, cujos campos magnéticos e elétricos estão constantemente alterando as moléculas físicas em suas funções apropriadas. Ele duplamente precede e sobrevive ao físico, e é o veículo que realmente contém os sentidos e de fato o nosso corpo físico verdadeiro. A matéria astral é uma matéria física de natureza mais fina.
Prana é a energia da vida, e de acordo com o Ocean of Theosophy, p.37:
É um princípio universalmente
difundido. É o oceano no qual a terra flutua; ele permeia o globo e cada ser ou
objeto nele. Ele trabalha incessantemente sobre nós e ao nosso redor, pulsando
sobre e através de nós, para sempre. Quando ocupamos um corpo, nós meramente
utilizamos um instrumento mais especializado que qualquer outro para lidar
tanto com Prana como com Jiva.
Jiva é a vida no seu aspecto universal. Prana é o aspecto
individual que somos capazes de explorar e usar para nos manter
"vivos" durante a encarnação.
Kama é o princípio o qual estamos provavelmente mais familiarizados. É o
princípio das paixões e desejos e tem sido chamado de o princípio do
equilíbrio, já que permanece no centro dos sete. O Sr. Crosbie afirma que
"Ele é também o princípio mais desenvolvido e utilizado pelos homens em
geral, formando a base de suas ações, e aqui também é o ‘equilíbrio’ pelo qual
as coisas vão bem ou mal." A respeito do Eu Inferior, o Sr. Judge afirma, no Ocean of Theosophy, p.32:
Esses quatro constituintes
materiais inferiores são transitórios e sujeitos à desintegração da própria
matéria, assim como à separação entre si. Quando é chegada a hora da sua
separação, a combinação não pode mais ser mantida, o corpo físico morre, os
átomos os quais cada um dos quatro princípios são compostos começam a se
separar de cada um, e o conjunto completo desunido não é mais de grande uso
como um instrumento para o homem real. Isto é o que é chamado de
"morte" entre nós mortais, mas não é a morte para o homem verdadeiro
porque ele é imortal, persistente.
Vamos recapitular...O Homem Real é a
trindade Atma-Buddhi-Manas, ou Espírito e Mente, e ele utiliza certos
agentes e instrumentos para manter contato com a natureza, de modo a conhecer a
si mesmo. Estes instrumentos e agentes são encontrados nos Quatro inferiores
--- ou Quaternário --- cada princípio é em si mesmo um instrumento para uma
experiência particular pertencente ao seu campo, o corpo sendo o mais baixo,
menos importante, e mais transitório de toda a série. (Ocean p. 34)
POR QUE NÓS TEMOS QUE REENCARNAR?
A Reencarnação é muito mais um processo benéfico. Ela dá ao homem o tempo e
a oportunidade para realizar todas as aspirações que permanecem latentes na sua
natureza interior. Ela oferece novos começos, com novos corpos, cérebros e
circunstâncias. Ela permite períodos de descanso e assimilação muito
necessários para a alma entre encarnações. E ela oferece novos veículos e
ambientes dentro dos quais o homem pode reparar atos do passado os quais ele
queria corrigir. É através da reencarnação que o homem pode estender ajuda às
muitas "vidas" conscientes que formam a Grande Natureza, e que
dependem dele para a sua evolução futura. Para compreender melhor esta interdependência e a necessidade da reencarnação, a qual é a renovação cíclica da associação com toda a Natureza, é importante deixar claro em nossas mentes o fato de que o homem, na sua natureza mais profunda, é uno com Deus, ou a Divina Presença que está na raiz de toda a Vida. É por isso que a Teosofia pode afirmar que "A Irmandade Universal é um fato na Natureza."
Poucos de nós, certamente, gostariam de permanecer aprisionados no mesmo corpo com o mesmo cérebro, percepções e sentimentos para todo o sempre. A vida ao nosso redor nos ensina que conforme progredimos, nós construímos novos e melhores edifícios, instrumentos, sociedades, etc., e colocamos os meios antigos para serem reciclados. O mesmo se dá com estas personalidades que utilizamos para entrar em contato com a vida nos vários planos da Natureza. Em cada nova vida nós temos a oportunidade de criar novos e melhores instrumentos, possibilitando-nos uma maior faixa de percepção e maior efetividade. E, é claro, isto pode dar um impulso maior para aquelas vidas que formam aqueles instrumentos. Com essa perspectiva universal, nós podemos ver que o único modo prático, real, de viver, é tornar todos os nossos pensamentos e atos tão benéficos e úteis quanto possível.
O QUE CONSTITUI O PROGRESSO ATRAVÉS DA REENCARNAÇÃO?
O homem é essencialmente um perceptor. Na raiz do seu ser ele é o Espírito, ou Atma --- o ilimitado poder de perceber, aprender e crescer. Este poder é infinito, eterno e onipotente. Ele é o Eu Real de cada Ser Humano, dado o horizonte ilimitado para o conhecimento e a compreensão. Ele é também Buddhi, a invocação ou destilação de toda a experiência passada, a qual o arma com uma perspectiva panorâmica, e assim o permite (quando ele o ouve) a discernir, julgar, e reconhecer a verdade. Buddhi é a fonte da intuição, da inspiração e da consciência. Mas ele é também Manas, ou Mente, o instrumento que ele usa para operar neste plano --- a mente como sendo o plano real de ação. Estes são os três aspectos do Perceptor, o Ego Reencarnado, e é dentro desta trindade que toda a verdade e progresso duradouro é armazenada. E o verdadeiro progresso consiste na capacidade de traduzir o conhecimento daquele Eu Interior em ação no plano físico.
No seu artigo "Genius" (Panfleto Spiritual Evolution) H.P. Blavatsky afirma:
Nenhum Ego difere de outro Ego,
em sua essência e natureza primordial ou essencial. Aquilo que torna cada mortal
um grande homem ou uma pessoa vulgar, doentia, é a qualidade e a consistência
do invólucro físico, e a adequação ou inadequação do cérebro e do corpo ao
transmitir e dar expressão à verdadeira luz do Homem verdadeiramente interior,
e esta pertinência ou impertinência é, por sua vez, o resultado do Carma.
Em seu
livro Answers to the Questions on the Ocean of Theosophy, O Sr. Crosbie
vai além:
O Perceptor tem o poder de
perceber e ampliar o seu alcance de percepções. Seu poder de percepção não é
modificado pela razão ou quaisquer percepções adquiridas; ele pode sempre
continuar a aumentar sua gama de percepção. Conforme a percepção continua a
aumentar sua amplitude, ele evolui como um melhor instrumento através de envio
e da recepção de impressões. Uma inteligência sempre crescente e uma verdadeira
melhoria de forma constituem a evolução.
Todos nós já experimentamos o sentimento de que conhecemos
mais do que somos capazes de expressar, que temos a capacidade de fazer melhor
do que estamos fazendo, que existe um potencial dentro de nós que está sempre
abaixo da superfície. Esta não é apenas uma interpretação favorável de nós
mesmos. Há uma grande verdade neste sentimento. Os ensinamentos da Teosofia nos
dizem que todas as experiências e conhecimentos passados permanecem trancados
dentro de nós, porém dentro do alcance do homem pessoal, e podem ser trazidos à
consciência e disponibilizados através da qualidade certa de esforço. O
progresso verdadeiro consiste em readquirir o uso deste conhecimento através do
treinamento, aperfeiçoamento ou melhor sintonia dos instrumentos do eu
inferior, de modo que estes irão refletir ou transmitir a sabedoria do Ego
Interior. Um passo na direção correta é a aplicação do melhor que conhecemos em
cada tarefa que realizamos, não importa quão pequena. Mas há muito mais do que
isso.
Para criar tal instrumento --- mesmo nesta vida --- é necessário adotar e
estabelecer uma base universal verdadeira para o nosso pensar e agir. O
pensar correto e efetivo deve se basear sobre idéias fundamentais que são
verdadeiras a qualquer tempo, verdade em todas as circunstâncias e nunca
contraditórias umas às outras. Se a base do nosso pensar não for verdadeira com
as leis da vida, todas as nossas ações serão marcadas pelos mesmo erros. O que é
necessário é um conhecimento desses princípios universais que irão conduzir à
uma compreensão maior da natureza completa do homem, as eternas e imutáveis
leis da vida as quais o homem se acha sujeito, e seu objetivo e destino no
universo. A Lei Universal da Reencarnação, aplicada a toda e qualquer
manifestação, é um dessas leis fundamentais que formam parte da base para o
nosso pensar e perceber. POR QUE NÓS NÃO UTILIZAMOS TODA ESTA SABEDORIA INTERIOR?
Para muitos, esse arquivo de conhecimento e poder permanece quase inteiramente além do alcance, devido ao fato de persistirmos em nos identificar com o corpo e o cérebro. Nós fomos educados a pensar que a existência física é tudo o que existe na vida, que Alma e Espírito são coisas que pensamos apenas quando a morte está próxima, mas eles não tem aplicação prática na nossa vida diária.
Não é difícil perceber que a grande maioria dos nossos pensamentos são de natureza pessoal, de um certo modo egoísta e muito relacionados aos aspectos da nossa natureza física. Assim, ocorre que esta prática ao longo de nossas vidas acabou por treinar o nosso cérebro a responder apenas às impressões e mensagens com este caráter. O Sr. Crosbie afirma "A barreira de cada homem não está na memória, mas nas falsas idéias a respeito da vida de acordo com as quais ele age." Entretanto, com alguma determinação e com a ajuda dos Grandes Mestres, essas idéias inibidoras as quais estamos amarrados podem ser substituídas por outras mais harmônicas com o mundo do nosso Eu Interior.
O primeiro e mais importante passo que ser tomado, um passo sem o qual todo o resto é impossível, é convencer a nós mesmos que não somos o corpo, o cérebro, a personalidade, mas nós somos o Ego Reencarnado, Atma, Buddhi e Manas, a identidade contínua que utiliza as várias personalidades para adquirir experiência e aprendizado. Uma vez que tenhamos compreendido que na longa jornada a vida altruísta é a única vida prática, nossos pensamentos e ações serão desta natureza, e nossos cérebros irão se tornar sintonizados com as verdades da Alma, e estarão abertos à inspiração pelo Eu Superior.
PODEMOS NOS LEMBRAR DE NOSSAS VIDAS PASSADAS?
A resposta a esta questão tem que sem tanto "sim" como "não", se nós considerarmos o homem em sua natureza dual, um Ego Reencarnado e seu veículo pessoal e transitório. A questão deve ser refeita: pode esta personalidade e cérebro atuais relembrar atividades e pensamentos da personalidade que estava no comando em uma encarnação precedente, e, se não, existe algum outro aspecto da memória que pode fazer a ponte entre esta e outra encarnação?
Falando da memória física ou pessoal, H.P.Blavatsky apresenta um argumento muito sólido contra a possibilidade de sermos capazes de lembrar eventos de nossas vidas passadas. Ela afirma, no livro Key to Theosophy, p. 127:
Desde que estes princípios os
quais chamamos físicos...são desintegrados após a morte com os seus elementos
constituintes, memória junto com o cérebro, esta memória destruída de
uma personalidade destruída não pode lembrar nem gravar nada na reencarnação
subsequente do Ego. A reencarnação significa que este Ego será guarnecido com
um novo corpo, um novo cérebro e uma nova memória. Deste
modo, seria absurdo esperar que esta memória se lembre daquilo que nunca
foi gravado.
Por outro lado, nós aprendemos que a memória das
experiências de todas as vidas passadas é retida na natureza interior do homem,
e que os Mestres e Adeptos que adquiriram controle sobre a sua natureza
inferior alcançaram o ponto no qual o seu desenvolvimento Espiritual os permite
abrir estes arquivos de memória a qualquer momento que seja necessário.
H.P.Blavatsky vai além ao afirmar que "...o Ego Espiritual pode agir
apenas quando o ego pessoal está paralisado. O Eu Espiritual no homem é
onisciente e tem todo o conhecimento inato dentro dele; enquanto o eu pessoal é
a criatura do seu ambiente e um escravo da memória física." O que deve ser
paralisado não é o instrumento pessoal, (nós não poderíamos aprender sem ele)
mas a base pessoal e egoísta sobre a qual ele opera.
No entanto, a memória dos eventos das vidas passadas está lá apesar de tudo,
trancada em nossa natureza anímica. E a essência destas atividades, as
quais são assimiladas pela alma na hora da morte, surge na vida presente em
várias maneiras --- através da nossa intuição e sentimentos, por exemplo. Quem
nunca teve a experiência de conhecer alguém o qual nunca havia encontrado
antes, ou sentir-se familiar com algum lugar o qual nunca esteve nesta vida? E
o que é o talento, a genialidade, além da precipitação na vida presente de
alguém das lições ou habilidades aprendidas no passado? A atração de alguém por
uma família em particular nesta encarnação, ou por um companheiro de trabalho,
e até mesmo a busca de uma pessoa pela verdade e sua associação final com
outros estudantes de Teosofia --- todas estas atrações não são mais que
infiltrações da memória da Alma de ligações ancestrais que foram estabelecidas
em outras vidas. Em todos os lugares nós ouvimos casos de memórias de vidas passadas. É possível que alguns destes relatos sejam verdade. Os Professores indicam que é possível em casos excepcionais, sob condições excepcionais, mas estes são casos raros que demandam explicações mais profundas. Muitos, por outro lado, podem ser leituras aleatórias de algum dos milhões de pacotes de memória (de outras vidas individuais) residentes na Luz Astral, o banco de memória da Terra. E muitos são os casos de fraudes estabelecidas para benefícios materiais.
Existem, entretanto, centenas de casos genuínos de memórias claras de uma vida passada. Muitas foram avaliadas e gravadas em vários volumes pelo Dr. Ian Stevenson. Muitas delas são de natureza diferente que necessitam de uma explicação mais detalhada. Estes são os casos de crianças que morreram em idade muito precoce e as quais voltaram a encarnação em um tempo relativamente curto, tornando suas memórias mais fáceis de acessar. A diferença importante, de acordo com a Teosofia, é que em muitos desses casos o corpo Astral não chegou a se desintegrar, e foi utilizado novamente em um novo nascimento, e consequentemente reteve a memórias dos poucos anos vividos no corpo anterior.
NÓS ENCARNAMOS COM AS PESSOAS AMADAS?
A doutrina da reencarnação nos ensina que tudo reencarna. É uma lei universal, e consequentemente deve incluir nossas associações e nossos relacionamentos. Como resultado das causas mutuamente produzidas, assim como das situações deixadas não resolvidas, nós voltamos em cada nova vida em companhia daqueles os quais vivemos e trabalhamos no passado. Isto inclui aqueles que amamos e nos amam, assim como com aqueles os quais nossas associações no passado deixaram situações que devem ser trabalhadas e resolvidas. Seria ótimo ter apenas aqueles que amamos ao nosso redor, em nossas vidas, mas a justiça demanda que nós não possamos nem devemos fugir das situações discordantes --- e a reencarnação nos oferece a oportunidade de transmutar inimizades e discórdias dos passado em harmonia e cooperação no presente. No seu artigo "Friends or Enemies in the Future", o Sr. Judge escreveu:
Nossos amigos ou inimigos
futuros, deste modo, são aqueles que estão conosco e permanecem conosco no
presente. Se eles são aqueles que hoje parecem inimigos, nós estamos cometendo
um grande erro e apenas estamos adiando o momento da reconciliação por mais
três vidas, se nos permitimos ser deficientes na caridade por eles...Pudéssemos
ver um pouco adiante em nossas vidas, e veríamos aqueles pelos quais sentimos
pouco carinho cruzando o plano daquela vida conosco e sempre no nosso caminho,
sempre nos escondendo da luz. Mas, se mudarmos nossa atitude atual, aquela nova
vida virá a ser tal que essas pessoas incômodas, parcialmente inimigas e
obstrutivas estarão nos ajudando, nos apoiando em cada esforço que fizermos.
Talvez seja por isso que São Paulo nos lembra da repreensão
de Jesus ao "Não deixe o sol se por sobre sua ira,".
O QUE OCORRE ENTRE A MORTE E O RENASCIMENTO? Talvez a primeira coisa a se ter em mente seja que mesmo na hora da morte e nos estados pós morte a consciência não é nunca interrompida. O Ego é o Perceptor e nunca cessa de perceber, seja neste plano ou em outro. Em segundo lugar, é importante entender que à morte nós não vamos a "lugar" algum tipo Céu ou Inferno, mas apenas mudamos nosso estado de consciência. Mas isto não ocorre de uma vez só. Na hora da morte o Ego tem trabalho a fazer extraindo e retendo o significado da vida recém terminada. A Teosofia ensina que existem várias "mortes" conforme cada camada ou veículo cessa de armazenar experiências. O Sr. Judge tem essa colocação a respeito do processo: (Ocean, p.99)
Quando o conjunto está frio e os
olhos fechados, todas as forças do corpo e da mente se dirigem ao cérebro, e
através de uma série de imagens a vida inteira recém terminada é registrada de
maneira indelével no homem interior, não apenas como um quadro geral, mas
também através de cada pequeno detalhe e até mesmo cada expressão minúscula.
Neste momento, embora todas as indicações conduzam os cientistas afirmarem a
morte, e embora para todos os efeitos a pessoa está morta para esta vida, o
verdadeiro homem está trabalhando arduamente no seu cérebro, e não antes desse
trabalho terminar a pessoa se vai.
Em outra parte desta Série os estados pós morte serão
explicados em maiores detalhes, mas por agora é suficiente dizer que o Ego está
fazendo o mesmo que as árvores fazem durante o inverno. As folhas caem e as
flores morrem, mas a essência daquele ano de crescimento é retornada e
armazenada na semente. Este é um período no qual o Ego revê a última vida
vivida e se prepara para deixar a semente para a próxima vida. É um período
necessário a alma, para o seu descanso e compreensão da peregrinação e do
processo completo.
O Sr. Judge descreve o que ocorre quando é chegado o momento do Ego entrar
novamente em outra encarnação: (Ocean, p.116)
Com o término do período completo
estabelecido para as forças da alma no devachan [um dos estados pós
morte], as correntes magnéticas que a conectam com a terra começam a exercer
seu poder. O Eu acorda do seu sonho, é nascido rapidamente em um novo corpo, e
então, logo antes do nascimento, ele vê por um momento todas as causas que o
conduziram ao devachan e de volta a vida por começar, e reconhecendo-as
todas justas, como resultado de sua própria existência passada, ele não
lamenta, apenas toma a estrada novamente --- e outra alma está retornando à
terra.
QUESTÕES SOBRE O TÓPICO 1
1 - Algumas pessoas pensam que a reencarnação não é justa porque nós
sofremos por erros cometidos por outra pessoa em outra vida. O que você pensa
sobre isto? 2 - Nós podemos, e realizamos as escolhas de nossa próxima vida? Explique detalhadamente.
3 - A reencarnação se aplica a coisas como idéias e crenças? E a raças, civilizações ou mundos? Explique.
4 - Nós iremos reencarnar com o mesmo sexo, raça ou nacionalidade? Explique.
5 - Você deve ter ouvido falar que o homem pode reencarnar em formas animais ou insetos como resultado de certas ações. Isto é realmente possível? Explique.
6 - Ao longo da Doutrina Secreta, H.P. Blavatsky fala da importância do uso das analogias e correspondências no estudo do ocultismo. Tendo o ciclo da reencarnação em mente, você pode ver correspondências ou analogias na Natureza, ou na natureza humana? Liste tudo o que você encontrar.
7 - Do que você aprendeu sobre o processo de reencarnação, você diria que a reencarnação dos Grandes Mestres e Salvadores da história difere da referente a uma pessoa normal? Explique.
8 - Com a reencarnação ocorrendo e a população continuando a crescer, a terra irá comportar a humanidade? Explique.
9 - Por que a reencarnação tem sido chamada "uma das chaves perdidas do Cristianismo" e por que o Sr. Judge diz que a reencarnação e o Carma são as principais características de um homem altamente evoluído?" Por que o conhecimento da reencarnação é tão importante neste momento?
LEITURAS COMPLEMENTARES
Um dos livros básicos que tem sido utilizado ano após ano para o estudo da Teosofia é The Ocean of Theosophy, de William Q. Judge. É significativo que na apresentação de seu texto, ele considere o tema Reencarnação importante e base suficiente para o estabelecimento de 3 capítulos do livro. Se você desejar leituras adicionais neste tema, certamente encontrará neste pequeno porém rico livro uma grande ajuda.
Outro texto que oferece muitos estímulos à reflexão, assim como aplicações práticas deste e outros princípios da Filosofia é The Key to Theosophy, de H. P. Blavatsky. O livro contém aplicações interessantes e práticas das doutrinas que não são encontradas em nenhum outro lugar dos Ensinamentos.
E, se, no seu estudo, você se encontrar frente a muitas dúvidas e necessitar respostas, nós sugerimos que você vá ao Answers to Questions on the Ocean of Theosophy, de Robert Crosbie. Ele responde muitas das questões que surgem durante o estudo.
__________________
Tradução: Marcelo Pagliarussi (marcelo@nit.ufscar.br)
Curso de Filosofia Esotérica
Módulo 2
Carma
Respostas às questões apresentadas no Tópico 1 – Reencarnação
Material sobre o Carma
Questões sobre o Carma
Resposta
às questões do Módulo 1 - Reencarnação
Resposta à questão no1 Inicialmente podemos considerar que seria injusto se os erros cometidos por qualquer pessoa, em qualquer lugar, ficassem sem correção. Instintivamente nós sentimos que alguma coisa está errada se a justiça não é feita, e, se em algum lugar, de algum modo, não houver recompensa por atos de bondade, assim como por atos de natureza oposta à bondade.
Além disso, nós devemos lembrar que desde que nossos atos são cometidos aqui durante a encarnação, com e sobre outros seres ao nosso redor, é lógico que o efeito ou a conseqüência destes atos deve estar aqui, e com os mesmos seres, e não em algum Paraíso ou Inferno distantes. Afortunadamente, a reencarnação nos conduz à situação, às condições e à companhia daqueles seres mais prováveis de nos oferecer a oportunidade de compreender o caráter e o significado daqueles atos e pensamentos que enviamos --- e, se possível, aprender a partir da experiência. Nenhuma outra pessoa gerou as causas, e ninguém deveria ser chamado a experimentar os seus efeitos.
Desde que não temos nenhuma dificuldade em aceitar as coisas boas que nos ocorrem como algo que nós justamente merecemos, por justiça nós deveríamos também aceitar as coisas "não tão boas" como nossas. Se tomarmos a posição do eterno Ego Reencarnado, poderemos aprender e tirar vantagem de ambas as situações.
Mas para explicar de maneira mais detalhada, deve ser lembrado que a pessoa ou a personalidade em qualquer vida é apenas um instrumento, um veículo, montado e utilizado pelo Ego para o contato com a vida neste plano --- para adquirir experiência, aprender e ajudar as vidas, aquelas inteligências que constituem as formas que nós utilizamos. Durante a encarnação, no entanto, um processo interessante ocorre. O Ego delega não apenas responsabilidade mas também autoridade a este "eu" inferior, como o dono de uma empresa iria delegar responsabilidade e autoridade ao seu gerente com o objetivo de treiná-lo; mas em todos os casos a responsabilidade final permanece com o Ego. O que quer que o "trainee" faça, com sabedoria ou estupidez, voltará em última instância ao responsável, o Ser Reencarnado. É nesta Consciência do Ego que todas as percepções e aprendizados reais ocorrem, e é nesta mesma Consciência do Ego na qual o retorno das experiências, não importa de qual encarnação elas venham, deverá ficar registrada e sofrer seus efeitos.
Seria muito ruim para nós se pudéssemos lembrar os detalhes de nossas vidas passadas, das vidas que causaram as circunstâncias que estamos vivendo agora. Grande parte da nossa atenção iria ser gasta revivendo os problemas e vivenciando sensações boas ou más a respeito deles. É suficiente para nós conhecer a essência ou as imposições do retorno do Carma, reconhecendo-o como algo que colocamos em movimento, algo que nos pertence. E isto se torna uma parte do padrão de nosso viver, uma vez que nós compreendemos as razões por trás dos efeitos retornantes, e o trabalho por trás da Lei.
É esta permanência, o "Eu" real que nunca morre que conduz as experiências e a memória essencial de uma vida a outra. Uma vez que possamos nos colocar na posição desta individualidade interna que periodicamente ocupa e utiliza as personalidades para ganhar experiência e aprendizado, então nós seremos aptos a ver e apreciar que esse é o único meio através do qual a justiça eterna pode ser conduzida.
Resposta à questão no 2
De um certo modo nós escolhemos a nossa próxima encarnação, por outro lado não. O senso comum nos diz que a lei da justiça não nos permite escolher qualquer vida prazerosa que desejemos. Por outro lado, ninguém mais escolhe a próxima experiência para nós.
O Sr. Crosbie acrescenta, "A entrada no nascimento para um ego, em conjunto com as condições conectadas com aquele nascimento, são predeterminadas pelos méritos ou deméritos do indivíduo nas suas vidas passadas. O ego não pode entrar na nova vida até que certas condições que encontrem suas necessidades seja estabelecidas." O Carma individual determina que em cada nova vida certas experiências necessitem ser vividas e certas lições aprendidas. Quando estas condições de raça, família, circunstância e período estão prontas, o Ego "mergulha" na encarnação e uma nova vida se inicia.
O Sr. Crosbie acrescenta:
A personalidade em qualquer vida
é um aspecto temporário e uma ação da Individualidade, e difere, em cada nova
vida, no ambiente e nas mudanças que foram trazidas das existências prévias ---
no caráter, disposição e compreensão; estas podem produzir na próxima
encarnação mudanças nas relações sociais, capacidade mental, natureza do corpo,
ambiente físico e até mesmo sexo. A personalidade não reencarna, a
Individualidade em cada renascimento projeta uma nova personalidade, qualidades
e tendências as quais são desenhadas a partir da soma total de todas as vidas
prévias --- não apenas a última. (Ans. to Questions, p.116)
Em todos os nossos pensamentos e atos diários nós estamos
realizando escolhas que irão determinar as nossas forças, assim como nossas
limitações em alguma vida futura. Neste sentido, nós escolhemos esta vida a
qual estamos vivendo agora, mas é o nosso Carma que forja a nossa próxima
encarnação e nos traz exatamente o que, para nós, é a experiência mais adequada
--- exatamente a lição ou as lições as quais precisamos trabalhar para nosso
progresso em nossa evolução Espiritual. E a Filosofia indica que o maior
progresso tanto em força como em aprendizado é feito quando nós tomamos esta
alta posição e aceitamos nosso destino como uma lição temporária, o melhor
lugar em que poderíamos estar neste momento.
Resposta à questão no 3 Se nós compreendermos que a reencarnação é uma Lei Universal, começaremos a ver a sua aplicação em todas as direções e todos os aspectos da vida física, mental e emocional. Utilizando o fato que esta lei opera em todos os lugares, e usando-a como parte de nossos equipamentos, nossa visão se expande e muitos dos mistérios da vida começam a se esclarecer. A aplicação da lei em nós mesmos nos mostra que todos estivemos aqui antes, agindo e pensando juntos, desenvolvendo idéias e sistemas que não irão desaparecer para sempre. Nós não voltamos à encarnação de mãos vazias. Nós somos o meio para a reencarnação de idéias, religiões, filosofias, conflitos não resolvidos e sonhos não terminados.
O Sr. Judge afirma a idéia desta maneira no Ocean, p. 119:
Por isso as almas que
constituíram as mais antigas civilizações irão retornar e trarão as antigas
civilizações com elas, na idéia e na essência, e assim sendo, adicionado ao que
outros fizeram para o desenvolvimento da raça humana, em seu caráter e
conhecimento, irão produzir um novo e mais elevado estado de civilização. Este
novo e melhor desenvolvimento não irá ser decorrente de livros, registros,
artes ou mecanismos, porque todos estes aspectos são periodicamente destruídos
tanto quanto as evidencias físicas são. Mas com a alma sempre registrando no Manas
o conhecimento uma vez adquirido e sempre conduzindo para o completo
desenvolvimento de poderes e princípios, a essência do progresso permanece e
irá certamente retornar quando o sol brilhar.
A aplicação da lei nesta Terra nos ensina que ela é a
reencarnação direta de um globo anterior, um lar anterior para a humanidade.
Quando aquele globo alcançou o limite da sua utilidade, ele morreu, assim como
qualquer entidade morre, enviando suas energias para fora e para assim formar
finalmente um novo corpo, a nossa Terra atual. De maneira semelhante, o Sistema
Solar no qual a nossa Terra faz parte é o resultado direto --- a reencarnação
--- de um sistema solar precedente.
Como a evolução deste planeta é o resultado da atividade e da evolução de
algum outro planeta, assim também a atividade ou a evolução coletiva de grandes
ou pequenos grupos (comunidades, raças, etc.) os traz de volta com o objetivo
de trabalhar o que será explicado na próxima lição como Carma de grupo, Carma
Nacional, Carma de Raças, etc. Até mesmo nossos pensamentos e sentimentos
individuais reencarnam, formando hábitos, tendências e caráter que habitam
nosso pequeno mundo, nossa personalidade. Resposta à questão no 4
Para algumas pessoas seria bastante atraente encarnar no mesmo tipo de corpo em que estão agora, mas para muitos uma mudança de alguma tipo seria bem vinda. Infelizmente, ou talvez felizmente, isto é governado por uma lei, e não pelo desejo. Nós encarnamos em uma raça ou sexo em particular porque ajustamos as causas para tal experiência, porque ela nos dará a melhor oportunidade para ver a partir do ponto de vista de um receptor, e para aprender as lições envolvidas. Aparentemente, nós precisamos experimentar algo para verdadeiramente entendê-lo.
O atual ciclo de evolução é chamado Idade de Ferro, e é caracterizado por uma extrema diversidade e individualismo. Nós podemos observar grandes diferenças não apenas de raças, cor e sexo, mas de inteligência, capacidade, percepção moral, riqueza, saúde, etc. O objetivo disto é nos proporcionar a maior amplitude possível de experiências e desafios, no esforço contínuo da alma em trazer a harmonia a partir da desunião, ou pelo menos ver a unidade fundamental por trás das aparências. E a menos que exista um reconhecimento da realidade e supremacia da Alma, isto não pode ser alcançado. A Alma por si mesmo não tem raça, cor ou sexo.
Cada raça, cor e sexo é usualmente caracterizada por tendências dominantes, modos de pensar predominantes e pontos de vista individuais. Coletivamente nós chamamos isso de cultura, e enquanto a cultura trabalha em harmonia com outras culturas, o objetivo da evolução está sendo alcançado. Somente quando estas culturas começam a operar com uma atitude de superioridade é que o propósito desta manifestação de variedade é retido em sua evolução.
Cada Ego é atraído a uma raça, cor, sexo, família e situações de acordo com os seus atos, pensamentos e tendências nas suas vidas anteriores. Estas condições o trazem à situação a qual ele pode melhor aprender as lições que estão no seu caminho para o seu progresso. É aqui que ele pode melhor resolver as diferenças de longa data e formar amizades de longa duração. Estas tendências podem exercer influência durante várias vidas ou podem ser exauridas mais rapidamente. Depende de quão disposto está o indivíduo em trabalhar sobre si mesmo.
Novamente, a Alma não tem raça, cor, sexo, e nenhuma destas características é melhor que qualquer outra. As que temos agora são as melhores no momento para nós, ou não estaríamos aqui. Nós todos encarnamos em todos os tipos de raça e cor, e fomos homens e mulheres, ao longo dos tempos. De qualquer modo, nós podemos viver como intolerantes ou como Deuses que realmente somos.
Resposta à questão no 5
É verdade que alguns dos escritos ancestrais parecem ensinar que a encarnação de um homem em um animal ou formas de insetos é possível, como forma de punição por certos atos. Mas a Teosofia, e os verdadeiros ensinamentos Orientais mostram claramente a impossibilidade de isso ocorrer. Quando nós iniciamos o estudo da evolução humana podemos ver e compreender que o homem é, foi, e sempre será homem, o "Peregrino" divino e auto-consciente que tem vivido e trabalhado através de muitas formas. Estas formas, contudo, são sempre as melhores, mais elevadas que a Natureza pode produzir. Nós as chamamos formas humanas, e embora o homem possa degenerar de várias maneiras, ele é impedido de entrar em formas que são domínios de outros reinos.
Há, entretanto, bases naturais para este mal entendido, um erro que tem sido mantido por feiticeiros e falsos pastores, para propósitos egoístas. A substância dos nossos instrumentos físicos periodicamente passa pelo ciclo de regeneração, indo pelos reinos inferiores. Nós temos consciência da reciclagem de toda a natureza, e, neste processo, uma grande parte da natureza física ou animal que utilizamos se vai com as partículas físicas para outros reinos, influenciando poderosamente a sua evolução para o bem ou para o mal --- e finalmente retornando a nós com todo o treinamento e as tendências que demos a elas. Neste sentido, nossa influência, nossos pensamentos, sentimentos e ações vão para o reino animal --- e em todos os reinos da natureza --- e através da lei do Carma, voltam a nós na forma de um novo veículo, um novo corpo "animal", uma nova "natureza" pessoal.
Uma vez que o homem tenha "espiritualizado" completamente seus veículos inferiores e não é mais como o resto de nós, metade humano e metade divino, mas totalmente divino, então ele se torna um salvador e um professor dos homens, alguém cujas memórias permanecem ininterruptas e impassíveis de escurecimento pelas descidas periódicas dos seus princípios aos reinos inferiores. Eles se tornaram purificados e permanecem no nível humano.
Resposta à questão no 6
As correspondências óbvias, é claro, são aquelas do dia e da noite, as estações do ano. Mas é interessante e produtivo tentar aplicar estes casos óbvios em outras situações, como olhar as várias estações, Primavera, Verão, Outono e Inverno em cada dia ou em uma era, na vida de um indivíduo ou na vida de uma idéia, de uma ideologia. Se olharmos, poderemos reconhecer as estações em um sentimento. Não podemos ver as estações em nossos sentimentos por alguma posse, um carro ou uma peça de roupa? Sentimentos morrem cedo ou tarde, mas eles usualmente encarnam de novo e nós imaginamos de onde vêm. Não podemos dizer o mesmo de epidemias, crenças e religiões? Não estamos sempre vendo estas voltarem para nós sob diferentes nomes e diferentes formas?
Vários historiadores perceberam a estreita similaridade entre a antiga civilização Romana e algumas de nossas cidades modernas. O Sr. Judge sugeriu que muitos habitantes nos Estados Unidos são habitantes reencarnados de Atlântida, trazendo consigo muito da cultura e dos problemas daquela civilização. Outros identificaram sinais dos antigos Egípcios em nossos "prédios" modernos.
Na Natureza podemos notar evidências de reencarnação em vários lugares. A vida de uma planta parece partir para outro plano durante o Inverno e então retorna para tomar um novo lar na Primavera. A vida e a inteligência no animal não reencarna individualmente, como ocorre conosco, mas ela retorna na forma de uma inteligência do reino, o conhecimento e o instinto do seu estágio particular de desenvolvimento. Até mesmo as células do corpo têm um ciclo de atividade, descanso e retorno.
A Teosofia ensina que as células são as formas tomadas pelas inteligências interiores, inteligências que não morrem.
Como pode-se perceber, a lista pode aumentar indefinidamente, e a sugestão que fica é que o estudante pode ter bastante ganho se tentar ver estas leis, Reencarnação e Carma, em cada fase da vida manifesta. H.P. Blavatsky dizia que a analogia "é a lei orientadora da Natureza, a única e verdadeira linha de Ariadne que nos guia, através dos caminhos inseparáveis do seu domínio, em direção aos mistérios originais e finais." Doutrina Secreta II, p.153.
Há mais um ciclo de reencarnação que é de grande importância para a humanidade. É o ciclo de Avatars, o ciclo que periodicamente traz de volta os Grandes Mestres, Mahatmas, Adeptos que de boa vontade retornam a encarnação com o propósito de nos lembrar da nossa herança divina, das leis eternas da vida sob as quais nós devemos viver, e do destino divino de toda a Humanidade. Vários grandes ciclos culminaram ao redor do ano de 1875 quando as antigas verdades a respeito da vida e do homem foram novamente apresentadas para o mundo, na forma dos Ensinamentos Originais da Teosofia.
Resposta à questão no 7
Há diferenças e semelhanças. A principal diferença é que a encarnação dos Mestres é totalmente voluntária. Eles já adquiriram o direito de descansar e desfrutar do Nirvana. O que Os torna verdadeiros "Irmãos mais velhos" é o fato que Eles abdicam disso e permanecem com a humanidade de modo a ajudar e a guiar de todos os modos que Eles podem. Outra diferença surge do fato que desde Eles purificaram ou Espiritualizaram Seus instrumentos físicos em tal nível que a Sua presença poderia até mesmo causar medo ou adoração cega nas pessoas, causando a impossibilidade de receber o apoio Deles que, de outro modo, seria recebido. Devido a isso é que Eles têm a prática de encarnar em "corpos da raça", um veículo compatível com os nossos modos de pensar e comunicar. É um isolamento inteiramente benéfico para aqueles que Eles objetivam ajudar.
Isto não significa que Eles não seguem a mesma lei que os outros. Não há nada sobrenatural nisto. O fato da encarnação dos Grandes Seres é um trabalho perfeito da lei, um perfeito progresso da evolução. É através da vida de acordo com a lei que Eles se alcançaram a posição que Os permite ser da maior ajuda para a humanidade.
Os Grandes Mestres reencarnam para ajudar --- para nos ensinar a lei.
A grande missão de Buda era "Fazer com que eles ouçam a Lei." Eles vêm nos ajudar a aumentar a nossa percepção que a maior de todas as ciências, a maior lei de todas é na verdade a compaixão, a ajuda a outras pessoas, a consideração consciente da totalidade da vida. Eles tentam nos demonstrar que, a ajuda a outras pessoas e o recebimento da ajuda não é apenas o modo Espiritual de vida, mas é o melhor modo prático de viver neste mundo de individualidade aparente. H.P. Blavatsky afirmou na sua obra Key to Theosophy, p. 203, "Na verdade, não existe tal coisa como ‘individualidade’; e a abordagem mais próxima deste estado egoísta, o qual a lei permite, é a intenção ou o motivo."
Embora Eles tenham adquirido o direito de escolher quando vir, Eles estão sempre dispostos o suficiente para vir nos melhor momento do ciclo, para "navegar conforme a maré." Eles vêm naqueles que conhecemos como períodos de transição, quando as pessoas de raças e nações começam a questionar suas próprias crenças e padrões, começam a buscar algo melhor, ou buscar ajuda. São nestes períodos, quando as mentes estão abertas, que os Mestres encarnam e renovam Seu esforço em guiar e encorajar aqueles que buscam a verdade e estão dispostos a aceitá-la. Mas novamente, isto está de acordo com a Lei. Está no coração da Lei.
Resposta à questão no 8
Ao longo das descobertas arqueológicas, torna-se cada vez mais duvidoso que a população da Terra na verdade cresça a longo prazo. As estatísticas não alcançam longe o suficiente na história para nos dar um quadro adequado da população em tempos remotos, nem em áreas remotas.
A Teosofia afirma, com evidências, a existência de vastas populações em partes do mundo que agora são desertos ou, por outras razões, desabitadas. Partes da Ásia Central, África, Austrália, Oriente Médio, América do Norte e do Sul oferecem evidências de populações abundantes e civilizações evoluídas, muito antes dos nossos registros históricos.
Mas aqui há um ponto colocado pela Teosofia que é mais significativo que isso. Existe um número padrão de Almas conectadas com esta Terra, mas apenas uma certa proporção delas está encarnada em um determinado momento. Em algumas eras o número de encarnações pode aumentar, em outras diminuir.
O Sr. Crosbie acrescenta esta interessante nota, "Tem sido afirmado que enquanto o número de egos reencarnados conectados com a Terra é bastante grande, na verdade este número é limitado, e assim não havendo aumento do número de egos desde o ponto médio dos sete círculos. Ademais, como aqueles egos tem um papel importante na formação da terra, não deve haver dúvida que ela irá acomodar em períodos adequados todos os egos conectados a ela." Answers to Questions, p. 126.
Resposta à questão no 9
Conforme nós iniciamos o estudo de nossas vidas e do mundo ao nosso redor a partir do vantajoso ponto de vista da Reencarnação, podemos ver que pela lógica, consistência, profundidade filosófica, compaixão divina e equidade, esta doutrina não tem igual na história do pensamento humano.
Procurando responder porque tanta ênfase é colocada nas doutrinas da Reencarnação e do Carma, o Sr. Judge afirma:
Não é a toa que estas doutrinas
são facilmente compreendidas e trazem benefícios para os indivíduos, não apenas
porque elas dão guarnecimento, e elas necessariamente dão, e uma sólida base
ética para toda a conduta humana, mas também porque elas são as linhas mestras
da alta evolução do homem. Sem o Carma e a Reencarnação a evolução é apenas um
fragmento, um processo cujo início é desconhecido, e cujo resultado não pode ser
discernido. É um relance do que poderia ter sido, uma esperança do que poderia
ser. Mas à luz do Carma e da Reencarnação a evolução se torna a lógica do que deve
ser. As ligações na cadeia da existência são todas preenchidas, e os círculos
da razão e da vida são completados. O Carma nos dá a eterna lei da ação e a
Reencarnação oferece o campo infinito para a sua aplicação. Milhares de pessoas
podem entender estes dois princípios, aplicá-los como base de conduta, e
tecê-los para formar o tecido das suas vidas, as quais podem não ser capazes de
compreender a síntese completa da evolução sem fim, a qual estas doutrinas
formam uma parte tão importante. (Artigo, "Synthesis of Occult Science")
E na mesma direção H.P. Blavatsky afirmou:
Se a Teosofia prevalecer nesta
batalha, e a sua filosofia que a tudo abraça, profundamente enraizada nas
mentes e corações dos homens, se as suas doutrinas da Reencarnação e do Carma,
em outras palavras, Esperança e Responsabilidade, encontrarem um lar nas vidas
das novas gerações, então, de fato, irá nascer o dia de alegria e felicidade
para todos aqueles que hoje sofrem e são proscritos. Na verdade a Teosofia é o
ALTRUÍSMO, e nunca será demais dizer isso. Ela é o amor fraterno, a ajuda
mútua, a devoção imutável à verdade. Se algum dia os homens perceberem que
apenas nestes princípios a felicidade verdadeira pode ser encontrada, e nunca
na riqueza material, nas posses ou em qualquer gratificação egoísta, então as
nuvens escuras irão embora, e uma nova humanidade irá nascer sobre a terra.
Então, a IDADE DE OURO virá, com certeza (Artigo, "Our Cycle and the
Next")
Curso de Filosofia Esotérica
Módulo 2
A DOUTRINA DO CARMA
Conforme mencionado no tópico anterior, a doutrina gêmea da Reencarnação é o
Carma, e como a Reencarnação, esta é uma LEI, universal, inquebrável,
e eterna. Nas palavras de Robert Crosbie:
Nós temos que assumir que este é
um universo de leis ou um universo de caos, acaso, acidente. Na verdade, nós
sabemos perfeitamente que este não é um universo de acaso, porque tudo que
vivemos e sabemos está sujeito a alguma lei, e quando alguma coisa nos ocorre,
e a causa disso não podemos ver, apesar disso nós assumimos haver uma causa e
buscamos encontrá-la. Nós não podemos nem mesmo imaginar um efeito sem uma
causa. (Friendly
Philosopher, p.225)
O modo o qual esta lei nos afeta é através da lei da ação e
reação, e uma das afirmações mais familiares disso vem de São Paulo, quando ele
disse, "Tudo aquilo que um homem semear, ele deverá colher." Em Lucas
nós encontramos outra afirmação, "É pela mesma medida que medes que tu
serás medido." Na verdade, afirmações da lei do Carma são encontradas em
ensinamentos de todos os grandes mestres ao longo da história. Buda afirmou na
abertura do Dhammapada, "Tudo o que você é resulta dos seus
pensamentos."
A Teosofia tem muito a dizer sobre esta lei mais importante, oferecendo insights
para significados mais profundos e indicando efeitos da sua aplicação em
numerosas situações. Muitas das chaves para compreender esta idéia básica se
encontram no "The Aphorisms on Carma." Estes aforismos foram
primeiramente publicados por W. Q. Judge em 1893, e iremos citá-los a partir
dele ao longo deste tópico. O Af. 1 afirma, "Não há Carma a menos que
exista um ser para realizá-lo ou sentir seus efeitos." O Af. 2 expõe,
"O Carma é um ajustamento dos efeitos fluindo das causas, durante o qual o
ser, sobre este e através deste ajustamento, experimenta a dor ou o
prazer." O Af. 3 coloca, "O Carma é uma tendência sem desvios e sem
erros do Universo para restaurar o equilíbrio, e ele opera
incessantemente." Em outra parte dos ensinamentos ele é descrito como uma
tendência para restaurar o equilíbrio no mundo físico e a harmonia quebrada no
mundo moral. É a lei beneficente da ética causal que nos permite ver
nossos pensamentos e ações como parecem aos outros, nos permite sentir o efeito
completo da sua repercussão." Nós devemos entender que as ações não se produzem por si mesmas, que o Carma não origina nada. Nós, "escolhedores", montamos as causas e o Carma nos traz os efeitos dessas escolhas. Somos nós quem devemos sentir seus efeitos.
Como afirma o Sr. Judge:
O efeito é apenas a natureza do
ato e não pode existir distinto da sua causa. O Carma apenas produz a
manifestação do que já existe; sendo uma ação, ele tem sua operação no tempo, e
o Carma pode deste modo ser dito como sendo a mesma ação sob outro ponto no
tempo. Além disso, deve estar evidente que existe não apenas uma relação entre
causa e efeito, mas deve haver também uma relação entre a causa e o indivíduo
que experimenta os seus efeitos. (Artigo, "Carma")
As idéias que mantemos sobre a nossa própria natureza, sobre
Deus, sobre as leis e sobre a Natureza determinam nossas ações e as causas que
colocamos em movimento. Elas estão posicionadas profundamente dentro de nós, e
conforme elas vêm à superfície, influenciam cada ato e cada escolha que
fazemos. Para compreender o Carma nós devemos entender que esta Lei não é algo
que se encontra fora de nós, mas é inerente à nossa mais alta natureza.
De um ponto de vista ela é a voz sempre presente dentro de nós que clama por
justiça. Isto é o Carma.
POR QUE, ENTÃO, VEMOS INJUSTIÇA EM TODOS OS LUGARES? Sob a lei do Carma não pode haver injustiça. O que vemos como injustiça assim nos parece porque somos incapazes de ver o quadro todo, as causas que produziram os efeitos que vemos, ou os efeitos que ainda estão por vir das causas que agora observamos. No seu livro The Epitome of Theosophy, o Sr. Judge afirma na página 30:
A existência do mal, do
sofrimento e da tristeza é um quebra cabeça sem esperança para os filantropos e
teologistas superficiais.
As desigualdades nas condições sociais e nos
privilégios, em inteligência e estupidez, cultura e ignorância, virtude e
maldade; o surgimento dos gênios em famílias destituídas deles, assim como
outros fatos em conflito com a lei da hereditariedade; ... todos esses
problemas solúveis apenas ou pela teoria do capricho Divino ou pelas doutrinas
do Carma e da Reencarnação.
Quando vemos, e com freqüência isso ocorre, um bom homem
sofrendo uma grande provação na vida, isso se deve a uma vida prévia na qual
este homem fez coisas que agora requerem ajustamentos. Citando o Sr. Judge de
novo, "E similarmente, o homem mal que é livre de sofrimentos, feliz e
próspero, assim o é porque em uma existência prévia ele foi maltratado pelos
seus companheiros ou teve experiências de grande sofrimento."
Mas cometeríamos um grande erro se olhássemos o Carma apenas como recompensa
ou punição. O trabalho da lei é da mais perfeita justiça, uma vez que nos traz, cedo ou tarde, exatamente o que merecemos, exatamente o que enviamos durante nossa vida. Mas vai além disso, no sentido em que nos traz aquelas experiências, situações e encontros que são os melhores para nosso aprendizado e nosso avanço Espiritual contínuo em direção à evolução. Se pudermos ver o Carma sob essa luz, ele será uma lei muito benéfica, nosso melhor amigo.
Tem sido mencionado que os Mestres da Sabedoria são o Carma, uma vez que Eles atingiram a condição na qual manifestam esta harmonia e justiça interior em tudo o que fazem. E ainda, Eles não apenas permanecem sentados e deixam a lei fazer o seu trabalho de retribuição e recompensa. Suas vidas inteiras são dedicadas a ajudar a humanidade, ainda que não interferindo com a lei (Há uma verdade divina aqui que será mais debatida adiante.) No Bhagavad-Gita, Krishna, o Grande Mestre, afirma, "Eu produzo a mim mesmo entre as criaturas, Ó filho de Bharata, quando quer que haja um declínio da virtude e uma insurreição do vício e da injustiça no mundo; E assim eu encarno, de era em era, para a preservação dos justos, a destruição do mal, e o estabelecimento do equilíbrio."
CARMA É O MESMO QUE DESTINO?
Isto, sem dúvida, traz a questão do homem realmente ter ou não vontade própria. Mas para encontrar uma resposta a esta questão ancestral, nós temos em primeiro lugar que descartar a idéia de que ela deve ser "sim" ou "não", isto é, que deve ser apenas uma ou outra opção. A Teosofia diz que na verdade a resposta deve ser sim e não. Sob a lei do Carma, nós estamos sujeitos tanto ao destino quanto à vontade própria. Cada ato que fizemos no passado nos "destinou" a receber seus efeitos em algum momento. Isto é de fato destino; mas é um destino que nós mesmos fizemos e foi nossa livre escolha. Nós estamos constantemente realizando escolhas, uma vez que o homem é basicamente um "escolhedor". E assim nós estamos constantemente "destinando" nós mesmos a sentir os efeitos dessas escolhas.
No outro lado do quadro, nós temos sempre a escolha de como iremos encontrar nosso Carma. Nós podemos reenviá-lo e culpar outra pessoa ou outra coisa por isso, podemos tentar evitá-lo na tentativa que ele passe, ou podemos aceitá-lo como algo que nós criamos e assim aprendermos a mais valiosa lição. Em todo momento nós estamos em posição de escolher, mesmo que seja uma pequena escolha, de como recebê-lo e o que fazer depois.
Estejamos ou não conscientes do Carma, nós temos uma interdependência com todos os outros seres, ou "vidas" que nos oferecem os instrumentos; corpos, cérebros, etc. Nós dependemos deles para todos os nossos contatos com a vida neste plano; consequentemente, eles dependem de nós para a sua evolução adiante. O modo como nós os tratamos cria nossas próprias limitações ou constrói valiosos aliados para o avanço mútuo. Nós criamos aquelas condições as quais estamos destinados a encarnar --- os lugares, as associações, assim como as várias capacidades. Um hábito nos pré-destina até que tomemos o controle e re-destinemos o hábito.
Mesmo quando parecemos estar desesperadamente ligados a algum destino, nós ainda podemos exercer nosso poder de escolha e iniciar um curso que irá nos tirar desta situação insolúvel.
Sobre isto, o Sr. Crosbie afirma: (Friendly Philosopher, p.227)
Se não gostamos do "destino"
que recai sobre nós, os efeitos que nos rodeiam, as condições que nos atingem,
tudo o que devemos fazer é colocar em movimento as causas que produzirão os
efeitos mais desejáveis. Mas nós devemos fazê-lo; ninguém mais pode
fazer isso por nós. Ninguém nos prende. Ninguém nos propele à frente... Cada um
de nós possui dentro de si as mesmas possibilidades que existem em qualquer
lugar, a qualquer momento no universo. Nós devemos ver que mesmo agora, por
mais atrapalhados que possamos estar pelas nossas ações do passado, nós não
perdemos e nunca iremos perder nossos poderes em ajustar outras causas melhores
em movimento.
AS RAÇAS E NAÇÕES TÊM O SEU PRÓPRIO CARMA?
O Carma de qualquer raça ou nação é o resultado direto dos pensamentos e
atos dos Egos que as formam. Observadas a partir do ponto de vista da
interdependência humana, nós devemos ver que a soma do Carma individual se
torna o Carma da nação a qual aqueles indivíduos pertencem, e, ademais, a soma
do Carma das nações se torna o Carma do mundo. As características que
sobrevivem formam a "personalidade" de uma raça ou nação, e podem ser
rastreadas às idéias e ideologias que formam a base do pensamento e da ação ---
idéias freqüentemente não questionadas e "patrioticamente" defendidas.
O aforismo 29 afirma, "O Carma da raça influencia cada unidade dentro da raça através da lei da Distribuição. O Carma nacional opera sobre os membros de uma nação pela mesma lei, mais concentrada."
O Sr. Judge explica além em seu artigo, "Carma."
É realmente a lei da economia a
qual é a verdade fundamental destes termos e a qual os explica. Tome como
exemplo uma nação com certas características especiais. Estas são o plano de
expansão para qualquer entidade cujo grande número de afinidades estão em
harmonia com aquelas características. A entidade que chega, seguindo a lei da
menor resistência, se torna encarnada naquela nação, e todos os efeitos
Cármicos seguindo tais características irão crescer no indivíduo.
No Ocean of Theosophy, o Sr. Judge afirma que a massa
total de Egos irá encarnar e reencarnar junta em uma nação ou raça em
particular até que tenham sido trabalhadas as causas que tenham sido colocadas
em movimento. A raça ou nação em particular pode, por si só, encarnar sob
diferentes nomes e em diferentes localidades, mas a lei dita que os Egos devem
trabalhar em conjunto para esclarecer as suas obrigações mútuas, ou melhor, as
incompreensões mútuas.
H.P. Blavatsky nos oferece outro insight sobre o tema (Theos. Magazine, Vol 62, p.244)
É uma lei do ocultismo, além disso,
que nenhum homem possa ser superior às suas falhas individuais, sem elevar, por
menor que seja o grau, o corpo completo do qual ele é parte integral. Do mesmo
modo, ninguém pode pecar ou sofrer os efeitos de ter pecado sozinho. Na
realidade, não existe tal coisa chamada "individualidade"; a mais
próxima abordagem deste estado egoísta, a qual a lei da vida permite, é a
intenção ou o movimento.
QUANDO NOSSO CARMA PASSADO SE FAZ PRESENTE?
O Sr. Judge introduz o ponto que, "...Carma é a continuação de um ato,
e para qualquer linha particular do Carma possa ser exercida, é necessário que
haja a base do ato originando aquele Carma, no qual ele possa transmitir-se e
operar." Os aforismos 14 e 15 afirmam, "Na vida dos mundos, raças,
nações e indivíduos, o Carma não pode agir a menos que um instrumento
apropriado seja fornecido para a sua ação. E até que esse instrumento
apropriado seja encontrado, aquele Carma relacionado a ele permanece não
despendido." O aforismo 16 afirma, "Enquanto um homem está vivendo o Carma no instrumento oferecido, um outro Carma não despendido permanece não exaurido por outros meios ou seres, mas é guardado para operação futura; e o lapso de tempo no qual a operação daquele Carma não é sentida não causa deteriorações na sua força e natureza." O Carma pode ter sido criado, no sentido que a sua causa ter ido embora e seu efeito sentido por outros, mas em um momento em particular nós podemos não estar em posição de lidar adequadamente com ele. Uma razão para isso é que um outro Carma pode estar operando tão fortemente que o aquele Carma segurará a sua ação no aguardo para ser ativado em um outro momento. A Lei não é apenas justa, mas é benéfica no sentido que ela oferece a reação Cármica quando o Ego está na melhor posição possível para aprender sobre o retorno das suas ações.
Os aforismos 17 e 18 afirmam, "A adequação de um instrumento para a operação do Carma consiste na conexão e relação exata com o corpo, mente, natureza física e intelectual adquiridos para o uso pelo Ego em qualquer vida. Cada instrumento utilizado por cada Ego em qualquer vida é apropriado para o Carma operando sobre ele."
O aforismo 22 afirma, "O Carma pode ser de três tipos: (a) Presentemente operante nesta vida através dos instrumentos apropriados; (b) aquele que está se constituindo ou armazenado para ser exaurido no futuro; (c) Carma armado em vidas passadas e não operante porque está inibido pela inadequação do instrumento em uso pelo Ego, ou por força do Carma atualmente em operação."
No aforismo 19 nós podemos ver, "Mudanças podem ocorrer no instrumento durante uma vida, de modo a torná-lo apropriado a uma nova classe da Carma, e isto pode ocorrer de duas maneiras: (a) através da intensidade de pensamento e pelo poder do voto, e (b) por alterações naturais devidas a exaustão completa das causas antigas." Isto pode explicar casos nos quais indivíduos têm reversões repentinas da sorte ou mudanças para melhor em circunstâncias internas ou externas. Apesar do antigo Carma precisar ser trabalhado e não ser passível de interrupção até que siga seu curso normal, é inteligente de nossa parte pensar e agir nas condições presentes, não importa quais sejam, de modo a produzir causas boas ou não prejudiciais para nosso próximo renascimento ou até mesmo para os anos que virão nesta vida.
QUAL PARTE DE NÓS É AFETADA PELO CARMA?
Nós provavelmente iremos concordar que faz sentido que o Carma, bom ou não tão bom, deveria nos afetar naquela parte de nossa natureza a qual gastamos a maior parte do nosso tempo. O Carma não pode nos afetar onde nós não estamos. Ele permanece suspenso até que estejamos em posição compatível com a natureza da causa. O Carma não muda --- nós somos variáveis.
O Sr. Judge explica:
A ação tem muitos planos os quais
ela pode ser inerente. Há o plano físico, o corpo com os sentidos e os órgãos;
ainda há o plano intelectual, a memória, a qual ata as impressões dos sentidos
em um todo consecutivo e o raciocínio faz o arranjo ordenado dos fatos
armazenados. Além do plano intelectual, há o plano das emoções, o plano da
preferência por um objeto em detrimento a outro: o quarto princípio do homem.
Estes três, físico, intelectual e emocional, lidam exclusivamente com o objeto
do sentido da percepção e podem ser chamados os grandes campos de batalha do
Carma. Há também o plano da ética, o plano da discriminação do ‘eu devo fazer
isso, eu não devo fazer aquilo’. Este plano harmoniza o intelecto e as emoções.
Todos esses são planos do Carma ou da ação: o que fazer, e o que não fazer. É a
mente como base dos desejos que inicia as ações nos vários planos, e é apenas
através da mente que os efeitos do descanso e da ação podem ser recebidos.
(Artigo, "Karma")
Dependendo da nossa compreensão da natureza completa do
homem e do objetivo da vida, nós gastamos a maior porção da nossa energia de
uma vida em um ou mais dos planos citados acima --- físico, mental, emocional
ou ético --- e assim armamos o centro de atração que irá trazer o Carma à sua
realização neste nível. O Carma deve retornar a nós onde a nossa atenção e a nossa
devoção estão. Se não fosse assim, ele seria de pouco valor para a nossa
evolução. Em todos os momentos da nossa vida, o Carma irá trazer os resultados
desejáveis, e outros nem tanto, das nossas ações passadas, onde nós estivermos
mentalmente em um dado momento.
NÓS PODEMOS FAZER ALGO PARA MUDAR NOSSO CARMA? Nós não podemos mudar nosso Carma. É uma lei absoluta. Mas realizando mudanças em nós mesmos, nós podemos alterar os seus efeitos. O homem sempre tem escolha, e se ele não puder fazer alguma coisa a respeito da sua situação, este seria um mundo sem esperança. Nós sabemos pela nossa experiência que quando os tempos difíceis vêm, nós sempre temos uma escolha em como recebê-los, como reagir a eles. Nós podemos chorar e reclamar ou podemos tirar vantagem da situação e aprender a lição envolvida. No caso de decidirmos sofrer, nós perderemos uma oportunidade de ouro para desenvolver nossa força, e provavelmente enviamos de volta nosso Carma, para que ele venha nos visitar em outro momento. Por outro lado, se conseguirmos nos afastar dos eventos até a extensão em que nós podemos aprender com o que está acontecendo, estaremos vendo este Carma como a conseqüência lógica e de direito da ação que nós mesmos colocamos em movimento.
Estar preso a um plano ou a outro é a raiz do nosso sofrimento. Nós nos permitimos estar presos às coisas da vida que são transitórias e fugazes, e sofremos quando a lei as toma de nós. E voltamos ao aspecto da mente. Nós não podemos nos prender às coisas que não pensamos. Assim, para amenizar a dor daquilo que denominamos um Carma ruim, nós deveríamos ajustar nossos pensamentos naquilo que está por detrás dos efeitos, as causas, os princípios e as lições envolvidas e o trabalho da Lei por si mesma.
Outra resposta a essa questão é oferecido pelo aforismo 27, no qual há a afirmação, "As medidas tomadas por um Ego para reprimir as tendências, eliminar efeitos e neutralizar através do estabelecimento de causas diferentes irão alterar a influência da tendência Cármica e diminuir seu efeito de acordo com a força ou a fraqueza do esforço despendido na condução das medidas adotadas."
Robert Crosbie, em Answers to Questions, p. 157 afirma:
O único modo que podemos diminuir
os efeitos de uma Carma negativo é tomar a atitude correta frente a ele. Quando
os bons tempos vêm, nós podemos semear boas causas; quando os tempos difíceis
vêm, nós ainda podemos semear boas causas, utilizando a oportunidade para
ganhar força, coragem e compreensão sobre a vida. Nós aparentemente estamos
sempre tentando evitar um mau Carma, e trazer o bom Carma para nós, sendo que o
que deveríamos fazer é tirar proveito de tudo o que vier. Nós não devemos
colocar esforço em evitar nada, mas ir direto ao trabalho sobre o que está à
nossa frente. Então a alma começa a agir, a vontade começa a agir, e o poder da
vontade aumenta.
Esta não é apenas a única maneira inteligente de agir, mas o
modo mais prático de lidar com o que pensamos ser um Carma ruim.
O QUE CONSTITUI UM CARMA BOM OU RUIM? A partir do que aprendemos da seção anterior podemos ver que na realidade não existe tal coisa como um Carma ruim ou bom. Tudo o que volta para nós deve ser aquela situação, aquela lição que, para nós, é a situação mais vantajosa em um dado momento. Devido a ele ser uma ação da nossa própria escolha e invenção retornando a nós e nos encarando, ele sempre nos apresenta um problema que gostaríamos de empurrar adiante; mas também ele sempre apresenta uma grande oportunidade e o desafio que melhor se encaixa para nos revelar a vontade e a sabedoria que será necessária para superar este obstáculo "pessoal", que permanece no caminho do nosso progresso. Se não fosse por estas "barreiras" nós nunca teríamos motivo para buscar a força interior que está na raiz do nosso ser.
O Sr. Crosbie afirma no Friend Philosopher, p.232:
Não é verdade que agora olhamos
para trás e sorrimos para todas as coisas "ruins" que já ocorreram em
nossa vida? Elas pareciam horríveis naquele momento, mas passaram, e nós
podemos perceber que daquelas coisas, alguma coisa boa veio junto, em força e
sabedoria. A lei diz que ninguém pode encontrar um obstáculo maior que a sua
capacidade de superá-lo; o obstáculo é apenas uma oportunidade para essa pessoa
se livrar de algum defeito que agora possui. Freqüentemente as coisas que pior
parecem a nós provam ser as mais benéficas.
Nós criamos as situações que nos retornam como os chamados
Carmas desagradáveis porque nós nos esquecemos das leis da vida, e das leis da
nossa Natureza Interior. Quando nós tomarmos a posição da Alma, o Ego
Reencarnado, seremos capazes de tomar uma atitude diferente e mais construtiva
em direção a cada evento que nos ocorre; vendo-o não como um obstáculo, mas
como um passo, uma escalada daquilo que nos colocará em uma posição mais
elevada, com uma visão mais clara e um sentimento de realização interior.
SE NÓS AJUDAMOS ALGUÉM, ESTAMOS INTERFERINDO COM O SEU CARMA? O aforismo 12 afirma, "As causas Cármicas que já em movimento devem ter livre fluxo até que sejam exauridas, mas isto não permite que nenhum homem se recuse a ajudar seus companheiros e qualquer ser." Isto nos convida a ter um ponto de vista diferente na questão. Nós devemos ver que ajudar e ser ajudado não é uma interferência, mas, ao contrário, significa na verdade a realização da lei. Este é o modo como o homem é esperado a agir, o modo como a evolução Espiritual ocorre. Além disso há a questão de termos ou não o poder de interferir com o Carma. É uma lei universal e imutável.
Na vida nós não estamos nunca inativos, nem estamos verdadeiramente sozinhos. Nós estamos constantemente agindo em algum plano, mesmo que seja apenas no pensamento; e nossas ações são com, através ou sobre os outros seres, de alguma forma. Isto nos coloca com uma sempre presente escolha --- nós ajudamos ou nós atrapalhamos? Nós não podemos agir, não podemos fazer nada na vida sem afetar os outros seres de algum modo pelas nossas ações. A crescente consciência da interdependência de todas as vidas está finalmente trazendo a humanidade a uma consciência da nossa responsabilidade em tratar nosso companheiros como irmãos no mesmo caminho. A "roda da Vida" pode permanecer girando de duas maneiras, para frente pelas ações que ajudam, ou para trás pelas ações que atrapalham. A Lei nos dá a escolha.
O problema é como nós podemos verdadeiramente ajudar outra pessoa? Freqüentemente nós queremos ajudar e tentamos ajudar, mas descobrimos que fizemos mais mal que bem. Aparentemente, precisamos de grande sabedoria para saber como ajudar outra pessoa, e por causa disso somos tentados a desistir do esforço. Mas uma vez que compreendamos um pouco sobre a verdadeira natureza do homem, nós podemos construir algumas regras para orientar nossas ações. Talvez elas pareçam com algo assim: nosso objetivo deve sempre ser ajudar alguém a se ajudar. Nós sempre devemos ajudar aquelas pessoas que não podem se ajudar. E nós nunca devemos fazer o trabalho de alguém, e assim privá-los da experiência que necessitam.
Se nós procurarmos avaliar a ajuda que é oferecida pelos Grandes Mestres, os Mestres da Sabedoria, nós encontraremos que em todos os casos Eles seguem essas diretrizes. Eles nos trazem as Leis fundamentais da vida e nos lembram do fato da nossa eterna e onipotente natureza, assim nos oferecendo os meios e a coragem para ajudar uns aos outros. E além disso Eles nos oferecem sempre a mão estendida, para nos ajudar quando quer que dermos o menor passo em Sua direção, em direção à Fraternidade Universal.
SUGESTÃO DE LEITURAS
Uma das melhores fontes para mais informações sobre o tema Carma é o panfleto "Karma", o qual contém não apenas a lista completa de aforismos sobre Carma, mas 10 artigos adicionais do Sr. Judge sobre diferentes aspectos do tema.
O Ocean of Theosophy irá oferecer os ensinamentos básicos sobre o assunto, e Answers to Questions on the Ocean of Theosophy irá lançar a luz sobre muitas das questões que você possa ter. Como afirmado anteriormente, estes livros são periodicamente usados como base para estudos de nas Noites de Estudo de Quarta-Feira.
Para obter insights interessantes e mais além sobre o trabalho da lei do Carma, você pode se interessar em ler o que H.P. Blavatsky diz a esse respeito em vários pontos do Key to Theosophy. É sempre gratificante ir diretamente aos Ensinamentos originais.
QUESTÕES SOBRE O TÓPICO N.2
1. A teoria da hereditariedade invalida as explicações oferecidas pelas leis do Carma e da Reencarnação? Dê as suas razões.
2. É o nosso Carma que nos faz agir e pensar do modo como fazemos? Por favor explique.
3. Acidentes e milagres são possíveis sob a lei do Carma, ou eles funcionam à margem da lei? Dê algumas razões.
4. Qual é a nossa relação com a Natureza? Nós controlamos a Natureza, ou Ela tem algum controle sobre nós? Explique.
5. Pode haver qualquer injustiça no Carma, desde que nós não lembramos ter realizado as ações que agora estão retornando à nós? Por que, ou por que não?
6. De acordo com lei do Carma você pensa que nós seremos punidos ou recompensados em algum Céu ou Inferno após a morte? Como você chegou à sua conclusão? Qual é a fonte das suas idéias?
7. O Carma tem alguma coisa a ver com a moral? Ele pode ser considerado uma lei moral, ou é puramente mecânico em sua ação? Por favor explique sua resposta.
8. Por que a lei do Carma é considerada uma doutrina gêmea à da Reencarnação? Dê razões.
9. Existem seres acima ou abaixo da lei do Carma? Por favor explique.
______________________________
Tradução: Marcelo Pagliarussi (marcelo@nit.ufscar.br)
Curso de Filosofia Esotérica
Módulo 4
Manas
– a Mente
Esta página contém
Resposta às questões do módulo 3 – Mestres
Material sobre Manas – a Mente
Questões sobre Manas – a Mente
Resposta às questões do módulo 3 – Mestres
Material sobre Manas – a Mente
Questões sobre Manas – a Mente
RESPOSTA
ÀS QUESTÕES DO MÓDULO No. 3 – Mestres
Resposta à questão No. 1
Eles são chamados Mestres porque conquistaram o “domínio”
sobre todos os princípios e poderes da Sua natureza. Em contraste com a maioria
da humanidade, Eles “dominaram” as potências de todos aqueles veículos que
formam a Sua natureza sétupla. O indivíduo médio ainda está no estágio de
evolução no qual é sujeito às necessidades dos sentidos (gostos, sons, visões,
etc.), impostas pelasua natureza desejosa (desejo, raiva, inveja, ciúmes,
paixão), e pela ordem das idéias não testadas e não experimentadas que guiam e
alimentam seu pensar e agir. Em contraste, o Mestre, através das muitas vidas
de esforço e devoção, reina sobre essas forças incontroláveis mas de grande
valor, e readquiriu o seu direito de guarda sobre elas, tornando-as ferramentas
úteis e poderosas para o seu trabalho.
O que significa isso? Significa que Ele tem um instrumento
perfeitamente coordenado que abrange todos os planos. Significa que Ele pode se
mover de um plano a outro sem perder a consciência, pode usar qualquer dos
vários veículos para a percepção e ação no seu plano particular, e pode reter o
conhecimento adquirido para uso nesse ou em qualquer plano superior. Poderia-se
dizer que cada “veículo” é uma janela abrindo-se sobre o plano o qual faz
parte. Utilizando essas janelas, o Mestre não está limitado à superfície e ao
conhecimento fragmentado como nós estamos, mas Ele pode ver as causas, relações
e o quadro todo. Ele é capaz de perceber a verdade por trás das cenas, pode
olhar diretamente sobre as idéias e trazer o conhecimento através delas para o
benefício da humanidade, todos os poderes que nós estamos esperando para desenvolver.
O homem é literalmente rodeado por poderes vastos e
valiosos, poderes tão fortes que fugiram dele, mas não tão fortes a ponto de
impedir o homem de superar a sua natureza revoltosa e trazê-los sobre o seu
controle. O Sr. Crosbie disse, “‘Consciência-total’ significa o estágio de
perfeição e coordenação de todas as ‘camadas da alma’ compostas com a
substância mais etérea, substância terrestre, e todos os graus entre elas, o
que permite ao Ego Divino, ou Percebedor, conhecer tudo que há para ser
conhecido a respeito de qualquer estado de consciência ou plano de matéria,
sempre que houver um conhecimento necessário ou desejável.” (Answers to Questions, p. 16.)
Resposta à questão No. 2
De tudo que aprendemos até agora, provavelmente concordaremos
com a Teosofia que os Mestres não são criações especiais, mas Eles se tornaram
especiais através de muitas vidas de esforço. Assim, Eles não herdaram Seu
poder e Sua sabedoria de ninguém, mas os herdaram do seu próprio Eu Superior e
a partir do Seu próprio esforço. Um verdadeiro Adepto deve se construir, não
pode ser produzido.
Em "Mahatmas as Ideals and Facts" o Sr. Judge
explica:
A alma surge do desconhecido;
começa a trabalhar com e na matéria; é trazida ao nascimento repetidamente;
produz carma; desenvolve os seis veículos para si mesma; recebe a retaliação
pelos pecados e punição pelos erros; cresce e se fortalece através do
sofrimento; consegue ser bem sucedida em brotar na obscuridade; é instruída
pela verdadeira iluminação; capta poderes; retém caridade; cresce com o amor
pela humanidade órfã; e mais tarde ajuda todos os outros que permanecem na
escuridão até que todos possam ser elevados ao lugar com o “Pai no Céu”, que é
o Ser Superior.
Mas pode ser interessante oferecer algumas reflexões sobre o
impacto que esta idéia de “criação especial” teve no Pensamento Ocidental. Se
acredita-se, ou proclama-se, que um Mestre ou Salvador é aquilo que é porque
Ele foi especialmente criado perfeito por um Deus onipotente, isso nos deixa
duas conclusões implicadas por essa idéia: um, que tal ser não merece nenhum
crédito por ser o que é, e dois, que é inútil para outras pessoas tentar
alcançar esta posição eminente pelos seus próprios esforços. A idéia colocada
adiante de que Jesus era uma tal criação especial, “o único filho gerado por
Deus”, pode muito bem ser uma das causas da nossa percepção atual do nosso
destino, nossos poderes e horizontes espirituais. É importante lembrar,
contudo, que as palavras do próprio Jesus são citadas dizendo “Grandes
realizações como essas vós sereis capazes de fazer também” (João, 14,12) e,
“Sejais vós então perfeitos como o seu Pai que está no céu é perfeito.”
(Mateus, 5,48)
É de grande importância para a nossa postura psicológica na
vida saber que, no centro de nosso ser,somos o poder de saber,
que é a Divindade em si mesma, que o conhecimento e a sabedoria ilimitados
podem ser trazidos à superfície através do pensamento e intenção corretos, da
lealdade e confiança em nossa natureza Superior, e de uma boa medida de
audácia. Nós carregamos o fardo de ser “pobres pecadores miseráveis” por tempo
o suficiente, e agora é tempo de retomarmos nossa herança e responsabilidade de
direito, e começar a agir como os Seres Divinos que somos.
Resposta à questão No. 3
Seria um erro pensar em um Mestre como um substituto para o
Deus das religiões Ocidentais. Desde que o verdadeiro Mestre da Sabedoria é uno
com a Lei do Carma, Ele age como um “agente” da Lei, e com essa capacidade pode
recompensar os estudantes pelo esforço e devoção, mas estando sob a Lei, Ele
não poderia nunca se estabelecer como um juiz, júri e executor sobre outrem.
Nem iria um Mestre permitir-se ser capaz de perdoar os pecados de alguém. Isto
iria contra todos os ensinamentos que ele apoiou.
Nos primórdios do Movimento Teosófico Moderno, quando H. P.
Blavatsky primeiramente introduziu ao Ocidente a idéia da existência dos seres
Perfeitos, houveram aqueles que pediram a ela para solicitar aos Mestres
favores especiais para eles mesmos, assumindo que estes Grandes Seres tinham o
poder e a inclinação a ir contra a Lei e a conceder favores especiais.
Ao custo de algumas amizades, isso foi, claro, negado. E pelos anos
subseqüentes, a verdadeira natureza e posição dos Mestres têm sido sujeita a
intermináveis interpretações errôneas, uma circunstância que tem levado muitos
estudantes a interpretações erradas da própria Filosofia. Tem sido sugerido que
uma das melhores orientações a este respeito é pensar Neles como nossos Irmãos
Mais Velhos, homens como nós, que, pelo seu próprio esforço ao longo de muitas
encarnações, Se elevaram à altura da sabedoria e da compaixão muito além da
nossa compreensão, mas não além das nossas possibilidades.
Mas Eles esperam obediência cega dos Seus pupilos?
Certamente se alguém esperasse se tornarpupilo de um dos Mestres, isto seria
resultado de uma fé profunda nesse Professor, mas certamente não uma fé cega.
A verdadeira fé deve ser o produto do conhecimento, do conhecimento baseado na
experiência, no esforço pessoal e nas determinações da nossa própria
consciência e percepção. Esta fé e confiança constituiriam uma ligação, do
mesmo tipo de ligação que une um aprendiz com o mestre artesão. Sem essa
ligação interior não pode haver progresso Espiritual, nem a abertura do canal
que leva ao Eu Superior.
Como qualquer outro grande professor, o Mestre sabe que não
pode forçar o conhecimento sobre ninguém. Ele deve ser obtido através do
esforço auto-induzido e autodesenvolvido, checado pelo Carma; mas isto não
impede os Mestres de oferecer toda ajuda possível quando o discípulo percorreu
as etapas necessárias. É dito que o Seu trabalho é inspirar através das Suas
vidas e de seus Ensinamentos, e sugerir, quando cada esforço tiver sido feito,
e ajustar, quando o Carma permitir.
Resposta à questão No. 4
As vidas dos Grandes Mestres que apareceram ao longo da
história parecem demonstrar que a Sua proclamação como “grandes” iria contra a
Sua natureza e contra tudo que eles apoiaram. O Sr. Judge sugere que existe uma
regra entre as irmandades superiores contra todas as divulgações. Ele afirma em
conexão com os Adeptos e discípulos, “Outra regra que o discípulo deve seguir é
que nenhuma ostentação poderá ser indulgida em qualquer ocasião, e isto nos dá
a regra de que se há um homem que anuncia seus poderes como um Adepto ou
ostenta seu progresso nos planos espirituais, nós podemos sempre ter a certeza
que ele não é nem um Adepto nem um discípulo...Mas, escondendo-se sob um
aspecto exterior que não atrai a atenção existem muitos discípulos verdadeiros
no mundo.” (Echoes from the
Orient, p. 40.)
Um verdadeiro Mestre é reconhecido não pelas Suas
declarações, mas pelo Seu trabalho, Seu ensinamento e Sua vida, e pela
consistência entre o que Ele ensina e o que vive. É dito que para reconhecer um
Mestre alguém deve estar muito próximo de sê-lo, ou deve possuir a visão do
tempo e da história para ser capaz de apreciar essa grandeza. Nós reconhecemos
Buda, Jesus, Confúcio e outros cujos trabalhos se provaram ao longo dos anos,
mas é freqüentemente difícil para nós apreciar a grandeza quando ela está
dentro do nosso alcance.
Um outro ponto que a Teosofia coloca é que os Grandes
Mestres nunca afirmaram que os Ensinamentos são Sua própria criação, mas sempre
apontaram a fonte do Seu conhecimento como sendo Aqueles que vieram antes. Nem
H.P. Blavatsky nem o Sr. Judge proclamaram a Teosofia como sendo deles, mas
disseram que ela compreende os ensinamentos ancestrais que foram passados para
as futuras gerações desde o início dos tempos. “Eles não desejaram honras, não
buscaram publicidade e não pediram reconhecimento.” Eles não estão interessados
em satisfazer qualquer curiosidade vulgar mas estão contentes em trabalhar nos
bastidores com aqueles que podem ver a lógica e a necessidade da Sua
existência, e que estão desejosos em trabalhar pela causa da humanidade.
Sempre haverá um número suficiente de “pretensos Adeptos” no
mundo. Parece que eles são parte da nossa provação, um teste para a nossa
discriminação e para a nossa percepção interior. Muitas vezes o bom senso e a
profundidade de compreensão são as nossas melhores provações. Há um antido
axioma que diz que a verdadeira sabedoria nunca é vendida.
Resposta à questão No. 5
Nós podemos ter ouvido a expressão “Deve haver alguém
olhando por nós ou teríamos matado uns aos outros há muito tempo.” E com
algumas das forças malignas e verdadeiramente não inteligentes que trabalham no
mundo atualmente, nós temos a curiosidade de saber como é que podemos evitar de
destruir a nós mesmos. Devem existir no mundo forças para equilibrar, forças
que estão do lado da paz e da harmonia, e que trabalham tão diligentemente como
aquelas que querem apenas separar e destruir.
Sem a doutrina da Reencarnação nós poderíamos ser
completamente inconscientes do fato que existem incontáveis indivíduos que, ao
longo de muitas vidas, desenvolveram-se em Adeptos e Mestres do “Caminho
Direito”, e que não estão mortos. Eles estão vivos e trabalhando no
mundo ou nos bastidores pelo benefício da humanidade. Eles ainda são uma parte
da humanidade e uma parte do nosso fluxo de evolução, e o Seu constante esforço
deve contar como parte do esforço total. Eles não podem e nem iriam contra a
Lei do Carma para nos “salvar”, mas não podemos esquecer que Eles são uma parte
do nosso Carma e da nossa Evolução.
Em Echoes from the Orient, p. 22, o Sr. Judge cita um
Mestre ao dizer:
"Nós nunca tencionamos ser
capazes de retirar as nações do meio de qualquer crise, apesar da tendência
geral das relações cósmicas do mundo. Os ciclos devem completar suas
voltas. Períodos de luz e escuridão mental ou moral sucedem-se como o dia à
noite. As Yugas principais e secundárias devem ser consumadas de acordo com
a ordem estabelecida das coisas. E nós, nascidos em conjunto com a maré
poderosa, podemos modificar e direcionar apenas as suas correntes menores. Se
nós tivéssemos os poderes do Deus pessoal imaginário, e as leis imutáveis
fossem apenas brinquedos para diversão, então, de fato, nós poderíamos ter
criado condições que teriam transformado esta terra em um lugar tranqüilo para
almas sublimes."
De acordo com o Sr. Judge, os Mestres vêm diretamente ao
encontro das relações terrenas quando há esta necessidade, em certos períodos
ordenados de tempo, “quando o completo desaparecimento da harmonia será seguido
da destruição completa caso não seja restaurada.” Isto parece implicar que Eles
nos impedem de destruirmos a nós mesmos. Em outros momentos, como agora, Eles
fazem os Seus trabalhos nos bastidores, através de agentes que desenvolveram a
capacidade de realizar o trabalho. Ele explica que Jacob Boehme era um desses
agentes. Na página 110 do Fórum, ele afirma:
Ele agia de acordo com isso e
escreveu bastante na mesma linha, apesar de com um certo preconceito e
tendência cristã e antropomórfica. Ele foi seguido por muitos, e até hoje
exerce influência através dos seus livros.Ele era bem ignorante a respeito do
caminho do mundo, mas mostrou um grande aprendizado interior. Ele era um
sapateiro pobre. Uma vez ele foi entrevistado por um total estranho que disse
que ele estava destinado a exercer grande influência, e nunca mais tornou a ver
essa pessoa. O Conde St. Martin na França foi outro, assim como o Conde St.
Germain, ambos tendo, conforme apresentado em seus escritos, um conhecimento da
fonte de suas inspirações, conhecimento este ausente em Boehme...na mesma época
havia Swedenborgh, o qual foi um instrumento inconsciente, mas que exerceu
grande influência em todas as direções até os dias de hoje. As suas teorias
estavam muito avançadas no tempo.
Evidentemente existiram, e ainda existem, muitos destes
agentes, alguns conscientes da sua missão, outros sem consciência da fonte da
sua inspiração, trabalhando no mundo para se contrapor às atividades
destrutivas que agora prevalecem. É certamente evidente que Thomas Paine era um
dos agentes Deles que podia ver a possibilidade da abertura de uma “Nova Ordem
dos Tempos” se iniciando nos Estados Unidos.
Resposta à No. 6
A filosofia nos explica que no período inicial do grande
ciclo, a Era Dourada, os Deuses (Grandes Professores) vieram e ensinaram à
humanidade em sua infância as artes, as ciências e a Irmandade dos homens.
Enquanto eles permaneceram como pais e professores a Era Dourada durou e todos
os homens sabiam as mesmas verdades e falavam a mesma língua. H. P. Blavatsky
diz na Doutrina Secreta I, 341, “...e então havia, durante a juventude
da humanidade, uma língua, um conhecimento, uma religião universal, quando não
havia igrejas, credos ou seitas, mas cada homem era o pastor de si mesmo.” Mas
veio o tempo no qual os homens colocaram seu conhecimento em teste, quando os
Deuses partiram e deixaram os homens trabalhar o seu destino, como fazem os
pais quando os filhos atingem certa idade. Foi então que alguns começaram a
esquecer e a tomar erroneamente formas e aparências por realidade. A superfície
aparente começou a moldar as ações dos homens. Raças e religiões se formaram, e
o resto é história.
A história também nos mostra que esta tendência a romper a
verdade ocorreu por diversas vezes após o trabalho de cada Grande Mestre que
veio ajudar a humanidade. Em cada caso, estes Adeptos vieram como reformadores
e nunca com a intenção de formar uma “nova religião”. O seu trabalho sempre foi
o de desvelar e demonstrar a unidade fundamental de uma e de todas as seitas, e
promulgar a verdade de que a Alma não tem raça, casta ou cor, e que todos os
homens são irmãos. Mas ainda assim, após a sua partida, a mesma coisa
aconteceu. Os ensinamentos foram apenas parcialmente entendidos, as idéias se
distorceram em muitas direções, de acordo com as convicções e desejos pessoais,
e nós temos o que temos hoje, centenas de religiões e seitas. Os ensinamentos
originais freqüentemente se tornam irreconhecíveis após uma centena de anos, e
outro Mestre precisa vir e nos lembrar a nossa Verdadeira Natureza, nosso
Destino e a nossa Unidade com toda a vida.
Como é usual, a natureza tem um símbolo que nos ajuda a
entender este processo. Na primavera o Sol traz todas as forças da Natureza
para formar as folhas que fazem o crescimento e a evolução possíveis. Mas
quando o Sol começa a partir e o Inverno chega, a força unificadora na folha é
retirada e o processo de desintegração começa. A folha um dia unificada é
dividida em centenas de memórias parciais, esperando por outra visita do Sol
para acordá-las e uní-las em outra maravilha da vida – a folha.
Mas a natureza tem um outro símbolo que nos parece encaixar
ao Movimento Teosófico Moderno. É a árvore perene. Esta árvore não passa pelo
ciclo periódico de Primavera e Outono que passam as outras árvores. Ela se
renova constantemente, e é por este motivo que ao longo da história esta árvore
tem sido o símbolo dos Grandes Seres e da Verdade que Eles trazem.
É interessante notar aqui que pela primeira vez na história
registrada os ensinamentos de um dos Mensageiros foram mantidos intactos,
exatamente como foram apresentados. E o crédito por isso é especificamente de
Robert Crosbie, que, vendo o mesmo processo de má interpretação e adulteração
ocorrendo com a Sociedade original após as mortes de H. P. Blavatsky e do Sr.
Judge, iniciou a United Lodge of Theosophists e reproduziu em edições de
fac-símile fotográfico todos os escritos originais dos dois Mestres,
assim permitindo ao movimento a constante renovação da vida das obras com a luz
dos impulsos iniciais. E mantém-se a esperança e a possibilidade de que, com um
número crescente de estudantes sérios, este impulso se estenda através dos
séculos que virão.
Resposta à questão No. 7
Seria errado pensar que os Mestres partiram para algum
retiro na montanha e cessaram Seus esforços em benefício da humanidade. Seus
esforços são cíclicos apenas com respeito à forma e ao foco deste esforço.
Conforme já mencionado, Eles são parte de nossa família humana e estão aqui em
todos os momentos trabalhando nos planos interiores e mais causais, onde Seu
trabalho pode ser mais efetivo e duradouro. Mas novamente Eles não podem e não
farão o que, em nosso curso de evolução individual, devemos fazer por nós
mesmos. O Sr. Crosbie respondeu a essa questão da seguinte maneira:
Os Mestres que expressam e
cumprem a Lei, não seriam Mestres se pudessem interferir com o crescimento que
pode apenas vir das experiências variadas e acumuladas da parte dos indivíduos;
mas Eles podem, devido ao seu conhecimento de onde, quando e como agir,
permitir que a humanidade se desvie de desastres, se isto for servir para o
melhor progresso de todos, e as condições permitirem. Também, tendo o
conhecimento e o controle das forças invisíveis da natureza, Eles podem usar
este poder para obstruir o curso errado por parte de qualquer pessoa, ou ajudar
o progresso na direção certa.(Answers, p. 25)
Há muito que podemos e devemos fazer por nós mesmos, e é
preferível que nós façamos as correções às situações difíceis que criamos.
Nosso sentido interno de justiça nos diz que somos nós que podemos e devemos
eliminar as guerras, crimes e doenças. Ninguém deveria fazê-lo por nós.
E para o nosso trabalho sobre o bem geral o Sr. Judge diz,
em Ocean of Theosophy, p. 6:
...alguns trabalhos são apenas
desempenhados pelos Mestres, enquanto outros requerem a assistência de
companheiros. É o trabalho do Mestre preservar a verdadeira filosofia, mas a
ajuda dos companheiros é necessária para redescobri-la e divulgá-la. Mais uma
vez os Irmãos Mais Velhos indicaram onde a verdade --- a Teosofia --- pode ser
encontrada, e os companheiros por todo o mundo estão engajados em trazê-la à
tona e propagá-la.
Dentro de nós existe o poder infinito do Princípio Universal
Divino. Nosso próximo passo é corrigir e clarificar as nossas idéias a respeito
da nossa verdadeira natureza e da natureza do universo, de modo que este poder
possa fluir nos nossos atos e escolhas diárias. Os Professores nos deram os
meios e as orientações, e estão prontos e desejosos em mostrar ainda mais,
conforme nós demonstrarmos querer ajudar. Falando sobre nossa ajuda no trabalho
Deles, nunca é demais repetirque um Deles disse “Oh! para os homens nobres e
altruístas homens que nos ajudam a fazer efetivamente o nosso trabalho! Todo o
nosso conhecimento, passado e presente, não seria suficiente para
recompensá-los.”
Resposta à questão No. 8
Foi dito que se nós dermos um passo em direção aos Mestres,
eles darão dois em nossa direção. É compreensível que Eles não possam fazer
mais que nos avisar se estivermos indo em direção oposta ao Seu trabalho. H.P.
Blavatsky afirma em seu artigo "Mahatmas and Chelas", "...embora
a totalidade da humanidade está dentro da visão mental dos MAHATMAS, não se
pode esperar que eles prestem atenção especial a cada ser humano, a menos que
um determinado ser chame a atenção deles pelas suas ações especiais. O maior
interesse na humanidade, como um todo, é a sua preocupação especial, para a
qual eles se identificaram com aquela Alma Universal que toca a humanidade, e
aquele que chamar a atenção deles deve fazê-lo através desta Alma que impregna
tudo." Os Professores indicaram também que é necessário não apenas
conhecimentos, mas uma fé e certeza tanto nos Mestres quanto em nosso Eu
Superior, o qual é uma derivação da Alma Universal.
Qual é a forma dessa ajuda? Ela vem na forma de inspiração
em novas idéias, relacionamentos que ainda não tínhamos reparado, e soluções a
problemas estão atrapalhando o nosso progresso. Vem também na forma de
sugestões e encorajamentos, e às vezes avisos. Se nós rejeitarmos o acaso ou a
coincidência como a causa destes visitantes inesperados, e se estivermos livres
dos caprichos do nosso Deus pessoal, então nós chegaremos à conclusão que eles
vieram dos Mestres ou de nosso Eu Superior.
Mas como podemos saber se essas idéias inspiradoras vieram
realmente dos Mestres ou Adeptos? Uma questão oposta seria, faz alguma
diferença se elas vieram de um Mestre ou de nosso Eu Superior? A Teosofia nos
ensina que o Eu e os Mestres estão no mesmo plano de consciência, que ambos têm
a mesma filosofia, os mesmos propósitos e objetivos. E desde que a maior parte
da ajuda está nos planos interiores, seria virtualmente impossível determinar a
sua exata fonte.
Além do mais, o conhecimento possuído pelos Mestres, devido
à sua própria natureza, não pode ser entregue a um estudante não iniciado, mas
o Mestre pode apontar o caminho e o método de modo que ele possa adquiri-lo por
si mesmo no curso do tempo.
Resposta à questãoNo. 9.
Se nós pensarmos cuidadosamente a respeito, veremos que sem
a idéia de Adeptos, Irmão Mais Velhos e Mahatmas, fica faltando um elemento
vital e necessário para que a filosofia fique coesa.Existiria uma lacuna
inexplicável no trabalho lógico da lei da evolução, não haveria condição para a
qual evoluir. Em outras palavras, sem a nossa compreensão deste elo necessário
da cadeia, nosso conceito de qualquer aspecto da filosofia, Carma, Reencarnação
e Evolução estaria fadado a ser errôneo. Além disso, sem a existência Deles não
haveria Teosofia ou qualquer das grandes Filosofias que têm inspirado o
mundo.
Mas por que a fé nesses Grandes Seres é tão importante para
nós individualmente? No seu artigo "Mahatmas as Ideals and Facts", o
Sr. Judge afirma, "A ajuda oculta dos Mestres requer um canal tanto quanto
qualquer outra ajuda, e o fato dos processos a serem usados estarem ocultos torna
ainda mais necessária a existência de um canal. As pessoas na posição de
recepção devem tomar parte na construção do canal ou linha para a força agir,
porque se não o fizerem eles não poderão dar."
Como este canal é construído? De acordo com os ensinamentos
ele é formado pela confiança, confiança na Lei, confiança na existência dos
Mestres e no Seu desejo e capacidade de ajudar, e confiança na nossa própria
capacidade de aprender. A fé constrói uma ponte pela qual a ajuda pode fluir,
mas não deve ser uma fé cega. Esta fé deve ser baseada no conhecimento,
conhecimento das leis da vida e da nossa própria natureza. É por isto que a
Teosofia sempre enfatizou o estudo individual, o estudo da mensagem original.
A crença nos Mestres é suficiente para conquistar a salvação?
Nós ouvimos muito disso ultimamente, mas a Teosofia diz que apenas a fé não é
suficiente. É necessário o conhecimento, o conhecimento fundamentado na
intenção altruísta. Os Grandes Mestres encontraram a Sua salvação no trabalho
pela humanidade.
CURSO DE FILOSOFIA ESOTÉRICA
MANAS, A MENTE
A primeira coisa a afirmar é que o cérebro não é a mente. O
cérebro é o instrumento físico utilizado pela mente para fazer contato e
operar neste plano de matéria. Experimentos de hipnotismo, assim como a nossa
compreensão do que ocorre no estados do sono, demonstraram que quando o cérebro
está adormecido, ou por alguma razão inoperante, a mente está ativa e
consciente o tempo todo, recebendo e reagindo às impressões. A consciência
estabelecida nesta mente é a base para o nosso sentimento de identidade de um
plano a outro, e ao longo de todas as mudanças cíclicas de nossa evolução. H.P.
Blavatsky, falando sobre a mente (ou Manas) diz, (Key, 136fn) “É Manas,
então, que é o verdadeiro e encarnado Ego Espiritual, a INDIVIDUALIDADE,
e nossas várias e inúmeras personalidades são apenas suas máscaras externas.”
Na página 100 ela diz, “Existe apenas um homem real duradouro ao longo
do ciclo da vida e imortal na sua essência, se não em forma, e este é Manas,
o Homem-mente ou a consciência incorporada.”
Na página 57 do Ocean of Theosophy o Sr. Judge diz:
O Ego interior, que reencarna,
tomando corpo após corpo, armazenando as impressões vida após vida, ganhando
experiência e adicionando-a ao Ego divino, sofrendo e se deleitando ao longo de
extensos períodos, é o quinto princípio, Manas, não unido a Buddhi.
Ele é a individualidade permanente que dá a cada homem o sentimento de ser ele
próprio, e não outra pessoa; aquele que através de todas as mudanças dos dias e
das noites, da juventude ao fim da vida nos faz sentir uma identidade ao longo
de todo este período;Ele vence as diferenças causadas pelo sono; do mesmo modo,
ele vence as diferenças causadas pelo sono da morte. É isto, e não o nosso
cérebro, que nos eleva acima do animal. A profundidade e variedade dos espasmos
cerebrais do homem são causadas pela presença de Manas, e não são as
causas da mente. E quando nos unimos conscientemente, de maneira permanente ou
esporádica, à Buddhi, a Alma Espiritual, nós contemplamos o que é ser
Deus.
A mente é ao mesmo tempo um poder, um princípio, uma
faculdade e os seus frutos. Como um poder, ela é onipresente, por ser a força
ativa por trás de todas as manifestações. Como um princípio, ela é a base de
toda criação, preservação, destruição e regeneração. Qualquer que seja a ação
que ocorra no universo, ela é o trabalho de alguma mente. Como uma faculdade, a
Mente é adquirida por cada ser através da experiência, e neste sentido é uma
evolução. Num sentido prático, a Mente representa o caráter e as tendências até
o momento evoluídas por qualquer ser, a sua capacidade de dar e receber
impressões, isto é, agir interna e externamente.A sua mente presente é fruto de
todo o Carma passado; é a faculdade por meio da qual ele cria e armazena o
Carma futuro em depósitos mentais; é o aspecto subjetivo ou invisível e causal
do Carma; é o Carma em si mesmo como o poder energético inerente em cada
ser assim como em toda a Natureza.
Manas é a ligação entre o lado Espiritual do homem e o lado
pessoal ou inferior, tornando possível a ele não apenas aprender das suas
experiências passadas no mundo da matéria, mas promover a evolução de todas as
vidas que constituem as formas com as quais ele entra em contato e utiliza para
a sua experiência.
QUAL É A FONTE DA MENTE?
H.P.Blavatsky nos diz que Mahat, ou a Mente Universal, é a
fonte de Manas, a mente no homem. Colocado em outras palavras na Doutrina
Secreta, Ela afirma, "A Concepção Cósmica focalizada em um princípio
ou upadhi (base) resulta na consciência do Ego individual. Sua
manifestação varia com o grau de upadhi, por exemplo, através do chamado
Manas se origina a Mente-Consciência." (S.D. I, 329fn)
Do seu artigo "Synthesis of Occult Science" o Sr.
Judge adiciona:
...o Manásico, ou elemento
mente, com as suas potencialidades cósmicas e infinitas, não é apenas o
“instinto” desenvolvido do animal. A Mente é a potencialidade ativa ou
latente da Concepção Cósmica, a essência de cada forma, a base para toda
lei, a potência de cada princípio no Universo. O pensamento humano é a reflexão
ou reprodução, no mundo da consciência humana, destas formas, leis e
princípios.
Um dos pontos principais colocados aqui pelo Sr. Judge é que
a mente não é o produto de uma evolução a partir do inferior, mas uma involução
do superior. Certamente a evolução ocorre, como podemos ver em todas as
partes da Natureza. Mas a força e direção desta evolução vêm sempre da natureza
Superior ou Egóica. Na Doutrina Secreta nós encontramos (II, 81):
Entre o homem e o animal, cujas
Mônadas (ou Jivas) são fundamentalmente idênticas, há o abismo intransponível
da Mentalidade e da Autoconsciência. O que é a mente humana em seu aspecto
superior, de onde ela vem, se ela não é uma porção da essência, e em alguns
raros casos de encarnações, a própria essência de um Ser superior: um
ser vindo de um plano superior e divino? Pode o homem, um deus na forma animal,
ser o produto da Natureza Material apenas pela evolução? Mesmo que o animal, o
qual difere do homem na forma externa, mas não pelos materiais de sua
constituição física, e é preenchido pela mesma, ainda que não desenvolvida,
Mônada, visto que as propriedades intelectuais de ambos diferem com o Sol
difere de um vaga-lume? E o que é isto que cria tal diferença, senão que o
homem é um animal mais um deus vivo dentro do seu ser?
A Teosofia apresenta o processo um tanto quanto misterioso,
embora magnífico, pelo qual o inferior é levado a ser superior. É a ascensão
das faculdades latentes da mente pela encarnação de seres elevados às mais
altamente desenvolvidas formas, e enfrentando a tarefa, convocando e induzindo
nessas personalidades o esforço voluntário para voltarem-se à luz do
Espírito. Fala sobre esforço e sacrifício, mas como um passo necessário à nossa
evolução. É chamada “A Iluminação de Manas”.
A ILUMINAÇÃO DE MANAS
De maneira consistente com cada processo ou procedimento
delineado na doutrina Teosófica, o ensinamento da mente humana é que a
inspiração ou a “faísca” que acorda a mente latente vem do lado Espiritual da
Natureza, e não do material. Ela afirma que esta vivificação é produzida pela
encarnação de Egos que já passaram por esta fase evolutiva em ciclos prévios,
deste modo trazendo a luz da mente, conforme lhes foi dado por aqueles que os
precederam. Tudo o que conhecemos como evolução começa primeiro com a involução, isto é, o envolvimento de
uma inteligênciasuperior em uma forma ou veículo formado por inteligências
menos desenvolvidas; o Espírito mergulhando profundamente na matéria para
finalmente redimi-la.
Do mesmo modo que nós encarnamos em uma nova forma de vida a
cada nascimento, e o modo que “descemos” dos planos superiores em nosso esforço
contínuo para inspirar a mente pessoal, houve um momento, bem atrás na historia
humana, quando seres sábios (nós mesmos) encarnaram em formas tornadas prontas
pela natureza, e assim iluminando a mente latente e iniciando a longa jornada
de um outro ciclo de evolução.
No Ocean of Theosophy (53), o Sr. Judge coloca da
seguinte maneira:
O curso da
evolução desenvolveu os princípios inferiores e produziu ao final a forma do
homem com um cérebro de melhor e mais profunda capacidade que o de qualquer
animal. Mas este homem não era homem na mente, e necessitava do quinto
princípio, o pensamento, a compreensão, para diferenciá-lo do reino animal e
conferir o poder de se tornar autoconsciente...É a ligação entre o Espírito de
Deus acima e o pessoal abaixo; foi dado às mônadas sem mente por outros que já
haviam passado por todo este processo durante eras e eras anteriores, em outros
mundos e sistemas de mundos, e assim vêm de outros períodos evolutivos os quais
foram conduzidos e completados muito antes do sistema solar ter se iniciado.
Nas Transactions of the Blavatsky
Lodge (68), H. P. Blavatsky aponta para o sacrifício realizado por estes
Egos no seu esforço em promover a evolução de todas as inteligências abaixo
deles. Ela diz:
A Doutrina Secreta mostra que os
Manasa-Putras ou Egos encarnantes tomaram para si mesmos, de maneira voluntária
e consciente, o fardo de todos os pecados futuros das suas personalidades
futuras. Por isso é possível ver que não é o Sr. A ou o Sr. B, nem qualquer das
personalidades que periodicamente vestem o EGO Auto-Sacrificante, o verdadeiro
sofredor, mas na verdade o Cristo dentro de nós. Daí os místicos hindus
dizem que o Eu Eterno, ou o Ego... é o “Cocheiro” ou condutor; as
personalidades são os passageiros temporários; enquanto que os cavalos são as
paixões animais dos homens. É então verdadeira a afirmação que enquanto
permanecermos surdos à Voz da nossa Consciência, nós crucificamos o Cristo
dentro de nós.
O QUE QUER DIZER “MENTE DUAL”?
A encarnação das mentes mais
avançadas de planos superiores, em formas inferiores ou animais, demanda que
exista um princípio que funcione em ambos os planos, que possa perceber e agir
tanto no plano do Espírito como no da matéria. Esta ligação ou ponte é a Mente,
ou Manas, o raio de luz, ou o caminho pelo qual o progresso e a iluminação são
possíveis. Algumas vezes é dito que, na encarnação, a mente se torna dual, mas
isto significa que, quando no corpo, ela é chamada a agir e pensar em duas
maneiras diferentes, e a partir de duas diferentes motivações – uma Espiritual,
impessoal e não egoísta, e outra, animal, passional e egoísta. Nós parecemos
ter duas mentes, uma respondendo ao que queremos fazer e outra respondendo ao
que sabemos que devemos fazer. Mas é importante lembrar que a mente é
basicamente UMA, e sem esta unidade não pode haver contato nem ajuda dos planos
Superiores. Falando do Ego humano, H.P. Blavatsky diz no Key (184):
Esta é certamente uma Entidade
Espiritual, não Matéria, e tais Entidades são os EGOS encarnados que
preenchem o punhado de matéria animal chamada humanidade, e cujos nomes são Manasa,
ou “Mentes”. Mas uma vez aprisionados, ou encarnados, a sua essência se torna
dual; isto é, os raios da Mente divina eterna, considerados como
entidades individuais, assumem um atributo duplo, o qual é (a) a sua
característica inerente essencial, de mente aspirante ao céu, e (b) a
qualidade humana do pensamento, ou cogitação animal, que racionaliza possuir a
superioridade do cérebro humano, a tendência Kama ou Manas inferior. Uma
gravita em direção a Buddhi, e a outra tende para baixo, para o lugar das
paixões e desejos animais.
Falando de Manas, no Ocean, o
Sr. Judge coloca:
Sua natureza se torna dual tão
logo ela é anexada ao corpo. O cérebro humano é um organismo superior e Manas o
utiliza para raciocinar das premissas às conclusões. Isto também diferencia o
homem dos animais, uma vez que os animais agem a partir de impulsos automáticos
e instintivos, enquanto o homem utiliza a razão. Este é o aspecto inferior do
Pensador ou de Manas, e não é, como alguns supõem, o maior e mais elevado
dom oferecido ao homem. O seu outro aspecto, e na Teosofia é considerado mais
elevado, é o intuitivo, o qual sabe e não depende da razão. O princípio
inferior e puramente intelectual é muito próximo ao princípio do Desejo, e
assim se distingue do seu outro aspecto que tem mais afinidade com os
princípios espirituais previamente mencionados. Se o Pensador, então, torna-se
inteiramente intelectual, toda a sua natureza começa a tender ao inferior; pois
o intelecto por si só é frio, sem emoções, e egoísta, pois não é iluminado
pelos dois outros princípios de Buddhi e Atma. (p.54)
Como o homem é consciente em apenas
um plano a um dado momento, nos podemos entender que enquanto operamos neste
plano, devemos enxergar pelos olhos da mente inferior. Nós também devemos
entender que fazemos isso de bom grado, não apenas para ganharmos percepção e
força, mas para treinar e orientar a personalidade a clarificar suas
percepções, para impessoalizar as suas motivações, e para ajudá-la a se elevar
ao status da sua mãe, sua verdadeira natureza interior.
A mente pessoal, aquela que utilizamos para entrar em
contato com a vida neste plano, não precisa sempre ser “inferior”. Através do
estudo e do trabalho, nós podemos modificar suas atitudes e hábitos de
pensamento, dar-lhe uma nova base para o pensamento e elevá-la à condição na
qual ela vibrará em harmonia com a Mente Superior ou Egóica. Esta é a condição
daqueles que chamamos de Adeptos ou Mestres. Eles têm a capacidade de operar
neste ou em qualquer plano com a visão, a compreensão e a compaixão da Mente
Superior. A razão pela qual nós, os Manasa-Putras ou Egos Encarnados, tomamos a
responsabilidade voluntária das provas e problemas das nossas personalidades
futuras é porque temos a possibilidade de trazer as Mentes Inferior e Superior
juntas novamente, e assim espiritualizar aquela porção de Vida que nos é
relacionada. Nós teremos um ganho imensurável com a experiência, e teremos
ajudado nossos irmãos mais novos a subir a escada.
QUAIS SÃO OS PODERES DA MENTE?
Potencialmente, os poderes da mente são ilimitados. Cada
mente humana é aquele aspecto ou grau da Mente Universal que nós como
indivíduos podemos acessar diretamente. Atualmente estes poderes estão
limitados pelo nosso Carma individual e coletivo, pelo nosso estado de
consciência, e principalmente pelas idéias que sustentamos a respeito do nosso
eu e do eu coletivo. Estes poderes adormecidos, entretanto, estão todos
disponíveis a nós desde que tomemos as medidas adequadas para despertá-los.
A mente inferior
tem o seu funcionamento normal e adequado na economia humana. Ela é o canal ou
instrumento necessário e único pelo qual a Mente Superior pode entrar em
contato com este plano de percepção. Ela é o poder de interpretar as sensações
e avaliar as impressões; ela é a capacidade de mover, unir as lacunas de
espaço, a faculdade de raciocinar das premissas às conclusões. Esta capacidade
de mover, unir as lacunas de espaço e tempo é uma de suas mais valiosas
capacidades, e é, talvez, o ponto de partida para a percepção mais abrangente
da Mente Superior.
Nossa mente apresenta cinco grandes aspectos: Pensamento,
Vontade, Sentimento, Memória e Imaginação. A sua presença e unidade em qualquer
ser constitui a sua consciência e inteligência. No homem, estas características
são percebidas como distintas dos objetos nos quais elas são direcionadas, e
pelos quais elas são incitadas a agir. Esta percepção reflexiva é a
autoconsciência. Seres abaixo do homem na escala evolutiva não podem refletir
antes de agir porque eles ainda são incapazes de distinguir Mente de Objeto, e
assim, são completamente identificados com as qualidades de sensação ou
características geradas pela sucessão de objetos contatados. Mas no homem o uso
reflexivo da Mente é real, ainda que longe de ser completo. Cada homem é capaz
de refletir e escolher antes de se comprometer a realizar uma ação --- ver as
conseqüências antes de estabelecer as causas. Estas faculdades distinguem a
mente como criadora do Universo. São necessários pensamento, vontade,
sentimento, memória e imaginação para produzir o plano e colocar as engrenagens
em movimento para produzir qualquer coisa, seja ideal ou física.
Ao falar do poder do intelecto, ou sabedoria real quando
colocada sob controle das condições materiais, H. P. Blavatsky lista na Secret
Doctrine(I, 292):
(a) O poder da mente em
interpretar as nossas sensações. (b) O seu poder em lembrar idéias passadas e
produzir expectativas futuras. (c) O seu poder conforme é exibido no que os
psicólogos chamam “leis de associação”, o qual permite que ela forme conexões
persistentes entre vários grupos de sensações e possibilidades de sensações, e
assim gerar a idéia ou noção de um objeto externo. (d) O seu poder em conectar
nossas idéias com a ligação misteriosa da memória, e assim gerar a noção do eu
ou individualidade; algumas das suas manifestações, quando liberadas das
amarras da matéria são: clarividência e psicometria.
Uma vez que as nossas crenças
materialistas atuais e nosso estado de consciência impõem as restrições de
tempo e espaço em nossas mentes, segue que, quando pudermos passar além destas
limitações, a mente estará livre para operar e perceber a grandes distâncias
tanto no tempo como no espaço. E quando a ilusão da realidade da matéria for
superada, a mente será capaz de ver além da superfície, para o lado causal da
vida, para o lado Espiritual daquilo que nós vemos agora como formas. Os
poderes da mente são limitados apenas pelas idéias que nós aceitamos como
verdade.
A Voice of the Silence diz,
“A Mente é como um espelho; ela acumula poeira enquanto reflete. Ela necessita
da brisa suave da Sabedoria da Alma para retirar a poeira das nossas ilusões.
Busque, Ó iniciante, unir a Mente à Alma.”
O QUE LIMITA O NOSSO USO DESTES PODERES SUPERIORES?
Foi afirmado
anteriormente que na encarnação o Ego ENVOLVE a si mesmo com a forma pessoal em
DESENVOLVIMENTO através da concessão à mente com o que é chamado eu inferior,
para o propósito de ligar e acordá-lo para a sua verdadeira natureza e
potencial. Para realizar isto, a personalidade assim formada deve seguir a “sua
cabeça”. Certa autoridade e liberdade de escolha devem ser delegadas à
consciência, assim como um governante dá autoridade aos seus ministros --- tudo
com a esperança de trazer à superfície o julgamento e a vontade latentes. A
dificuldade surge quando Manas inferior se torna subjugado aos sentidos e à
natureza desejosa, e o Ego Interior é incapaz de atrair a atenção do inferior
--- e conseqüentemente incapaz de exercer qualquer influência. Sem a ajuda
contínua dos Mestres, esta tendência descendente iria continuar, e infinitas
encarnações estariam perdidas. Por sorte Eles estão sempre aqui nos lembrando e
incendiando nossas memórias interiores do que nós somos.
Falando a respeito de Manas Inferior, o Sr. Judge afirma:
Ela interfere com a ação de Manas
Superior porque neste exato ponto da evolução, o Desejo e todos os poderes
correspondentes, faculdades e sentidos são os mais altamente desenvolvidos, e
assim obscurecem, aparentemente, a luz branca do lado espiritual de Manas.
Ela é colorida por cada objeto apresentado a ela, seja um objeto pensamento ou
material. Isto quer dizer que Manas Inferior, operando através do cérebro, é
imediatamente alterada para a forma e outras características de cada objeto,
mental ou material. Isto faz com que ela apresente quatro peculiaridades: primeiro,
mover-se rapidamente de qualquer ponto, mental ou material; segundo,
mover-se para algum pensamento ou idéia prazerosa; terceiro, mover-se
para uma idéia ou pensamento desagradável; quarto, permanecer passiva e
considerar o fracasso. O primeiro é devido à memória e ao movimento natural de Manas;
o segundo e o terceiro são devidos apenas à memória; o quarto significa o
adormecimento quando não anormal, e a tendência à insanidade quando a
anormalidade está presente. Estas características mentais, todas pertencentes à
Manas Inferior, são aquelas que, com a ajuda de Buddhi e Atma,
Manas Superior deve lutar e conquistar. Manas Superior, se capaz
de atuar, se torna o que algumas vezes são chamados Gênios; se completamente
dominada, então a pessoa pode se tornar um deus. (Ocean, p.56)
No Bhagavad-Gita, Krishna, o Professor Espiritual,
expressa a mesma idéia ao dizer, “Aquele que serve às inclinações dos sentidos,
neles coloca a sua preocupação; desta preocupação é criada a paixão, da paixão
a raiva, da raiva é produzida a desilusão, a desilusão produz a perda da
memória, depois a perda da discriminação, e então se perdeu tudo! (p.19)
O apego às coisas do mundo material é produzido pela
memória, através dos sentimentos (medos, preconceitos, desejos, etc.) e também
através do nosso pensamento. O Sr. Crosbie afirma, “A barreira para cada homem
não está na memória, mas nas falsas idéias sobre a vida, de acordo com as quais
ele age.” E na sua obra “Notes on the Bhagavad-Gita”, ele afirma, “O
homem, feito de pensamento, apenas ocupante de muitos corpos ao longo do tempo,
está eternamente pensando. Suas correntes estão no pensamento, e sua liberdade
em nenhum outro lugar além deste.” (p. 141)
As idéias são coisas vivas, usualmente alimentadas e
mantidas vivas pelos nossos sentimentos. Elas carregam visão clara ou erros. E
desde que nós não podemos manter duas idéias opostas sobre o mesmo assunto ao
mesmo tempo, segue que um conceito errôneo pode agir como um muro de pedra,
mantendo a sempre pronta ajuda longe de nós.
O QUE GOVERNA A MENTE?
Um Mestre certa vez escreveu, “Platão estava certo: as idéias
regem o mundo.” E a Teosofia adiciona que as idéias também governam a
mente, o plano de ação real. As idéias controlam a nossa mente e a mente
coletiva das raças, nações e culturas. Buda abre o Dhammapada com a
afirmação, “Tudo o que somos é o resultado do que pensamos: tudo o que somos está
fundamentado e é formado em nossos pensamentos.” O Sr. Crosbie, em sua seção da
Notes on the Bhagavad-Gita (p. 161), expressa a idéia da seguinte forma:
Nós não
podemos deixar de perceber que agimos de acordo com as idéias que mantemos
sobre a vida; que o que nós chamamos “nossa mente” é um número de idéias
mantidas por nós como a base para o pensamento e a ação; que nós mudamos as
idéias de tempo em tempo, quando identificamos ocasião para tal; mas a todo o
momento nós agimos com base nas idéias presentemente mantidas. As diferenças
entre os seres humanos são devidas às idéias, falsas, imperfeitas ou
verdadeiras, que formam a base do pensamento e da ação.
Além disso, muitos de nós abrigamos idéias e pensamentos os
quais estamos muito pouco conscientes --- idéias que aceitamos dos nossos pais,
professores, autoridades de um tipo ou de outro --- idéias que nós nunca
cogitamos ser necessário examinar criticamente. Conseqüentemente, essas idéias
ou conceitos continuam a exercer uma influência insidiosa e poderosa em cada
escolha que fazemos. Freqüentemente, são os importantes conceitos de Divindade,
Lei, da natureza do homem e seu destino que se mantém não questionados; e como
estas são idéias fundamentais, elas afetam e dão cor à nossa percepção em
todas as direções. As idéias fundamentais são, é claro, aquelas que permanecem
como base, fundação para todas as outras idéias, todo o pensar.
O Sr. Judge uma vez afirmou, “Cada pensamento deixa uma
semente na mente ou manas do pensador, não importa quão fugaz o pensamento foi.
A soma completa destas pequenas sementes irá formar uma semente maior de
pensamento, e assim constituir o homem com este, aquele ou outro caráter
geral.”
Nós devemos
adicionar aqui que o desejo desempenha um grande papel na formação de nossa
base de idéias, nossa “Instituição” mental, aquelas idéias que formam a nossa
mente atuante. Nós nos apegamos a essas idéias através do medo e do desejo,
assim como pela ignorância e preguiça. Essas idéias precisam ser avaliadas e testadas,
testadas quanto à sua veracidade, sua origem, e pelo seu verdadeiro senso
comum. As idéias governam a nossa mente, mas nós podemos e devemos decidir
quais idéias vamos instalar na nossa “máquina de pensar”. Não é difícil aceitar
a idéia de que se nós não governarmos nossas mentes, alguém ou alguma outra
coisa o fará.
É através do
esforço deliberado da vontade que nós iremos testar e extirpar algumas daquelas
idéias cultivadas, idéias que nós nunca realmente encaramos, e começaremos a
nossa busca pelas idéias verdadeiras nos campos da justiça e da harmonia. Nós
não somos aquelas idéias, e temos o poder de escolher, de fazer mudanças; e
nós temos a percepção interna para conhecer a verdade quando a ouvimos e
estamos desejosos de encontrá-la. Esta é certamente a nossa
responsabilidade.
Falando a
respeito do poder das idéias, tanto H. P. Blavatsky quanto o Sr. Judge
ofereceram algumas idéias provocativas ao pensamento. Blavatsky afirma na Key:
O ponto chave é arrancar pela raiz
aquela mais fértil fonte de todo o crime e imoralidade ??? a crença de que é
possível a eles (as massas) escapar das conseqüências das suas próprias
atitudes. Uma vez ensinado a eles as maiores de todas as leis, Carma e Reencarnação,
e, além de sentirem neles mesmos a verdadeira dignidade da natureza humana,
eles sairão da maldade e a evitarão como se sentissem uma dor física. (p. 248)
O Sr. Judge
coloca o seguinte sobre o poder das idéias Fundamentais:
Há um poder misterioso nestas
doutrinas de carma e reencarnação que finalmente os força a enfrentar as
crenças de quem as toma por estudo. Isso ocorre devido ao fato de que o ego por
si só é o experimentador do renascimento e do carma, e tem dentro de si uma
clara recordação de ambos, e se regozija, por assim dizer, quando descobre que
a mente inferior está partindo para o seu estudo. ("Theosophical Study and Work")
A própria
estrutura da Teosofia sugere um método de treinamento e clarificação de nossa
mente que pode elevá-la a um nível de maior serviço a nós. Tanto Platão como a
Doutrina Secreta recomendam que nós comecemos a pensar sobre as idéias
fundamentais ou universais, as idéias eternas de divindade, do homem e seu
destino. Eles sugerem que pela aplicação destas verdades em todas as direções,
a todos os problemas e percepções, nós seremos aptos a penetrar em qualquer
mistério.
O QUE
CONSTITUI A EVOLUÇÃO OU O CRESCIMENTO DA MENTE?
A evolução da
mente humana é a evolução da sua compreensão das verdades eternas, da verdade a
respeito da vida, da realização prática da Consciência de Todos. E conforme
nossa compreensão aumenta, nossa percepção se torna mais clara e os
instrumentos que usamos se tornam mais precisos e mais penetrantes. Em Answers to Questions on the
Ocean of Theosophy p. 108, encontra-se a passagem:
O Percebedor tem o poder de perceber
e aumentar a sua faixa de percepções. Seu poder de perceber não é modificado
por qualquer percepção adquirida; ele pode sempre continuar a aumentar seu
campo de percepções. Conforme suas percepções aumentam de alcance, ele
desenvolve um instrumento melhor através do qual pode dar e receber impressões.
Uma Inteligência sempre crescente e a melhoria contínua de forma constituem a
evolução.
Nós todos temos no íntimo de nosso ser aquele poder ilimitado
de conhecer, e temos a capacidade e a responsabilidade de escolher
em cada momento de nossas vidas. Nós, sozinhos, somos responsáveis pela
natureza e pela constituição de nossas mentes, porque mesmo o menor dos seus
pensamentos significa um rearranjo da morada da alma, e, uma visão mais clara
do seu destino, ou um espessamento das cortinas que escondem a sua luz. Cada
estágio da evolução é uma expressão do modo pelo qual a consciência está
pensando sobre si mesma. Como, então, estamos pensando de nós mesmos, se nós
somos esta consciência? Não há impotência que não seja produzida pelo
pensamento, não existe limitação que não seja autocriada, opacidade de ambiente
que não seja auto-induzida pelos nossos poderes mágicos sobre os átomos da
matéria que forma tal ambiente.
É importante perceber que nós não seríamos aptos a
reconhecer as Grandes Verdades Espirituais se não tivéssemos semelhanças com
estas verdades em alguma parte da nossa natureza interior. Em "Answers to
Questions" o Sr. Judge coloca, “Deve haver dentro do homem algo que ele já
saiba, que salte aos olhos quando ele realiza buscas em seus livros de
sabedoria; uma coisa pré-existente, que precisa apenas da experiência de vida
ou da confirmação dos livros.” E Platão sustentava que a mente do homem tem
dentro de si uma natureza familiar à da Divindade, e é capaz de contemplar as
realidades eternas. Nós temos a verdade dentro de nós. Mas nós temos que provar
a nós mesmos na prática aqui, nesta encarnação. Este é o único lugar ou
condição pela qual o progresso pode ser realizado.
Tudo isso realça a importância de checar e avaliar as idéias
que temos em nossa bagagem --- aquelas que estão evidentes e também as que
ficam escondidas porém estão ativas pelo seu sentido. Também salienta a importância
do estudo, o estudo dos ensinamentos Daqueles que foram adiante no caminho da
evolução e estão sempre prontos a nos orientar e ajudar. Estes são certamente
de suma importância a qualquer um que esteja seriamente empenhado no seu
progresso. Mas o Sr. Judge aponta para uma prática que é ainda mais importante
que essas. Ele afirma, em seu artigo “The Power to Know”:
O poder de
conhecer não vem do estudo dos livros, nem apenas da filosofia, mas em sua
maior parte da prática verdadeira do altruísmo em ações, palavras e
pensamentos; pois esta prática purifica as vestes da alma, e permite que a luz
brilhe na direção da mente cerebral. Como a mente cerebral é a receptora no
estado de vigília, ela precisa ser purificada pela percepção dos sentidos, e a
maneira mais verdadeira de se fazer isso é pela combinação da filosofia com a
mais elevada virtude interior e exterior.
QUAL É
A FONTE DA MENTE NA NATUREZA?
Com o
grande número de livros e programas sobre Natureza que temos hoje em dia, é
fácil perceber que existe uma vasta e quase mágica inteligência na Natureza.
Mas qual é a fonte desta inteligência, e quais são as leis que a orientam e
distribuem? Esta inteligência é a mesma do homem? A abelha treina e melhora a
sua mente como nós o fazemos? E a folha, o cristal, a pele ou o olho? Qual é a
fonte da quase inacreditável inteligência aqui? Todas essas são partes da
Natureza, e todas exibem os poderes da mente em suas ações e reações. Por que
uma folha tem praticamente a mesma inteligência da outra folha, e ainda assim
tão diversa daquela que existe no pássaro que pousa no galho?
A Teosofia
oferece várias idéias interessantes sobre este assunto --- idéias que ajudam a
explicar muitos dos mistérios que nos rodeiam na Grande Natureza. Como base, ela
afirma que todas as formas, não importa onde, são materializações de algum
aspecto da Mente Universal. Ela afirma que a soma total da inteligência em
qualquer período de manifestação é o desdobramento ou o re-aparecimento daquilo
que foi criado em períodos anteriores de manifestação, mais tudo o que o
homem adicionou no presente período. Ela ainda coloca que os vários reinos e
espécies dentro dos reinos são guiados e regidos pelas inteligências
hierárquicas que realizam e cumprem as leis da evolução --- sempre dentro da
Lei do Carma. Na Doutrina Secreta encontramos a colocação: (I, 277)
A ordem
total da natureza revela uma marcha progressiva em direção à vida superior.
Há planejamento na ação das aparentemente ocultas forças. O processo global de
evolução, que é a adaptação contínua, representa uma prova disso. As leis
imutáveis que eliminam as espécies mais fracas e frágeis, para dar espaço aos
mais fortes, e que asseguram a sobrevivência do “mais forte”, embora cruel em
sua ação mais imediata, estão todas trabalhando para o grande fim. O próprio fato
que as adaptações realmente ocorrem, que o mais adaptado realmente
sobrevive na luta pela existência, mostra que o que é chamado de “Natureza
inconsciente” é, na verdade, uma agregação de forças manipuladas por seres
semi-inteligentes (Elementais), orientados pelos Altos Espíritos Planetários,
(Dhyan Chohans), cujo agregado coletivo forma o verbo manifestado do
LOGOS imanifestado, e constitui, ao mesmo tempo, a MENTE do Universo e sua LEI
imutável.
No início
de cada período de manifestação, a onda-vida desce a escada da condensação,
vestindo a si mesma com as formas compatíveis com os estados de consciência
progressivos, e forma-se com o material dos planos associados. É através da
operação em uma forma que expressa algum aspecto da Mente Universal que as
vidas inferiores realizam a sua evolução.
Conforme nós aprendemos nas páginas anteriores, toda a
inteligência que nós vemos exibida em manifestação deve ser o resultado do
esforço realizado por seres autoconscientes, escolhedores, enquanto agindo
dentro e com aquilo que nós chamamos Natureza. Esta inteligência não ocorre
simplesmente, nem é enviada por algum Ser supremo. Nos foi ensinado que todos
os processos da Grande Natureza podem ser encontrados no corpo humano, e, como
as “vidas” da Natureza passam por nossos corpos, realizando estas funções, elas
são afetadas por nossos pensamentos e ações. Na Doutrina Secreta, H. P.
Blavatsky afirma que, “O homem era o depósito, aparentemente, de todas as
sementes da vida neste Ciclo, tanto vegetal como animal. Seu embrião, Ela
afirma, contém em si a totalidade dos reinos da natureza.
O que vemos externamente é um panorama estendido de cada
função, e consolida que nós temos as “sementes” disso em nosso instrumento. O
que nós fazemos com este instrumento, como nós o tratamos ou treinamos, irá
determinar o que receberemos de volta para trabalhar com e para em alguma era
ou sistema futuro. A Grande Natureza é um espelho vivo no qual nós podemos ver
a nós mesmos e nossos trabalhos. Os ecologistas nos dizem que somos
responsáveis por todos os desertos do mundo. A cada ano surgem novas doenças. A
Natureza está nos dizendo algo, se formos capazes de ouvir.
A Teosofia oferece a tão necessária explicação do porque
cada pássaro de uma espécie sabe o que todos os outros sabem, e porque a
formiga, e a folha e a borboleta nascem com toda a inteligência necessária à
sua sobrevivência. Em Isis Unveiled, H. P. Blavatsky coloca, “Este
instinto dos animais, que agem do momento de seu nascimento, cada um nos
limites prescritos a ele pela natureza, e que sabem como...cuidar de si mesmo
precisamente --- este instinto pode, em uma definição mais exata, ser chamado
automático; mas é preciso haver, ou dentro do animal que o possui, ou fora,
a inteligência de alguém ou alguma coisa que o guia.” Cada reino, assim
como cada espécie, é “preenchido” pelo que tem sido chamado de consciência do
reino, uma inteligência hierárquica que fornece o instinto que orienta o grupo
todo, e gradualmente conduz a força da vida nele para a sua ascensão evolutiva.
A força ou onda de vida passa de um reino a outro,
expressando mais e mais a inteligência que foi ganha da Mente Universal, até
que mostre a forma que é apropriada à encarnação do homem (a maior em qualquer
período de manifestação), o Ego Reencarnante. Neste ponto, o homem assume o
comando o ou abuso da Natureza, e monta o palco para o próximo grande período
de manifestação. Mas é um engano pensar que estamos sozinhos nesta tarefa. E
imaginamos como poderíamos fazer isso se não fosse pela ajuda dos Irmãos Mais
Velhos, que ainda são uma parte da humanidade, e que estão sempre prontos a nos
ajudar a sair dos buracos que cavamos para nós mesmos.
Questões sobre Manas – a Mente
1 – Nós herdamos nossas mentes dos nossos pais? Dê suas
razoes.
2 – Nós sabemos quão importantes são a lógica e o raciocínio
em nosso pensar, e que a capacidade de usar a razão nos eleva acima do reino
animal. A razão é a mais elevada faculdade da mente? Explique.
3 – Se a mente humana é um aspecto da Mente Universal, quais
os limites para o uso desta sabedoria, a sabedoria acumulada das eras?
Explique.
4 – Os filósofos sugerem, e nós provavelmente temos
consciência, que alguns pensamentos são muito mais poderosos que outros. Você
pode oferecer razões do porque alguns têm este poder inerente de condução e
outros não?
5 – Filósofos, Psicólogos, Ecologistas e Educadores todos
concordam que a concentração é de grande valor em qualquer coisa que estejamos
fazendo. Quem ou o que produz esta concentração? O que é que se torna
concentrado? Explique suas respostas.
6 – Se você, um estudante de Teosofia, fosse encarregado de
uma escola, como você treinaria e exercitaria as mentes dos seus estudantes?
7 – Uma vez que tenhamos entrado em contato com a Teosofia,
começamos a perceber que temos várias idéias e sentimentos em nossas mentes com
uma relativa tenacidade, o que nos levou a aceitá-los sem questionamentos. Na
tentativa de expulsar estes inquilinos, quais permanecem mais profundos? Quais
têm mais poder? Quais são mais fundamentais?
8 – A Filosofia indica que a Mente Superior, o Ego
Reencarnante, é praticamente um Deus. Ainda assim, na maioria das vezes nós
percebemos que somos mais escravos que mestres da nossa mente inferior. Por que
isso ocorre?
9 – Na Notes on the Bhagavad-Gita, encontramos que a
mente é “um número de idéias mantidas por nós como uma base para o pensamento e
a ação.” Se nós decidirmos melhorar a qualidade da nossa mente, que tipo de
idéias estaríamos em busca? Qual é constituição da mente ideal?
10 -O que acontece com a mente na morte? Ela se desintegra
como acontece com o corpo?
Existe muito escrito sobre a mente na literatura. Muitos
artigos foram escritos por Blavatsky, Judge e Crosbie, que podem ser
encontrados tanto individualmente como em volumes recentemente publicados que
os reúnem.
Existem alguns pontos fascinantes publicados sobre o nosso
pensar nas Notes on the Bhagavad-Gita, e, é claro, para o estudante mais
ambicioso, o Patanjali's Yoga Aphorisms é uma recompensadora fonte de
“estudos para toda a vida”.
Para os aspectos básicos de Manas, a mente do homem, não há
nada melhor que Ocean of Theosophy, por Wm. Q. Judge, e a Answers to
Questions on the Ocean of Theosophy.
__________________
Tradução:
Marcelo Pagliarussi (marcelo@nit.ufscar.br)
Curso de Filosofia Esotérica
Módulo 5
O
Corpo e o Corpo Astral
Esta página contém:
Resposta às questões do módulo 4:Manas – a Mente
Material sobre O Corpo e o Corpo Astral
Questões sobre O Corpo e o Corpo Astral
RESPOSTA
ÀS QUESTÕES DO MÓDULO No. 4:Manas – a Mente
Resposta à questão No. 1
O que aprendemos nos tópicos anteriores poderia nos dizer
que não herdamos de nossos pais, mas herdamos, através deles, de nós mesmos.
Eles oferecem nosso corpo e cérebro, e algum treinamento no uso e cuidado
destes; eles nos fornecem idéias, conceitos, preconceitos e ideais, mas em tudo
isso eles são apenas agentes do nosso próprio Carma, o Carma do nosso pensar e
agir em vidas passadas. A Teosofia nos ensina que nós merecemos nossos pais, as
circunstâncias sob as quais nascemos, e o começo de vida que temos que lidar.
Nós chegamos a uma determinada família porque ela pode nos
oferecer a melhor oportunidade para trabalhar algumas de nossas lições
Cármicas. Ela nos dá o cérebro e a mente pessoal que merecemos, e que são, de
fato, o melhor desafio para testar e desenvolver a força necessária à
eliminação das fraquezas inerentes à nossa encarnação.
Mas esta é apenas a mente inferior, o instrumento. O que
nós fazemos com ela é responsabilidade da nossa Mente Superior. Nós podemos
deixar as situações dominarem as nossas vidas, ou podemos assumir a
responsabilidade e modificar as circunstâncias a nosso favor. A vida dos
grandes homens nos ensina que cada mente e cada circunstância apresentam grande
potencial para o desenvolvimento da força e da compreensão. O Ego tem a força
de superar qualquer obstáculo e utilizá-lo para seu benefício.
Com a apresentação do “Método Socrático”, Platão nos deu um
meio de experimentar em profundidade as “condições-mentais” que herdamos
através de nossos pais. O seu método de questionar as nossas “posições” sobre
certos temas, e assim questionarmos as razões que sustentam estas posições, e
assim por diante, é um dos processos mais eficientes para conhecer a
constituição das nossas mentes. Ele demonstrou o valor que pode ser adquirido
ao trazer estas idéias profundas e não questionadas à superfície, e checá-las
quanto à sua validade, lógica e simples bom senso. Nós poderemos então fazer
correções sempre que for necessário.
Se nós herdamos um corpo fraco, podemos fortalecê-lo com o
alimento e exercícios adequados. Do mesmo modo, se herdamos uma mente que não
está funcionando da maneira que achamos que deveria ser, nós podemos corrigí-la
e dar-lhe força, através da nutrição com o alimento saudável (idéias
verdadeiras) e exercícios do tipo correto (pensar com estas idéias e
utilizá-las em nossas atividades diárias). Estudantes sérios dos textos
Teosóficos podem testemunhar que tal programa de estudo é de valor mais
duradouro que uma educação universitária. Ele ensina uma pessoa a como
pensar, e não o que pensar.
Resposta à questão No. 2
A “Idade da Razão”, conforme tem sido chamado o período
entre os séculos 17 e 18, ofereceu grande estímulo ao progresso da humanidade.
Ela libertou o homem dos dogmas da Igreja, dogmas que, no mínimo,
desencorajavam o homem do pensamento e do raciocínio a respeito do universo e
das leis naturais, e a respeito de Deus e das potencialidades do ser humano.
Ela cultivou o solo e plantou as sementes que germinaram na Revolução
Científica. A Razão, reencarnada dos tempos de Platão, novamente se tornou
dominante.
É a razão que nos permite unir as percepções do passado e do
presente e projetá-las no futuro. Écom a razão que podemos julgar o valor de
muitas observações e experiências e assim avaliar uma situação completa. É a
razão que torna possível a nós relacionar, extrapolar, inferir e fazer todas as
coisas que agrupamos sobre o chamado “pensamento”, coisas que fazemos o tempo
todo de maneira natural.
H. P. Blavatsky na p. 70 do Key to Theosophy afirma,
“As crianças deveriam antes de qualquer coisa receber os ensinamentos da
autoconfiança, do amor por todas as pessoas, do altruísmo, caridade mútua, e
mais que tudo, a pensar e raciocinar por si mesmas”. E no Ocean of Theosophy
(p. 54) o Sr. Judge coloca, “Pois o cérebro humano é um organismo superior e
Manas o utiliza para raciocinar das premissas às conclusões. Isto também
diferencia o homem do animal, pois o animal age a partir dos impulsos
automáticos e instintivos, enquanto o homem pode usar a razão.”
Tudo isto mostra a importância da razão, uma etapa muito
importante e necessária à nossa evolução. Mas o sr. Judge coloca outra questão,
conforme ele avança no mesmo parágrafo. Ele afirma, “Este é o aspecto inferior
do Pensador ou da Mente, e não, como se supõe, o maior e mais elevado bem
pertencente ao homem. Esse é outro aspecto, e a Teosofia o considera superior,
o intuitivo, o qual sabe e não depende da razão.”
H. P. Blavatsky explica mais em Isis Unveiled, Vol.
I, página 433:
A razão, o resultado natural do
cérebro físico, se desenvolve as expensas do instinto, a reminiscência fugaz de
uma onisciência anteriormente divina, o espírito. A Razão, o distintivo da
soberania do homem físico sobre todos os outros organismos animais, é
freqüentemente sobrepujada pelo instinto de um animal. Como o cérebro humano é
mais perfeito que o de qualquer outra criatura, suas emanações podem
naturalmente produzir os maiores resultados da ação mental; mas a razão ajuda
apenas as considerações das coisas materiais; ela é incapaz de ajudar quem a
possui a conhecer o espírito. Ao perder seus instintos, o homem perdeu suas
capacidades intuitivas, as quais são o reino do instinto. A razão é a arma
desajeitada do cientista, e a intuição é o guia preciso do profeta.
E novamente em Isis,
página 434:
Plotinus, o pupilo do grande
Ammonius Saccas, o principal fundador da escola Neoplatônica, ensinou que o
conhecimento humano tem três etapas ascendentes: opinião, ciência e iluminação.
Ele explicou isso ao dizer que “os meios ou instrumentos da opinião são os
sentidos; da ciência, a dialética; da iluminação, a intuição (ou o
instinto divino). A este a razãoé subordinada; é o conhecimento absoluto
fundamentado na identificação da mente com o objeto conhecido...”
Cada ser humano é nascido com o
embrião do sentido interior chamado intuição, o qual pode ser desenvolvido
naquilo que o Escocês conhece como “segunda visão”. Todos os grandes filósofos,
os quais, como Plotinus, Porfírio e Iamblichus empregaram esta faculdade,
ensinaram esta doutrina. “Há uma faculdade da mente humana”, escreveu
Iamblichus, “que é superior a todas aquelas que nasceram ou foram produzidas.
Através dela nos é permitido chegar à união com inteligências superiores,
sermos transportados além dos acontecimentos deste mundo, e participar da vida
superior e dos poderes peculiares aos seres celestiais.”
H.P. Blavatsky afirma que a humanidade está atualmente
passando por um estágio de transição mental. Ela ainda coloca que por maiores
que os nossos poderes intuitivos sejam, não existe uma intuição infalível neste
estágio, e esta deve ser checada por uma de duas maneiras indicadas. A primeira
é talvez o uso mais legítimo de nossos poderes de raciocínio. Nossos repentes
intuitivos devem ser checados se são razoáveis pelo senso comum. A segunda
maneira, a mais confiável para avaliar nossas visões internas, é com os
“ensinamentos orais, revelados pelos homens divinos que viveram durante
a infância da humanidade, para alguns eleitos entre os homens, e que
permaneceram inalterados”. Tais ensinamentos, ela diz, são aqueles oferecidos
pelos Mestres, conhecidos hoje como Teosofia.
O Sr. Judge combina duas idéias em seu artigo “Conversations
on Occultims”, no qual ele afirma, “Para saber quando se está recebendo
informações verdadeiras do Eu interno,... A intuição deve ser desenvolvida, e o
assunto julgado a partir da base filosófica verdadeira, porque se ele for
contrário às regras gerais, está errado...O poder de conhecer não vem do estudo
de livros ou da filosofia, mas principalmente da prática real do altruísmo em
ações, palavras e pensamentos; pois esta prática purifica as vestes da alma, e
permite que a luz brilhe na direção da mente cerebral.”
Há alguns anos atrás, a Revista Teosófica avançou na idéia
de que a bomba de Hiroshima significou a morte da Idade da Razão. A ciência
havia chegado ao ponto no qual a tecnologia sozinha não podia oferecer
respostas aos problemas do mundo, e alguns cientistas líderes aparentemente
começaram a ouvir a voz interior, a voz da contra-ciência, a voz do
Espírito.
Um Mestre certa vez escreveu, “O ser menos egoísta trabalha
para seus companheiros humanos, e retira as vestes do sentido ilusório do
isolamento pessoal; quanto mais ele for livre de Maya, mais próximo estará da
Divindade”.
Resposta à questão No. 3
Uma vez que as
nossas mentes pessoais são constituídas de idéias, é lógico que todas as
limitações são inerentes às idéias que são limitadas, parciais, superficiais e
separatórias. Algumas destas idéias podem ser: que nós não somos nada além
desta personalidade, que vivemos apenas uma vez, que a nossa mente pessoal é a
nossa faculdade mais elevada, que não há nada real nos sonhos, que nós nascemos
pecadores, que a Divindade é um ser separado de nós e que governa nosso
destino, que o acaso e o milagre podem existir no mesmo universo com Justiça.
Qualquer destas idéias, em conjunto com muitas outras, pode limitar severamente
a capacidade da mente diária em aceitar e compreender as mensagens da Mente
Universal. Elas na verdade bloqueiam a passagem entre as duas.
Para compreender a razão disto é necessário adquirir algumas
idéias da natureza do conteúdo da Mente Universal. Ela não é uma enciclopédia
gigante. Ela é constituída de conceitos de uma natureza Universal que tem se
mantido, ao longo de eons de tempo, através de incontáveis gerações de esforço,
e elas são idéias básicas, eternas e raízes. Elas são os Princípios Fundamentais
e devido a isso elas são aplicáveis em todos os momentos e situações; e elas
carregam consigo um modo de pensar que é novo (e ao mesmo tempo antigo) e
diferente daquele que no presente momento nós estamos acostumados. Ela sugere
que o caminho verdadeiro para alcançar e usar esta visão é começar com os
princípios fundamentais, os conceitos mais universais que podemos encontrar, e
aplicá-los em qualquer situação que queiramos compreender. O princípio dos
ciclos ou da reencarnação pode ser aplicado com utilidade a qualquer coisa em
manifestação. A antiga máxima “Tal em cima, tal em baixo” indica que tudo que
conhecemos em manifestação é uma derivação, uma emanação ou um aspecto de
alguma coisa mais geral em um plano superior, e que as mesmas leis se aplicam
em escalas menores de manifestação.
Na Doutrina Secreta (I-75) H. P. Blavatsky fala do
mesmo princípio quando ela aborda a Cosmologia. Ela diz, “Se o estudante considerar
que existe apenas Um Elemento Universal, o qual é o infinito, não nascido e
imortal, e que todo o resto, assim como no mundo dos fenômenos, representa
apenas os muitos aspectos diferenciados e transformações (correlações, como são
agora chamadas) daquele Um, do Cósmico descendo aos efeitos micro-cósmicos, do
super-humano descendo aos seres humanos e sub-humanos, a totalidade, em resumo,
da existência objetiva, então e primeira e maior dificuldade irá desaparecer, e
a Cosmologia Oculta será dominada”.
A mesma regra se
aplica às idéias, e é por esta razão que a Teosofia recomenda que o estudante
olhe primeiro para as idéias fundamentais presentes no Prólogo da Doutrina
Secreta, e, com elas emmente como uma base ou lente constante, examine as particularidades
da vida e de nós mesmos; na Natureza e em nossas próprias naturezas. Com esta
prática nós começaremos a clarificar o caminho para a luz da Mente Universal, e
a dissipar as sombras que tão freqüentemente anuviam a nossa compreensão. Estes
princípios podem ser encontrados também em um panfleto da United Lodge of
Theosophists chamado “Fudamentals of Theosophy”.
Resposta à questão No. 4
Existem muitas razoes pelas quais
algumas idéias parecem “decolar” e ter grandes efeitos. Nós iremos abordar
apenas algumas, mas deve haver outras que você pode ter pensado. Nós sabemos
que existiram algumas idéias (pensamentos) poderosas o suficiente para mover
nações inteiras, como aquelas que iniciaram a República Americana, enquanto
muitas outras são, como diz o Sr. Crosbie, “como bolhas de sabão e não viajam
muito longe”. Existiram pensamentos que causaram grandes mudanças no modo de
pensar do mundo inteiro, para o bem ou para o mal, e nós sempre experimentamos
mudanças em nossas vidas que foram trazidas por alguma idéia, algum conceito
que chegou a nós. A percepção destes fatos nos dá uma pista sobre como nós
podemos usar as “idéias” para mudar as nossas vidas e a vida daqueles que nós
queremos ajudar.
Como o radio, não é necessário haver apenas um emissor, mas
deve haver um receptor que esteja sintonizado no comprimento de onda do
emissor. Existem muitas grandes idéias no mundo, mas a menos que existam
aqueles que estejam prontos a recebê-las, elas permanecerão dormentes até que
sejam colhidas por um receptor. Uma idéia normalmente não fica registrada a
menos que alguém se interesse ou precise dela. Victor Hugo disse, “Mais forte
que todos os exércitos do mundo é uma idéia cujo momento tenha chegado”. Os
Grandes Mestres da história sempre apresentaram seus ensinamentos quando o
momento e a necessidade eram corretos. Krishna, no capítulo 4 do Bhagavad-Gita,
afirma, “Eu produzo a mim mesmo entre as criaturas, Ó filho de Bharata, quando
quer que haja um declínio da virtude e uma insurreição do vício e da injustiça
no mundo; E assim eu encarno, de era em era, para a preservação dos justos, a
destruição do mal, e o estabelecimento do equilíbrio”.
Mas o poder de um pensamento demanda mais que isso. Ele deve
ter integridade, isto é, não deve apresentar contradições que diminuam seu
poder. Ele deve ser claro e bem definido, e deve ser compreensível a todos
aqueles que seja sua intenção alcançar. Além disso há o poder que é colocado
por trás do pensamento, poder que vem de outra parte da nossa natureza. Este
poder pode vir de duas direções: um forte desejo ou a aversão pode transformar
um pensamento em um agente ativo e poderoso; por outro lado, o poder pode vir
de uma vontade controlada e concentrada. A idéia dá forma e direção, e vontade
fornece o poder de mantê-lo vivo e confere-lhe força efetiva.
Algumas vezes nós desejamos que uma boa idéia que
encontramos pudesse ser mais efetiva sobre a nossa própria personalidade, e
pudesse realizar mais mudanças em nossa natureza. Para isso, a repetição é uma
das práticas mais efetivas. Se atribuirmos tempo para retornar a esses
pensamentos, e periodicamente executá-los em nossa mente, eles adquirem o poder
necessário para realizar os resultados que nós esperamos. Utilizando a “Lei dos
Ciclos” nós podemos realizar as mudanças para melhor de maneira indolor.
Há mais um fato que precisa ser mencionado. A Teosofia
sustenta que, devido à unidade básica em toda a vida, as idéias têm mais poder
quando estão em consonância com as Leis da Vida Una, quando elas estão
alinhadas com a tendência geral em direção à iluminação Espiritual. As idéias
que vão contra essas leis freqüentemente prosperam por algum momento, mas têm
um obstáculo extra a superar, e finalmente perdem a batalha contra a lei básica
e universal da Irmandade.
Resposta à questão No. 5
Duas forças
podem produzir a concentração; a vontade controlada do individuo, ou alguma
força externa que eletrize a nossa atenção, como o medo, o desejo, a
curiosidade, o amor, a avareza, a inveja, a ganância, etc. Se for a vontade, é
o Ego interior que está produzindo a concentração. É um ato deliberado e
proposital, completamente sob o controle do Ego. Se for a outra causa, o
controle está centralizado externamente, e vem da natureza inferior ou desejosa.
O desejo forte é freqüentemente confundido com a vontade forte. A principal
diferença entre os dois é a causa motivadora.
Na tradução do Yoga Aphorisms by Patanjali feita pelo
Sr. Judge encontra-se a afirmação, “Concentração, ou Yoga, é o impedimento da
modificação do princípio pensador”. O seu comentário a respeito desses versos
é, “Em outras palavras, a vontade de concentração do pensamento deve-se ao fato
que a mente, aqui chamada de ‘princípio pensador’, está sujeita às constantes
modificações pela razão de estar se difundindo em uma multiplicidade de
objetos. Então, a ‘concentração’ é equivalente à correção de uma tendência de
difusividade, e à obtenção do que os Hindus chamam ‘focalização-em-um’, ou o
poder de aplicar a mente, a qualquer momento, à consideração de um único ponto
do pensamento, à exclusão de todo o resto.”
Ao responder à questão do principal inimigo para a mente
alcançar a verdade, o Sr. Judge disse em seu artigo “Mental Discipline”:
O principal adversário a uma
segunda natureza é...o reaparecimento de pensamentos e imagens devido à
recordação ou à memória. A memória é um poder importante, mas a mente por si só
não é a memória. A mente é inquieta e errante por natureza, e precisa ser
controlada. A sua disposição errante é necessária, ou o resultado seria a
estagnação. Mas ela precisa ser controlada e ordenada sobre um objeto ou
idéia.
O controle parece ser um fator importante e básico na
concentração. A verdadeira concentração faz apenas isso, ela mira a mente em um
ponto, um tema, uma questão, focalizando todos os seus raios em uma direção, e
mantendo-os ali até que ela tenha provado as profundezas do tema ou objeto em
questão. O prefacio de Patanjali, citado anteriormente, tem isso a dizer a
respeito do verdadeiro conhecimento.
O termo
“conhecimento” conforme usado aqui tem um significado maior do qual normalmente
estamos acostumados. Ele implica a completa identificação da mente, por algum
intervalo de tempo, com qualquer objeto ou tema ao qual ela seja direcionada. A
ciência e a metafísica modernas não admitem que a mente possa conhecer além de
certos métodos ou distâncias assumidas...Afirma-se, por exemplo, que não é
possível conhecer os constituintes e as propriedades de um pedaço de rocha sem
técnicas mecânicas ou químicas aplicadas diretamente ao objeto; e que nada pode
ser conhecido dos pensamentos e sentimentos de outra pessoa a menos que eles
sejam expressos em palavras ou atos...Mas este sistema declara que o praticante
que tiver alcançado certos estágios pode direcionar a sua mente a um pedaço de
rocha, esteja a distancia ou perto, ou a um homem ou classe de homens, e, por
meio da concentração, conhecer todas as qualidades inerentes dos objetos, assim
como as peculiaridades casuais, e saber tudo sobre o assunto.
Então o que
é isso que se concentra? É a nossa atenção. Nossa atenção, a qual leva os
poderes perceptivos da alma, é focalizada sobre um ponto e mantida ali por
qualquer período de tempo desejado. O Sr. Judge afirma em “The Culture of
Concentration”, “Deve haver em nós um poder de discernimento, cujo cultivo nos
permitiria conhecer tudo o que desejássemos conhecer. A existência deste poder
é afirmada por professores de ocultismo, e o modo de adquiri-lo é com o cultivo
da concentração”.
Resposta à questão No. 6
Certamente a hipótese básica deveria ser a de sempre
reconhecer que existe em cada criança um Ser imortal, um Ego buscando exercer
controle sobre o seu novo corpo, cérebro e natureza emocional visando
personificar-se de modo cada vez mais desenvolvido, e assim construir a
personalidade em um instrumento eficiente e confiável. Uma vez que tenhamos
essa posição resoluta, poderemos fazer aquilo que é necessário para ajudar
nesta tarefa, sem tentar fazer a tarefa pela criança. Nós estaríamos aptos a
reconhecer que cada criança é única, e tem diferentes talentos, diferentes
iniciativas, e diferentes obstáculos a superar. Nós ouviríamos, observaríamos e
ajudaríamos a criança a encontrar o seu próprio caminho. Assim como um técnico
de esportes oferece uma série de desafios ao atleta, do mesmo modo o educador
deve fornecer desafios que conduzam ao desenvolvimento da inteligência,
mostrando confiança, encorajamento e interesse genuíno.
O educador não deve oferecer respostas às crianças, mas os
meios para que elas as construam. Ele certamente deve ajudar a criança a
desenvolver algumas idéias fundamentais, comparáveis aos fundamentos da
matemática ou geometria, idéias que possam ser aplicadas em qualquer direção.
Uma grande distinção é que o educador com uma postura Teosófica deveria ajudar
a criança a estabelecer sua própria base ética, não-sectária e universal em
suas raízes, assim como em suas aplicações. Educar significa levar a diante, e
Platão sugeriu que a verdadeira educação é recuperar a memória das experiências
passadas. Se nós buscarmos e ouvirmos com atenção cuidadosa, perceberemos que a
criança tem uma compreensão natural da justiça e da ética. A Alma, se não for
vendada com opiniões e dogmas, sabe o que é certo e o que é errado.
Na Revista de Bronson Alcott encontra-se:
A ocupação do instrutor deveria
ser simples, realizar o despertar, revigorar, orientar, ao invés de forçar as
capacidades da criança em direções prescritas e exclusivas de pensamento. Ele
deveria olhar a criança para ver o que precisa ser feito, ao invés do seu livro
ou sistema. A criança é o livro. A atividade da sua mente é o verdadeiro
sistema. Se ele se dedicar a isto com atenção, seu sucesso é certo. Se ele
realizar os impulsos, os pensamentos e as vontades da mente e do coração das
crianças, em seus próprios princípios e ordem racional de expressão, então este
treinamento será aquele que Deus planejou ser, uma ajuda a preparar a criança a
ajudar a si mesma.
No Key
to Theosophy (pp 270-1), H. P. Blavatsky coloca:
Um sistema adequado e saudável de
educação deveria produzir a mente mais vigorosa e liberal, estritamente
treinada na lógica e no pensamento acurado, e não na fé cega...Nós iríamos
reduzir o trabalho puramente mecânico de memorização a um mínimo absoluto, e
devotaríamos o nosso tempo ao desenvolvimento e treinamento dos sentidos
internos, das faculdades e capacidades latentes. Nós iríamos nos esforçar para
lidar com cada criança como uma unidade, e educá-la de modo a produzir o mais
harmonioso e equânime desdobramento dos seus poderes, de modo que essas
aptidões especiais encontrariam seu desenvolvimento natural e completo. Nós
iríamos ajudar a criar homens e mulheres livres, intelectual e
moralmente falando, sem preconceito em relação a nada, e acima de tudo, altruístas.
E nós acreditamos que boa parte disso, se não tudo, pode ser obtido com a
educação adequada e verdadeiramente teosófica.
Resposta à questão No. 7
Provavelmente o primeiro pensamento que vem a mente é que
aqui há um exemplo do “quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?”. Certamente
um alimenta o outro. Apegos e aversões, sentimentos a favor e contra nos
estimulam a propor explicações ou desculpas. Isto é chamado justificação, e não
importa quão ilógica, estas desculpas se tornam embebidas na mente e continuam
a afetar as nossos percepções e nosso julgamentos. Os sentimentos afetam a
nossa compreensão. Fortes sentimentos de natureza egoísta podem nos cegar
completamente, enquanto que fortes sentimentos de natureza altruísta podem nos
conduzir a insights profundos sobre as verdades básicas da vida.
Por outro lado, as idéias, verdadeiras ou falsas, podem
formar a base para sentimentos de um tipo ou de outro. Mesmo que as idéias por
si mesmas se tornem ocultas da vista e da memória, elas podem deixar sementes
no solo que farão brotar sentimentos, preconceitos, medos, etc. Como exemplo,
H. P. Blavatsky fala que “o solo mais fértil para o crime e a imoralidade é a
crença de que é possível a alguém escapar das conseqüências das suas próprias
atitudes.” (Key, p. 248) E do lado positivo, todo o Movimento Teosófico
baseia-se na convicção de que uma vez que as pessoas estejam convencidas das
doutrinas da Reencarnação e do Carma, os sentimentos de maldade eegoísmo para
com os outros irão desaparecer.
É difícil dizer qual vem primeiro, ou qual tem mais poder.
No Ocean of Theosophy, o Sr. Judge apresenta uma interessante seqüência
de causa e efeito que nos faz pensar que existe uma pequena, se é que existe, separação
real entre o sentimento e a idéia. Na página 59, encontramos:
...Manas Inferior ainda está
preso ao desejo, o qual é o princípio preponderante no período atual. Sendo tão
influenciada pelo desejo, Manas é continuamente iludida enquanto no corpo, e
sendo assim iludida é incapaz de evitar a ação sobre ela das forças
estabelecidas durante a vida. Estas forças são geradas por Manas; isto é, pelo
pensamento da vida presente. Cada pensamento faz uma ligação tanto física
quanto mental com o desejo o qual está enraizado.
Se nós tivermos idéias ou sentimentos em nosso instrumento
que precisem ser descobertas,devemos realizar uma busca pelas raízes, e estas
podem ser encontradas em algum medo, desejo, etc., e este medo ou desejo
precisa de uma justificação de uma idéia que o torne aceitável. Ou pode haver
idéias embebidas em nós desde muito cedo que, ao longo dos anos, tomaram a
forma de um sentimento, uma dependência, uma confiança, uma coragem, ou falta
de confiança. Freqüentemente estas raízes, quando chegamos a elas, são idéias a
respeito de coisas básicas como Divindade, Lei e a respeito da natureza do
Homem.
Continuando o a exposição de que as idéias e pensamentos não
estão nunca separados, o Sr. Crosbie, na página 6 do Answers to Questions,
vai um passo além quando oferece idéias sobre Buddhi. Ele diz, “Buddhi é o Ego
Imortal. Buddhi não pode ser descrito. Ele é o sentimento, as experiências
acumuladas, todas as nossas experiências estão em sentimento.” E falando a
respeito do mais elevado sentimento, no Voice of the Silence
encontramos, “Compaixão não é atributo. É a Lei das Leis, harmonia eterna, o
Ego de Alaya...”
Resposta à questão No. 8
Em resposta a essa questão, H. P. Blavatsky afirmou em Key,
p. 29:
Nós sustentamos que a centelha
divina presente no homem sendo una e idêntica em sua essência ao Espírito
Universal, o nosso “ego espiritual”, é praticamente onisciente, mas não pode
manifestar seu conhecimento devido aos impedimentos da matéria. Quanto mais
esses impedimentos são removidos, mas completamente o Eu superior pode se
manifestar neste plano.
E também na
p. 181:
...a menos que um Deus desça como
um Avatar, nenhum principio divino pode ser de outra forma se não
limitado e paralisado pela matéria animal e turbulenta. A heterogeneidade
sempre terá domínio sobre a homogeneidade neste plano de ilusões, e quanto mais
próxima uma essência está da seu princípio raiz, a Homogeneidade Primordial,
mais difícil é para ela se expressar na terra. Os poderes divinos e espirituais
permanecem dormentes em cada Ser humano; e quanto mais amplo o alcance da sua
visão espiritual, mais poderoso será o Deus dentro dele. Mas como poucos homens
podem sentir este Deus, e assim, como regra geral, a divindade está sempre presa
e limitada em nosso pensamento pelas percepções precoces, estas idéias que são
colocadas em nós na infância, é tão difícil para você entender a nossa
filosofia.
Não são apenas estes conceitos primitivos e freqüentemente
errôneos que limitam os esforços do Ego encarnado, mas, como aponta o Sr.
Crosbie, as ações da Mente Superior são obscurecidas também pela memória da
vida presente e as imagens de cenas, pensamentos e sentimentos passados
apresentados pelo cérebro astral. A mente inferior não controlada está
constantemente sendo atraída por um desses pensamentos, sentimentos ou
memórias. Enquanto nós não a controlarmos, alguma outra coisa o fará.
Por que nós permitimos que isto aconteça? Por que nós nos
isolamos de nossa verdadeira natureza. Por que permitimos que esse nosso
instrumento roube o lugar e o poder que são nossos por direito?
A resposta dada por todos os Grandes Mestres ao longo da
história é a mesma, nós esquecemos quem somos. Nós esquecemos que somos este
Ser Superior, este Ego Reencarnado que viveu, experimentou e aprendeu ao longo
de incontáveis vidas. É o trabalho constante deles vir e nos lembrar quem
somos, e qual é a nossa responsabilidade. É a história de Krishna no
Bhagavad-Gita, que chega a Arjuna, o discípulo, para lembrá-lo de sua herança
espiritual e da responsabilidade que ele tem em guiar o seu reino --- todas as
entidades que formam a sua natureza inferior.
A filosofia que constitui os argumentos apresentados por
Krishna nos dezoito capítulos forma um clássico do pensamento mundial, chamada
como o “estudo dos adeptos”, e nós recomendamos para os estudantes sérios que
vale a pena investir tempo e atenção no estudo deste pequeno porém poderoso
livro. E podemos ainda ir adiante em nossas sugestões ao dizer que a tradução
feita pelo Sr. Judge que consta na nossa lista de livros será a melhor para
esclarecer os significados sutis, porque o poema foi traduzido muitas vezes, e
muitas vezes a tradução foi feita a parir do ponto de vista estritamente
materialista, deste modo perdendo o propósito da psicologia que é baseada na
primazia do espírito. O estudo deste texto em conjunto com o Notes on the
Bhagavad-Gita tem sido para muitos de nós uma educação inestimável tanto na
filosofia quanto na psicologia. Estes livros são regularmente utilizados nas
sessões de estudo de quarta-feira à noite.
Uma vez que tenhamos a percepção de quem somos e o que
estamos fazendo aqui, nos tornamos conscientes da importância de tomar o
controle da mente e nos colocarmos na posição de tomada de decisão sobre quais
idéias iremos utilizar como base de trabalho para o nosso pensar e perceber.
Nós temos esta capacidade de reter, refinar ou substituir idéias, e temos a
responsabilidade de fazer isso, uma vez que esta é uma das principais razões do
porque estamos aqui encarnados. Afirma-se que a mente é uma ótima serva mas uma
terrível mestra. E nós não devemos fazer vistas grossas ao fato de que, na
ciência oculta, o modo mais eficiente para clarificar a mente inferior de modo
a permitir que a mente superior possa brilhar é através das ações em benefício
dos outros. Isto é o altruísmo prático.
Resposta à questão No. 9
Tanto a oportunidade quanto o poder de mudar a constituição
da nossa mente estão sempre presentes. Estejamos ou não conscientes disso,
estamos sempre escolhendo quais idéias e sentimentos nós permitimos que façam
parte do nosso instrumento de trabalho, muitas vezes escolhendo não escolher.
Muitas destas idéias são “velhas amigas” que nos foram oferecidas enunca
pensamos muito a respeito, nem questionamos ou examinamos. Algumas são idéias
superficiais que repousam sobre outras mais profundas, fundamentais, enquanto
outras são aquelas mais básicas e poderosas que são mais difíceis de
arrancar.
A grande maioria das idéias que utilizamos está baseada
sobre outras idéias subjacentes, idéias ou hipóteses que formam a fundação ou o
nosso ponto de vista básico do agir e pensar diários. Sem alcançarmos estas,
sem examiná-las e, se necessário, modificá-las, pouco pode ser feito para levar
a mente à sua capacidade ótima. É difícil alcançar estas idéias ou preconceitos
profundamente enraizados, porque eles têm estado conosco por tanto tempo que
nós acreditamos serem a nossa verdadeira natureza. Mas uma vez que sejam
trazidos à superfície e façamos as mudanças, todas as idéias superficiais
reagirão para formar a nova base.
Isto nos leva ao ponto que pode ser difícil de entender de
início, mas que apresenta um modo inteiramente novo de considerar os processos
da mente e os processos de aprendizado. É afirmado que os Mestres não
preencheram a Suas mentes com conhecimento enciclopédico, fatos intermináveis
sobre tudo o que é conhecido. Pelo contrario, Suas mentes na verdade não são
sobrecarregadas com este tipo de conhecimento. Mas eles dominaram perfeitamente
o poder de conhecer qualquer coisa a qualquer momento que seja
necessário. Como isto ocorre?
Os Mestres cultivaram a prática do uso das idéias universais
como a lente pela qual eles recebem todas as Suas percepções. Estas idéias
podem ser aplicadas em todas as situações e momentos, e podem produzir
verdadeiros insights, conhecimentos ou qualquer coisa que esteja
para ser conhecida. A Teosofia sugere que nós cultivemos a prática de basear
todos os nossos pensamentos e ações sobre idéias fundamentais, e movimentá-las
em aplicações particulares. Isto necessita, é claro, da construção sobre
algumas idéias fundamentais que tenham sido testadas ao longo dos séculos,
idéias que têm sido a pedra fundamental de todos os Grandes Professores ao
longo da história. Uma vez que as tenhamos compreendido e decidido tentar
aplicá-las em nossas próprias vidas,começaremos a ver a diferença que fazem em
nossa percepção e em nosso entendimento.
Um dos grandes objetivos do eterno Movimento Teosófico é a reapresentação
das Idéias Fundamentais da Vida à raça humana, idéias apresentadas como
proposições para a nossa consideração, e não como dogmas. Como você pode saber,
estas proposições fundamentais são reapresentadas nesta era por H. P. Blavatsky
no Prólogo da “Doutrina Secreta”. Outros enunciados destas Idéias Fundamentais
podem ser encontrados nos panfletos “Fundamentals of Theosophy” and “Theosophy
Simply Stated.”
Resposta à questão No. 10
Nós sabemos que na morte o cérebro se desintegra junto com o
corpo, mas a Teosofia coloca adicionalmente que existe dentro de nós aquilo que
não se desintegra, a Mente Superior, ou nossa verdadeira Identidade, que retém
a essência de todas as nossas experiências passadas, adicionando estas à soma
total do nosso caráter.
Citando do Ocean
of Theosophy, p. 57:
O Ego interior, que reencarna
indo de corpo a corpo, armazenando as impressões vida após vida, ganhando
experiência e adicionando-a ao Ego divino, sofrendo e regozijando através dos
imensos períodos de anos, é o quinto princípio, Manas, não unido a Buddhi. Esta
é a individualidade permanente que dá a cada homem o sentimento de ser ele
mesmo e não outra pessoa, ... ela preenche o vazio produzido pelo sono; do
mesmo modo, ela preenche o vazio produzido pelo sono da morte.
Embora a consciência disso possa ainda estar escondida de
nós no presente estágio, há dentro de nós aquilo que une todas as nossas vidas
e experiências formando o que chamamos a identidade Egóica.
No Key
to Theosophy, p. 179, H. P. Blavatsky afirma:
Existe uma consciência
espiritual, a mente Manásica iluminada pela luz de Buddhi, que com a
subjetividade percebe as abstrações; e a consciência dos sentidos (a luz
Manásica inferior), inseparável do nosso cérebro físico e de nossos
sentimentos. Esta última consciência é mantida sujeita ao cérebro e aos
sentidos físicos, e sendo igualmente dependente deles, deve, é claro, se
desvanecer e finalmente morrer com o desaparecimento do corpo e dos sentidos
físicos. Apenas o primeiro tipo de consciência, cujas raízes repousam na
imortalidade, que sobrevive e vive eternamente, e pode, assim, ser considerada
imortal.
À morte do corpo, o Ego precisa extrair os valores
essenciais da mente inferior. Isto ocorre nos primeiros estágios do estado de
pós-morte, com os últimos estágios sendo coloridos pelo que H. P. Blavatsky
chama, “a memória espiritualizada... da ex-personalidade, Sr. A
ou Sr. B, com as quais o ego se age:EN-US">
Curso de Filosofia Esotérica
Módulo
5
O Corpo e o Corpo Astral
A inteira disputa entre a
ciência profana e a esotérica se mantém na crença e na demonstração da
existência de um corpo astral dentro do corpo físico, o primeiro independente
do último.---- The Secret
Doctrine, II, 149, 1888.
O reconhecimento de um corpo astral que precede o corpo
físico, e que isso é na verdade uma necessidade na formação de qualquer forma
física, representa um importante e significativo passo na percepção final de
que o aspecto interior da vida é sempre causal, e que o exterior,
visível a nós, é sempre o efeito. O corpo por si próprio não poderia
funcionar, nem mesmo reter a sua estrutura, sem o corpo astral básico interior;
tão logo a Ciência venha a compreender isso, mais cedo ela encontrará a chave
para muitos dos seus preocupantes mistérios.
Não muito tempo atrás a existência do corpo astral dentro do
corpo físico efêmero era um fato aceito. Foi a iniciativa de Descartes em
explicar o movimento de todas as partículas de matéria e dos corpos orgânicos
de acordo com as leis de movimento que estabeleceu o materialismo no mundo
cientifico, e não deixou espaço para nada que não pudesse ser fisicamente
sentido.
Mas o materialismo está próximo de seu fim. Há alguns anos
atrás Robert Millikan, um dos cientistas líderes no mundo, ao relatar uma série
de descobertas importantes na física conduzindo à relatividade e aos fenômenos
atômicos nos quais o princípio da incerteza de Heisenberg se fundamenta,
concluiu: “Como resultado, o materialismo dogmático está morto.” O próximo
passo além do materialismo foi apontado por Einstein em 1938 quando ele
afirmou, “Aos poucos e com muito esforço o conceito de campo estabeleceu para
si mesmo um lugar de destaque na física, e permaneceu como um dos conceitos
físicos básicos. O campo eletro-magnético é, para um físico moderno, tão real
quanto a cadeira sobre a qual ele se senta.”
E se o campo magnético subjacente for ainda mais real que o
envelope externo, qual a importância e a função do corpo físico?
O QUE É O CORPO FÍSICO?
No Ocean p. 36, o Sr. Judge afirma que o corpo físico
é “a mais transitória, provisória, e ilusória de toda a série de constituintes
do homem... Sempre em mutação, em movimento em cada parte, ele nunca está
completo ou acabado de fato, embora tangível. Apesar disso nós sabemos que o
corpo é de grande importância para nós no presente estágio de evolução. Ele é o
nosso meio de contato com a vida, e de adquirir experiências neste plano, assim
como nosso meio de ajudar as vidas que o constituem.
Nós pensamos no corpo como sendo feito de carne, ossos,
músculos, sangue, matéria cerebral, etc., enquanto que na verdade ele é feito
de inúmeras “vidas” ou inteligências que realizam estas funções por um
período de tempo e passam a outros aspectos em seu ciclo de evolução. É bem
sabido que a matéria que forma o nosso corpo atualmente será completamente
substituída por uma nova matéria dentro de um período de sete anos. Estas vidas
passaram por eras e eras de treinamento e experiências em diversas formas da
natureza, e agora estão preparadas para operar na forma humana. Elas são uma
parte do registro de nossa história passada, uma inteligência acumulada de
elevado grau, e é devido a esta inteligência que elas são capazes de responder
às demandas extremamente complexas que recebem do cérebro.
Podemos dizer, então, que o material que forma o nosso corpo
é nosso? Não, mas durante o período em que ele está sob nossos cuidados nós
somos responsáveis por ele, pelas inclinações e disposições que nós o
submetemos. Quando estas vidas deixam o nosso corpo, elas retornam a alguma das
muitas formas na Grande Natureza, levando consigo as tendências que nós lhes
demos.Nós iremos vê-las novamente? Provavelmente sim, devido à atração
magnética que estabelecemos. Este é um dos processos universais de
evolução.
No Ocean p. 35, o Sr. Judge tem isso a dizer a
respeito dessas vidas:
Um dos mistérios da vida física
está escondido entre estas “vidas”. A sua ação compelida adiante pela energia
da Vida, chamada Prana, ou Jiva,explica a existência ativa e a
morte física. Elas estão divididas em duas classes, os destruidores e os
preservadores, e estas duas duelam contra a outra desde o nascimento, até que
os destruidores vençam.
Ele continua a explicar que quando estamos adormecidos, nós
estamos absorvendo a Energia da Vida, mas para estarmos despertos e ativos nós
temos que resistir ao fluxo da vida do mesmo modo que o filamento em um bulbo
de luz elétrica resiste contra o fluxo de eletricidade para produzir a luz.
Como o filamento termina por não resistir à passagem da eletricidade, as vidas
no corpo finalmente perdem a capacidade de resistir à Força da Vida, e a Vida
mata o corpo.
“Vida”, diz o Sr. Judge, (Ocean, p. 37), “é um
princípio universalmente impregnante. Ela é o princípio no qual a terra flutua;
ela permeia o globo e cada ser e objeto nele”. Quando nós encarnamos em um
corpo, precisamos de um instrumento ou veículo especial para transformar esta
força universal de vida em uma energia particularizada que sustente o nosso
corpo. Em Sânscrito esta vida universal é chamada Jiva. A vida
particularizada é chamada Prana. Na morte, a energia da vida não
desaparece; ela retorna à sua forma universal para ser utilizada por outro
veículo especializado.
O CORPO ASTRAL
Todas as formas previamente mencionadas, nós iremos ver, são
dependentes de um veículo que possa realizar pelo menos duas funções
importantes: ele deve ser capaz de transformar a força energética universal em
uma vitalidade individual; e ele deve ser um modelo de orientação para o
físico, que mantenha a sempre mutante matéria física em uma forma e um
semblante de solidez. Este veículo é o Corpo Astral. Ele recebeu muitos nomes;
duplo-etérico; fantasma; doppelgänger; homem pessoal; alma irracional e muitos
outros, mas o melhor é o termo Sânscrito, Linga Sarira, cujo significado
designa corpo. Ele não é apenas o modelo para o corpo físico, mas é na verdade
o corpo físico real, e pode, sob certas circunstâncias, operar de
maneira independente do invólucro físico. O termo Corpo Astral é utilizado
porque a substância de sua forma é derivada da matéria cósmica ou estelar,
falando a grosso modo, e ele pode ser descrito como um “campo” elétrico e
magnético. O Sr. Judge tem mais a acrescentar sobre a constituição deste
poderoso e interessante corpo na página 39 do Ocean:
O corpo astral é feito de matéria
de textura muito fina se comparada ao corpo físico visível, e tem uma
resistência à tração maior, de forma que ele muda muito pouco durante o tempo
da vida, enquanto que a matéria física se altera o tempo todo. E não apenas ele
tem esta grande resistência, mas ao mesmo tempo possui uma elasticidade que
permite a sua extensão a distâncias consideráveis. Ele é flexível, plástico,
extensível e forte. A matéria que o compõe é elétrica e magnética em sua
essência, e é exatamente do que o mundo inteiro era composto em um passado
longínquo, quando o processo de evolução não havia ainda chegado a ponto de
produzir o corpo material do homem. Mas ela não é matéria rude ou crua. Tendo
passado por um amplo período de evolução, e submetida a processos de
purificação de incalculável número, a sua natureza foi refinada a um grau muito
acima dos constituintes físicos brutos que nós vemos e tocamos com o nosso olho
físico e nossas mãos.
Foi afirmado anteriormente que o Corpo Astral é, na verdade,
o corpo físico real. Isto é demonstrado pelo fato de que quando estamos
dormindo, ou em transe ou estado hipnótico, nós temos um conjunto completo e
ativo de sentidos interiores. Os sentidos reais estão no Astral, sendo os
externos apenas o contato físico com este plano ou matéria. O Sr. Judge
adiciona, “Ele tem um sistema particular de nervos e artérias completo, para a
distribuição do fluido astral, que é para este corpo o que o sangue é para o
físico. Ele é o homem pessoal real. Nele estão localizadas as percepções
subconscientes e a memória latente, a qual os hipnotizadores lidam e são
confundidos.” (Ocean, p. 42)
COMO O CORPO ASTRAL É
PRODUZIDO?
O Corpo Astral precede o físico e serve como um padrão pelo
qual o corpo físico é construído. De maneira semelhante, o ser interior, a
mente, projeta o astral como uma ligação entre o seu mundo e este. A formação
deste corpo é, claro, orientada pelo Carma individual do ego, o Carma que traz
as condições corretas para a próxima encarnação. Ele também é afetado pelos skandhas,
os traços de caráter formados pelo ser enquanto num corpo anterior. Estes skandhas
poderiam ser ditos como sendo as memórias das lições passadas ou lições não
aprendidas que nos deixaram na morte mas nos encontram novamente na próxima
encarnação.
Nós realmente criamos nosso próprio corpo astral, ainda que
nossas capacidades de alterar a forma deste corpo sejam limitadas às mudanças
periféricas e não àquelas da forma geral. A forma humana que conhecemos foi
estabelecida para esta era, e o efeito dos nossos pensamentos e ações está
limitado ao refinamento ou à corrupção desta forma básica. H. P. Blavatsky diz,
na Secret Doctrine: (Vol I, p. 282 e fn.)
Então nossas formas humanas têm
existido na Eternidade como protótipos astrais ou etéreos,...O ocultismo ensina
que nenhuma forma pode ser dada a nenhuma coisa, seja pela natureza ou pelo
homem, cujo tipo ideal já não seja existente no plano subjetivo. Mais que isso;
que tal forma não é possível de entrar na consciência do homem, ou evoluir em
sua imaginação, se não existir em protótipo, ou pelo menos em aproximação.
QUANTO NÓS PODEMOS
AFETAR O CORPO ASTRAL?
É ensinado que
o Corpo Astral muda muito pouco durante o período da vida, e que mesmo o ácido
ou o aço cortante não o afetam. Mas ele é afetado em algum grau pelos nossos
pensamentos e emoções. Nos estágios iniciais de desenvolvimento do feto, a
imaginação da mãe, se forte o bastante, e apoiada em alguma emoção forte, pode
afetar o astral da criança, deixando marcas ou possíveis deformidades, mas isto
é raro. O conhecimento deste fato é a razão pela qual os Gregos colocavam belas
estátuas perto do leito das gestantes.
Mas este não é o único modo pelo qual o Corpo Astral, ou na
verdade o funcionamento do Corpo Astral, é afetado pelo nosso pensar. Em seu
artigo “Mesmerism”, o Sr. Judge explica que “Todos os sentidos têm o seu lugar
nesta pessoa (o corpo astral), e cada um deles é milhares de vezes mais forte
no alcance dos seus desdobramentos que os representantes externos.” Ele
continua ao dizer, “Em uma pessoa normalmente saudável, estes sentidos astrais
são inextricavelmente unidos ao corpo, e limitados pelo aparato que ele fornece
durante o estado acordado.” Apenas quando estes órgãos externos são paralisados
pelo sono ou outro processo de mesmerizacão que os sentidos interiores podem
operar livremente e dar ao homem a visão relativamente ilimitada que eles
oferecem.
Há, entretanto, outro meio pelo qual estes sentidos astrais
podem ser trazidos ao uso pelo próprio indivíduo, um modo que nós todos iremos
seguir no decurso do tempo, um modo que é parte da nossa evolução futura. No seu
fascinante artigo “The Culture of Concentration”, o Sr. Judge explica que, com
o cultivo da concentração da mente, nós podemos gradualmente liberar estes
sentidos interiores de suas contrapartes externas, e assim liberá-los para
agirem ao seu modo. Ele tem essas dicas sobre o desenvolvimento dos nossos
poderes interiores:
Deve existir em nós o poder do
discernimento, o cultivo do qual irá nos libertar para conhecer tudo que
desejarmos saber. A existência destes poderes é afirmada pelos mestres do ocultismo,
e o modo de adquiri-los é através do cultivo da concentração.
Geralmente é negligenciado, ou
não se acredita que o homem interior, que é aquele que tem estes poderes, deve
crescer à maturidade, assim como o corpo tem que amadurecer até que os seus
órgãos realizem suas plenas funções. Por homem interior eu não quero
dizer eu superior, o Ishwara anteriormente mencionado, mas aquela parte de nós
que é chamada de alma, ou homem astral, ou veículo, e assim por diante...
Enquanto é verdade que o segundo,
ou homem interior, tem latentes todos os poderes e peculiaridades atribuídas ao
corpo astral, é igualmente verdade que estes poderes estão, na maioria das
pessoas, ainda latentes ou apenas muito parcialmente desenvolvidos.
Este ser interior é, por assim
dizer, inextricavelmente embaraçado no corpo, célula por célula e fibra por
fibra.
De forma geral não há demarcação
que seja observada entre estes órgãos interiores e os exteriores; o ouvido
interno está muito entrelaçado com o externo para poder ser percebido à parte.
Mas quando a mal" style="margin-top: 0; margin-bottom:
0">Conforme mencionado, o corpo astral tem um conjunto completo de
sentidos e órgãos que são os “originais” daqueles do corpo físico. Mas sendo
formado de uma matéria muito mais refinada e desenvolvida, estes poderes não
são apenas muito mais elevados, mas eles abrangem um número maior e diferente
de funções.
É o nosso mundo “material” que impõe as restrições do tempo
e espaço sobre as nossas percepções. Quando os sentidos internos são libertados
destas restrições, os obstáculos do tempo e do espaço não existem mais para
eles. As funções de telepatia, clariaudiência e clarividência se tornam
operações naturais a eles. E como eles podem perceber as causas que já foram
estabelecidas, e os resultados que deverão ocorrer, eles podem oferecer, em
certo grau, uma visão do futuro. E já que eles podem apresentar percepções mais
abrangentes e profundas, eles oferecem avenidas para o poder de discernimento
do Ego.
É no plano astral que as imagens e memórias de todos os
eventos da vida são capturados e armazenados. O Corpo Astral, sendo da mesma
substância, é capaz de contatar estas imagens, sons, emoções, etc. Para o
Adepto treinado isto pode ser de grande valor. Para o psíquico não treinamento
que não sabe como interpretar estes sinais, eles podem oferecer fascinação,
mas, com freqüência, confusão.
Existem muitos outros poderes atribuídos ao Corpo Astral
tais como a capacidade de expulsar uma parte do corpo, até realmente deixar o
corpo e viajar a grandes distâncias, tornar-se visível e realizar muitos outros
feitos. Estes serão abordados em maior profundidade em um tópico posterior, mas
no momento é suficiente dizer que sem o conhecimento completo das leis que governam
estes fenômenos, em conjunto como intenções e caráter puros, quaisquer
excursões nessas atividades podem ser extremamente perigosas.
No seu artigo “Sheats of the Soul”, o Sr. Judge apresenta
uma descrição do lugar e da operação normal do Corpo Astral como uma dessas
“roupas”. Ele afirma:
Então durante as longas eras que
passaram desde que a presente evolução teve início neste sistema solar, a Alma
construiu para o seu uso próprio várias vestes, variando desde as mais finas,
próximas à sua própria essência, àquelas mais remotas, terminando com a veste
física externa, e esta é a mais ilusória de todas, embora pareça, do lado
externo, verdadeiramente real. Estas vestes são necessárias se a Alma precisar
conhecer ou agir. Pois ela não pode por si mesma compreender a Natureza de modo
algum, mas transforma instantaneamente todas as sensações e idéias por meio das
diferentes vestes, até que neste processo ela tenha orientado o corpo abaixo, o
obtido por si mesma a experiência acima.
O Corpo Astral é uma dessas vestes e tem a função de relatar
ou traduzir qualquer sensação à próxima veste superior, e de maneira semelhante
ele traduz os comandos do Homem Interior aos nervos, músculos, etc., do homem
físico. E, embora o Corpo Astral contenha todos os órgãos e sentidos, o corpo
físico rudimentar é necessário ao Ego para o contato com a vida neste plano
físico.
NÓS JÁ EXISTIMOS
PREVIAMENTE SEM O CORPO FÍSICO?
Sim, houve um
tempo em que o astral era o veículo mais externo que nós precisávamos, uma vez
que a matéria por si mesma estava no estado astral. Virá o tempo no qual a
humanidade coletivamente irá enxergar através da ilusão da matéria e nós iremos
novamente operar nestes corpos refinados. Existem aqueles que atualmente já
avançaram a esse estado em que vivem e agem neste plano interior nos seus
corpos astrais. Estes são os Adeptos, Mestres, etc., que não têm necessidade
atual de veículos físicos, e todavia continuam o seu trabalho nos planos
interiores. Existem aqueles entre esses Seres, entretanto, que empregam corpos
físicos de modo que possam comunicar-se diretamente com os seres no nosso
plano. Nestes casos é ensinado que Eles podem deixar o corpo sempre que
necessário e podem operar igualmente em ambos os planos.
NÓS PODEMOS APERFEIÇOAR
OU CORROMPER O CORPO ASTRAL?
Uma vez que o Corpo Astral esteja em operação é extremamente
difícil alterá-lo em qualquer grau. Entretanto, como este corpo é o corpo
físico real, e está sujeito às atividades tanto de natureza Cármica como da mente
inferior, é possível poluir o Corpo Astral com a maldade e os pensamentos e
sentimentos horríveis.
É possível também, obstruir o uso daqueles sentidos astrais
interiores. E isto é feito principalmente pelo descrédito na sua existência, na
existência de um Ser interior. Tanto pela falta de conhecimento como pelo
preconceito materialista, nós desenvolvemos um apego às coisas que são objeto
dos sentidos físicos. Este apego tem o efeito de travar os sentidos interiores
aos externos ou físicos, e assim limitar a sua completa efetividade. No
Bhagavad-Gita Krishna fala do valor do desapego aos resultados das nossas ações
como a chave para a obtenção da percepção do Supremo.
Olhando o lado mais positivo da situação, a Filosofia fala
de um modo pelo qual o Corpo Astral pode ser alterado ou purificado; é o
processo de construção de um Corpo Astral permanente através do controle
(concentração), ao qual ela dá grande atenção, já que este é um procedimento
que nós todos teremos que começar em algum momento. É através deste esforço que
um indivíduo cria um Corpo Astral que possa ser mantido, juntamente com as suas
memórias, e poderes, vida após vida.
O Sr. Crosbie diz no Friendly Philosopher: p. 292.
Quanto mais cedo nós iniciarmos o
esforço de controlar a mente, e desejarmos conhecer e assumir a posição do
homem interior, este esforço e a compreensão trarão o acesso ao poder e à
estabilidade. Nós iniciamos algo indo à direção ao corpo astral. O que antes
eram apenas centros de forca ao redor dos quais os órgãos foram construídos,
agora tendem a se tornar órgãos astrais separados. Um crescimento gradual
destes órgãos ocorre junto conosco, até que nosso esforço termina por construir
um corpo astral, com todos os órgãos do físico completamente sintetizados, e
nós estaremos além das vicissitudes da existência física; nós temos então o
poder da ação do corpo astral. O corpo astral é ainda mais completo e efetivo
em seu próprio plano que o nosso instrumento corpóreo aqui no plano físico,
pois ele tem uma maior abrangência de ações nos seus sete supersentidos,
enquanto que fisicamente nós usamos apenas cinco sentidos.
EXISTE MAIS DE UM CORPO ASTRAL?
O corpo físico é o instrumento para a expressão de apenas um
estado de consciência, nossa consciência desperta diária. Mas o Corpo Astral
precisa cobrir uma ampla faixa de atividade. Ele deve fornecer tanto a
substância como os poderes para a expressão de vários estados de consciência, e
para os vários princípios internos do homem sétuplo. Devido ao fato que as
fases de uma vida são diversificadas, as demandas por instrumentos
especializados são igualmente diversas. Em alguns pontos nos Ensinamentos
afirma-se que existem sete corpos astrais (até sete), em outros pontos
afirma-se que existe apenas um astral com vários aspectos. Além disso é
indicado que quando uma tarefa é completada, um corpo particular pode ser
alterado para responder a uma nova demanda.
Nas últimas
páginas do Answers to Questions on the Ocean of Theosophy, o Sr. Crosbie
faz estas interessantes colocações:
Corpo astral é apenas um nome
genérico. O termo “astral” é utilizado para tudo que está além do físico. Mas
deve ser compreendido que no físico nós temos terra, água, ar e fogo como
divisões deste plano, e do mesmo modo existem divisões no astral. A forma
astral que corresponde à terra permanece com o corpo físico e se dissipa com
ele. A que corresponde à água é aquele estado da substância astral que forma o kama-rupa;
a que corresponde ao fogo é o local da consciência, o corpo do pensador.
Existem outros modos de categorizar os vários aspectos deste
corpo, mas é suficiente dizer que “Corpo Astral” é o nome dado a um princípio
interior, mais sutil, que, devido à sua natureza inteligente e plástica, é
capaz de desempenhar um número de papéis como transmissor e tradutor entre o
lado espiritual do homem e seu invólucro físico.
A CIÊNCIA ESTÁ
ATUALMENTE PRÓXIMA DE ACEITAR A EXISTÊNCIA DO CORPO ASTRAL COMO UM FATO?
A história mostra que a ciência, sendo uma instituição, tem
dificuldade em aceitar qualquer idéia nova que imponha uma mudança radical na
estrutura de sua disciplina. Esta aceitação irá provavelmente ocorrer apenas
quando uma outra disciplina, como a psicologia, a medicina, etc., venha a
enxergar este corpo como algo que possa trazer luz às suas próprias pesquisas.
Entretanto, existem alguns cientistas chegaram perto, e ainda estão se
aproximando da posição Teosófica. Os mais destacados dentre estes foram o Dr.
H. S. Burr e o Dr. F. S. C. Northrop da Universidade de Yale, os quais, em
1939, apresentaram os resultados de experimentos baseados em uma “Teoria
Eletro-dinâmica da Vida”. Nós relatamos estas afirmações retiradas de um
relatório feito pelo Editor de Ciência do New York Times em 25 de Abril de 1939:
Existe nos corpos dos seres vivos
um arquiteto elétrico o qual molda e cria o indivíduo conforme um padrão
específico, e permanece dentro do corpo desde os estágios embrionários até a
morte. Tudo o mais no corpo está sob constante mudança; a miríade de células
individuais que forma o corpo, excetuando-se as células cerebrais, cresce e
morre, sendo substituídas por outras células, mas o arquiteto elétrico
permanece como o único constante ao longo da vida, construindo novas células e
organizando-as seguindo o mesmo padrão das células originais, e assim, no
sentido literal, constantemente recriando o corpo. A morte vem quando o
arquiteto elétrico dentro dele para de operar.
O arquiteto elétrico promete ser
uma nova abordagem à compreensão da natureza da vida e dos processos vitais.
Ele indica que cada organismo possui um campo eletrodinâmico, assim como o
magneto emana para todos os lados o seu campo de força magnético. Similarmente,
as evidências experimentais mostram, de acordo com o Dr. Burr, que cada espécie
de animal e muito provavelmente também os indivíduos dentro de cada espécie,
têm seu campo elétrico característico, de modo análogo às linhas de força de um
magneto.
Outros cientistas que admitiram claramente a existência de
um padrão eletro-magnético corpóreo interpenetrando o corpo físico são aqueles
que, na União Soviética, foram capazes de fotografar, com o fotografia de
Kirlian, o corpo astral de vegetais.
Uma outra descoberta foi realizada em 1981 por Rupert
Sheldrake em “A New Science of Life”, o qual, estando insatisfeito com a
abordagem ortodoxa atual da biologia, apresentou o que poderia ser chamada de
uma teoria revolucionaria para explicar o mistério da criação. Ele afirmou que
os campos morfogenéticos têm de fato efeitos físicos mensuráveis, e que estes
campos são responsáveis pelas características de forma e organização dos
sistemas em todos os níveis de complexidade,...que eles impõem “restrições
padronizadas aos resultados energeticamente possíveis do processo físico.”
O QUE OCORRE COM O
CORPO ASTRAL APÓS A MORTE?
Na morte do corpo, o aspecto inferior do Corpo Astral se
desintegra junto com o físico. Este é o “campo” que forma o molde para as
moléculas físicas, e é devido à quebra da força coesiva no astral que a morte
ocorre. Este é o fantasma que freqüentemente é visto sobre os túmulos nos
períodos logo após os funerais.
Outro aspecto deste “corpo” é o Kama Rupa, que
significa corpo de desejo, assim chamado porque ele é um corpo formado na morte
como um veículo temporário para as Paixões e Desejos que partem. Este tem uma
vida mais longa que o primeiro mencionado, mas também estará sujeito à
desintegração tão logo o Homem real, a Tríade Superior, tenha se destacado
inteiramente desta natureza, este quarto princípio do homem. No Glossary,
p. 72, H. P. Blavatsky afirma “Aqui, a pálida cópia do homem que se foi vegeta
por um período de tempo, a duração do qual varia conforme o elemento de
materialismo que resta, e que é determinado pela vida passada do morto. Como
está despojado da sua mente superior, espírito e sentidos físicos, se deixado
sozinho com os seus próprios aparatos sem sentidos, irá gradualmente se
desvanecer e se desintegrar”. Isto tem sido chamado de fantasma e é
freqüentemente o operador em sessões espiritualistas, uma vez que pode ser
revitalizado pelo médium e forçado a abrir mão das memórias que estão
residentes no seu banco de memórias. Ele não é o Espírito do homem morto. O
Espírito já partiu e não pode ser alcançado por quaisquer práticas neste plano.
Serão oferecidas mais informações sobre este assunto, e sobre as inúmeras
maravilhas psíquicas que são explicadas pelo mundo astral em um dos
módulosposteriores.
QUE PAPÉIS DESEMPENHAM
OS PRINCÍPIOS DA PAIXÃO E DOS DESEJOS?
A Tesosofia é rigorosa com o fato de que Kama (Paixões e
Desejos) não é causado pelo corpo, “a carne”, mas é um princípio por si mesmo,
e existe antes do corpo físico ser trazido à existência. É o quarto princípio
da constituição sétupla do homem, e, como dito antes, é o princípio do
equilíbrio a partir do qual os caminhos vão acima ou abaixo. O Sr. Judge o
chama de base das ações, e o movimentador da vontade. Ele ainda adiciona “Se
desejamos fazer o bem ou o mal, nós precisamos primeiro acordar o desejo para ambos
os caminhos. O homem bom, que ao final se torna até mesmo um sábio, teve que em
algum momento da sua vida acordar o desejo pela companhia dos homens sagrados,
e teve que manter este desejo para se manter ativo de modo a continuar.” Kama
tem sido chamado desejo pessoal e também diabo, já que é o apego aos desejos
que se sobrepõe ao caminho do nosso progresso espiritual. Mas há um outro lado
de Kama que não deve ser menosprezado. Novamente no Glossary, “Kama é a
primeira consciência, o desejo amplo do bem universal, amor, e por que vive e
sente, precisa de ajuda e bondade, o primeiro sentimento de compaixão infinita
e misericórdia que nasce na consciência da Força Una criadora, assim que ela
chega à vida e existe como um raio do Absoluto...Kama épredominantemente o
desejo divino de criação da felicidade e do amor; e apenas muitas eras mais
tarde, quando a humanidade começou a materializar, pela antropomorfização, os
seus grandes ideais em dogmas parciais e incompletos, que Kama se tornou o
poder que gratifica o desejo no plano animal.”
Nós podemos ver que Kama tem dois aspectos, um inferior e
outro superior. Quando a nossa consciência é colocada inteiramente abaixo no
corpo e nas coisas materiais, a tendência é o estímulo a nossa natureza animal,
e o seu fortalecimento sob nós. Quando, por outro lado, a nossa consciência
está centrada nas nossas nobres aspirações, desejos altruístas, então Kama se
transforma e a força do Espírito vem da nossa natureza Buddhica. O apego aos
desejos egoístas diminui a amplitude das nossas percepções apenas ao mundo e
sentidos físicos. A liberdade deste apego abre a nós a amplitude maior dos
nossos sentidos interiores, e o discernimento da nossa natureza Buddhica, o
julgamento composto das nossas o ele é chamado rajas, ou a qualidade
ativa e má, conforme distinto de tamas, ou a qualidade da escuridão e da
indiferença. O crescimento não é possível a menos que rajas esteja
presente para dar o impulso, e pelo uso deste princípio da paixão todas as
qualidades superiores são trazidas a refinar e elevar os nossos desejos pelo
menos até o ponto em que eles possam ser continuamente colocados sob a verdade
e o espírito. Nisto a Teosofia não ensina que as paixões devem ser estimuladas
ou saciadas, pois uma doutrina tão perniciosa não foi jamais ensinada, mas a
ordem é fazer uso da atividade fornecida pelo quarto princípio de modo a sempre
crescer, e não cair sob domínio da qualidade sombria que termina com a
aniquilação, tendo se iniciado com o egoísmo e a indiferença.
A Teosofia nos diz que se nós desejarmos colocar em
movimento e direcionar a vontade, devemos primeiro despertar o desejo; não o
desejo de natureza inferior, mas desejo por uma vida de serviço à humanidade.
Mesmo um Buda ou Jesus, tiveram, em um passado longínquo, que despertar em Si
mesmos o desejo de ajudar o mundo, e tiveram que manter este desejo vivo ao
longo de muitas vidas de esforço.
Nós ouvimos muito a respeito do valor e do poder de um
juramento. Muito disso repousa na clara formulação da intenção, a rejeição
de objetivos conflitantes. Mas além disso deve haver a disposição voluntária em
fazer o esforço necessário para realizar as implicações que seguem. Esta é a
regeneração ou a espiritualização do princípio Kamico ou do desejo.
Nós citamos muito do texto do Ocean of Theosophy do
Sr. Judge, e há uma ampla abordagem nele sobre os temas relativos ao Corpo
Astral e o Princípio Kamico para qualquer pessoa que deseje mais
informações.
Além disso, nós gostaríamos de recomendar quatro artigos que
dão luz a esses temas e oferecem insights interessantes e valiosos sobre
a constituição do “tabernáculo humano”. Estes são:
"Culture
of Concentration" - Judge Pamphlet 11. THE INNER MAN
"Mesmerism"
- Judge Pamphlet No. 16. MESMERISM AND HYPNOTISM
"Hypnotism"
- Judge Pamphlet No. 16 MESMERISM AND HYPNOTISM
"Sheaths
of the Soul" - Judge Pamphlet No. 16 MESMERISM AND HYPNOTISM
Todos os quatro artigos podem ser encontrados no primeiro
volume dos "Theosophical Articles" do Sr. Judge.
Veja também a versão online dos artigos do Sr
Judge.
QUESTÕES SOBRE O MÓDULO 5
1 – O conhecimento do corpo astral poderia ser útil nos
campos da medicina e da psicologia? Explique, por favor.
2 – O corpo astral desempenha algum papel nos fenômenos do
espiritualismo? Se sim, qual?
3 - O que você
acha que ocorre ao corpo astral nos casos de suicídio, punição capital, ou
morte acidental?
4 – O corpo astral determina a forma que as partículas
físicas irão manter no corpo físico. O que determina a forma do corpo astral? O
que você pensa que seja?
5 – Existe perigo durante as tentativas de realização de
viagens ou projeções astrais? Dê as suas razões.
6 – Nós cuidamos do corpo físico com alimentação adequada,
exercícios e higiene. Existem procedimentos análogos que poderiam ser tomados
para os cuidados com corpo astral? Quais você acha que seriam?
7 – Algumas escrituras dizem que devemos “matar o desejo”.
Elas querem dizer que todos os desejos são errados, ou existe algum desejo que
é necessário?
8 – Muito tem sido falado sobre intenção, que na maioria dos
casos ela faz a diferença entre o que está alinhado com nosso desenvolvimento
espiritual e o que não está. A difícil questão é como nós podemos modificar ou
purificar as nossas intenções atuais? Você tem alguma sugestão?
__________________
Tradução:
Marcelo Pagliarussi (marcelo@nit.ufscar.br)
Curso de Filosofia Esotérica
Módulo 6
Estados
Após a Morte
Esta página contém:
Resposta às questões do módulo 5: O Corpo e o Corpo Astral
Material sobre Estados Após a Morte
Questões sobre Estados Após a Morte
RESPOSTA
ÀS QUESTÕES DO MÓDULO No. 5:O Corpo e o Corpo Astral
Resposta à questão No. 1
Sem dúvidas nós estamos familiarizados com o fato de que
algumas indisposições como náusea, úlceras, embaraços, problemas de pele e até
mesmo pressão alta podem ter suas causas nos planos interiores ou “psíquicos”.
O funcionamento do detector de mentiras e a crescente atenção à medicina
psicossomática contribuíram para a aceitação do fato que nossos pensamentos e
sentimentos (medo, preocupações, imaginação, etc.) podem causar efeitos
previsíveis no corpo físico.
Dando apoio à crescente aceitação de que o corpo físico não
pode ser tratado como um sistema isolado, muitos médicos estão desenvolvendo o
que tem sido chamada de medicina “Holística”. O médico Grego Hipócrates
escreveu, “é necessário possuir um conhecimento de grande abrangência para
curar o corpo humano”. E no seu artigo “Hypnotism”, H. P. Blavatsky afirma,
“Metade, se não dois terços das nossas enfermidades e doenças são frutos da
nossa imaginação ou dos nossos desejos. Destrua os últimos e dê outra tendência
aos primeiros, e a natureza fará o resto.”
O progresso na compreensão do ser humano é um sinal promissor,
mas falta ainda a explicação de como o processo funciona, o que conduz os
comandos vindos dos planos psíquicos às várias funções do corpo físico. O Corpo
Astral faz isso, um corpo feito de material “sensível ao pensamento”, que pode
tanto conduzir e traduzir os impulsos vindos da mente ao corpo e, vice-versa,
do corpo à mente. Com algum conhecimento sobre este veículo eletromagnético,
que está presente e ativo em qualquer forma física, a ciência da medicina
poderia dar um grande salto adiante.
No seu fascinante artigo “Replanting Diseases for Future Use”,
o Sr. Judge avança com a idéia de que em muitos casos, quando a doença alcança
o corpo, ela está já de saída, e que medidas para ajudar neste caminho são as
melhores. Entretanto, se algumas drogas ou práticas “mentais” são utilizadas
para impedir esta saída natural, a doença é enviada de volta ao mundo Astral
para reaparecer em algum outro momento. Um conhecimento do Corpo Astral iria
certamente ajudar a compreensão disto.
Considerando a esfera da psicologia, temos que lidar com as
relações entre a mente, a natureza do desejo, os sentidos e as ações corpóreas.
O Corpo Astral, sendo o condutor de vários sinais, o meio conector entre estes
planos, é o campo de estudo que seria de maior benefício para a ciência. A Teosofia
coloca que o Ego nunca é insano, que a insanidade ocorre quando há uma quebra
na cadeia de comando de cima para baixo, e vice-versa. Ela também sugere que a
maioria, se não todos os extraordinários poderes psíquicos que nós ouvimos
falar a respeito, assim como os fenômenos das sessões espíritas, podem ser
explicados pelos poderes presentes no Corpo Astral. Muitos dos mistérios não
explicados da psique humana irão desaparecer quando a existência deste
princípio Astral for reconhecida e entendida.
Resposta à questão No. 2
Resposta à questão No. 3
Em seu artigo "Suicide Is Not Death," o Sr. Judge
aponta que quem comete suicídio encontra-se em uma situação pior do que a que
deseja escapar. Essa pessoa destruiu o seu instrumento físico, mas não está
realmente morta, e tem que viver em algum outro lugar onde a lei a compele a
viver para esperar que realmente morra. Ela pode viver no corpo astral,
semi-morta, pelos meses ou anos que antecedem à sua morte natural. No mesmo
artigo, o Sr. Judge pinta um quadro vívido da posição do suicida:
Ele se torna uma sombra; vive no purgatório, por
assim dizer, chamado pela Teosofia de “lugar dos desejos e paixões”, ou “Kama
Loka”. Ele existe no plano astral inteiramente, devorado pelo seus próprios
pensamentos. Continuamente repetindo em seus pensamentos vívidos o ato pelo
qual ele tentou parar a peregrinação da sua vida, ele ao mesmo tempo vê as
pessoas e o lugar que deixou, mas não é capaz de se comunicar com ninguém, a
não ser, de vez em quando, com algum pobre sensitivo, o qual freqüentemente se
assusta com a sua visita. E freqüentemente ele preenche a mente das pessoas
vivas que podem ser sensitivas aos seus pensamentos com a imagem da sua própria
partida, ocasionalmente levando-as a cometer o mesmo ato que ele cometeu e se
sente culpado...Ele é composto agora de um corpo astral,...formado e inflamado
pelas suas paixões e desejos...Ele pode pensar e perceber, mas sendo ignorante
de como utilizar as forças deste plano, ele é levado para lá e para cá, incapaz
de orientar a si mesmo.
Os ensinamentos nos passam, entretanto, que no caso
daquele que sacrifica a sua vida para a proteção de outros, ou por alguma causa
claramente humanitária, este terá que esperar o tempo mencionado, mas o fará em
um estado semelhante ao sono sem sonhos.
O caso da punição capital é tão feio e proibido como o
suicídio. As vítimas não estão mortas e de acordo com o Sr. Judge em seu artigo
“Kama-Loka---- Suicides----Accidental Deaths”:
Eles vivem novamente o seu crime e a sua punição
naquele plano da luz astral no qual estão, e dali eles afetam todas as pessoas
de algum modo sensitivas que possam alcançar. Especialmente em sessões
espíritas eles rodeiam o médium. E qualquer um que seja naturalmente dotado com
o poder de enxergar o seu plano de luz astral, ou obtenha o poder através de
treinamento, pode ver e ouvir, repetidamente, as cenas de sangue e punição
continuamente nas proximidades destes desafortunados.
É dito que muitos crimes cometidos no plano físico por pessoas
passivas ou sensitivas foram sugeridos por essas entidades astrais, em busca de
um desabafo para os sentimentos presos de raiva e vingança. Muitos criminosos
confessaram que “alguma coisa me levou a fazer aquilo”. Os casos de morte
acidental são similares em muitos pontos, mas certamente não tão feios. O corpo
se vai e o ser está ainda vivo no corpo astral, mas não consciente disso. É
dito que ele passa o tempo até a sua morte natural em um repouso profundo. Em
alguns casos, entretanto, o “acidente” coincide com o momento da morte natural,
o Carma do indivíduo.
Em todos os casos mencionados acima a intenção é o fator
decisivo.
Resposta à questão No. 4
É compreensível que a forma e as características do Corpo
Astral sejam ditadas pela Lei do Carma e pela necessidade particular àquela
encarnação. O Sr. Judge diz no “Forum” Answers, p. 47, que “No momento da
concepção o corpo astral, ou forma modelo, é feito, e a potencialidade de um
Ego sendo capturado pela pessoa é criada”. Em vários lugares salienta-se que
este corpo se modifica muito pouco durante a encarnação e existe em uma forma
rudimentar antes do nascimento. O Sr. Crosbie cita o fato que o modelo do
carvalho é sua fruta. O Sr. Judge expande estas idéias em seu artigo
“Mesmerism” no qual ele diz:
Ela (a forma interior) se altera apenas no período
entre-vidas, sendo construída no momento da reencarnação para durar o período
completo da existência. Pois ele é o modelo aperfeiçoado pela dimensão
evolutiva atual para o corpo externo... Então ao nascimento ele é
potencialmente de um determinado tamanho, e quando este limite é alcançado ele
cessa o aumento do corpo, tornando possível o que conhecemos hoje como tamanhos
e pesos médios. Ao mesmo tempo o corpo externo é mantido em forma pelo interno
até o período da decadência. E esta decadência, seguida pela tual de
funcionamento no corpo físico. Essas camadas inferiores da Luz Astral são,
conforme ensinado, preenchidas com imagens das mais nocivas e corruptas, e
pensamentos e ações viciosas do homem. Uma vez que abrirmos essa porta é
praticamente impossível fechá-la novamente. Falando a respeito da mediunidade,
o Sr. Judge traz alguns pontos interessantes sobre a “projeção astral” no Ocean,
p. 151:
O corpo astral do médium, partilhando da natureza da
substância astral, pode ser estendido do corpo físico, agir fora dele, e pode
até expulsar de vez em quando qualquer porção de si mesmo como um braço, uma
mão, ou perna, e assim mover objetos, escrever cartas, produzir toques no corpo
e assim em diante ad infinitum... A mediunidade é cheia de riscos porque
a parte Astral do homem atual é apenas normal em ação quando unida ao corpo; em
um futuro distante ele irá agir normalmente sem o corpo físico, assim como foi
no passado longínquo. Tornar-se um médium significa que você deve tornar-se
desorganizado fisiologicamente e no sistema nervoso, porque através do último
se dá a conexão entre os dois mundos. No momento em que se dá a abertura da
porta, todas as forças desconhecidas se precipitam, e como a parte mais bruta da
natureza está mais próxima de nós, é esta parte que nos afeta mais; a natureza
inferior também é afetada e inflamada primeiro porque as forças utilizadas são
desta parte nossa. Nós estaremos então a mercê dos pensamentos vis de todos os
homens, e sujeitos à influência das camadas de Kama Loka.
A maior parte, se não tudo o que foi mencionado nesta passagem
pode ser aplicado à projeção ou viagem astral. Há um duplo perigo adicional aos
que tentam deixar o corpo completamente. Os ensinamentos previnem que se uma
pessoa não estiver completamente familiarizada com as leis pertencentes
ao mundo astral, não é seguro tentar deixar o corpo e “viajar” a qualquer
distância; que alguém que não saiba como reentrar pode terminar em insanidade
ou possessão por outra entidade do plano astral. H. P. Blavatsky fala de casos
nos quais a morte foi o resultado da incapacidade de voltar à atividade normal.
Nenhuma destas eventualidades parecem valer a novidade destas práticas.
Em um módulo posterior serão abordados os fenômenos psíquicos,
seu lugar, desenvolvimento e riscos. É suficiente dizer por agora que uma vez
que tenhamos entendido as leis envolvidas, controlado a nossa natureza
inferior, purificado nossas intenções e livrado-nos qualquer mancha egoísta,
então o próximo e natural passo em nossa evolução será iniciar o processo de
“extrair” o nosso corpo astral do físico e dar um passo adiante na emancipação
dos poderes da Alma.
Resposta à questão No. 6
Como no corpo físico, ou em qualquer corpo, o sinal de saúde
perfeita é a harmonia completa entre as várias partes ou funções do corpo
astral. A doença é a condição que surge quando uma ou mais partes do todo, por
uma razão ou outra, começam a agir de modo que vai contra a harmonia do todo. O
câncer é um exemplo perfeito do que a Teosofia chama “pecado da separação”.
Este mesmo princípio pode ser relacionado ao cuidado com o corpo astral. Como a
harmonia ou a saúde são mantidas?
O corpo astral está sujeito às forças de duas direções. Ele é
afetado de cima pelo nosso pensar e por nossos desejos, e é afetado de baixo
pelos nossos sentimentos.
A configuração do nosso modo de pensar a respeito dos outros,
da natureza e de nós mesmos é um padrão que toma residência em alguma parte da
nossa natureza. Na verdade a atitude se inicia no plano mental e trilha o seu
caminho pelo nosso sistema, através do nosso corpo astral e para fora em
direção ao físico. Este pensar e sentir podem ser harmoniosos ou desarmoniosos,
e os efeitos serãosentidos em cada parte da natureza. A resposta, é claro, é
que se nós baseamos nosso pensar na compreensão da Irmandade Universal, nós
estaremos fazendo o melhor que podemos com o objetivo de nutrir o corpo astral.
Outra força que afeta o corpo astral vem da mente, mas ela
parece operar através dos sentidos. Ela é chamada apego, apego aos objetos do
sentido. Isto tem o efeito de cimentar os sentimentos interiores aos
exteriores, e inibir a emancipação gradual destes sentidos astrais dos
sentimentos físicos grosseiros. Talvez isso não possa ser chamado de doença,
mas é uma privação que não permite que os poderes interiores trabalhem para
nós. O desapego aos objetos do sentido é mencionado no Bhagavad-Gita como uma
das chaves para o desenvolvimento superior. Isto iria certamente cancelar o
efeito separativo de deixar os sentimentos dominarem as nossas ações, e traria
saúde ao corpo astral. A concentração, a calma, a meditação sobre a realidade
da Irmandade Universal e o Eu Superior, as idéias e sentimentos altruístas;
todos estes são “alimentos saudáveis” para a natureza pessoal, da qual o corpo
astral é parte.
Se o nosso apego a qualquer objeto dos sentidos for
forte o suficiente para ditar as nossas ações, esta não é apenas uma forma de
escravidão, mas é o reforço de uma falsa idéia do que é real e o que é efêmero.
O apego está construído na idéia de que as respostas aos nossos sonhos e
problemas encontram-se fora de nós, estão em alguma coisa que é “outra” que não
nós mesmos. Todos os Grandes Mestres concordaram que a realidade pode ser
encontrada apenas internamente, que o destino sem limites de cada um de nós
deve ser encontrado através da percepção do nosso próprio Eu Superior.
Resposta à questão No. 8
No Key to Theosophy, p. 203, H. P. Blavatsky afirma,
“Na realidade não existe tal coisa como a ‘separatividade’; a abordagem mais
próxima a esse estado egoísta, o qual a lei permite, é a intenção ou o motivo.”
E em muitas circunstâncias a intenção parece ser o fator que determina se uma
ação ou pensamento é uma ajuda ou um dissuasor da Alma em evolução. Nós
percebemos que a intenção altruísta é aquela que deveríamos ter, e assim
pensamos como alguém pode criar tal intenção, ou modificar uma intenção de
egoísta à altruísta. É difícil chegar a uma resposta imediata.
O passo seguinte, conforme esperado, é a prática. As idéias
devem ser construídas em nossa natureza e em nossas ações diárias. Por isso
tanto H. P. Blavatsky quanto o Sr. Judge reforçaram a importância de realmente
entender as duas leis do Carma e da Reencarnação. Estas leis têm o poder de
mover as pessoas à ação correta, à compreensão do fato da Irmandade Universal,
das verdades a respeito do nosso verdadeiro ser. Esta é causa do principal
trabalho do atual Movimento Teosófico ser a promulgação e a explicação destes
dois princípios básicos.
Na primeira mensagem de H. P. Blavatsky aos Teosofistas
Americanos ela expressou a sua esperança e sua fé na possibilidade de elevação
das intenções da nossa era em um nível mais verdadeiro. Ela afirmou nas First Messages to the
American Theosophists 1888:
A função dos Teosofistas é abrir o coração e a
compreensão dos homens à caridade, à justiça e à generosidade, atributos que
pertencem especificamente ao reino humano e são naturais do homem quando ele
desenvolve as qualidades de ser humano. A Teosofia ensina o homem-animal a ser
homem-humano; e quando as pessoas tiverem aprendido a pensar e sentir como
verdadeiros seres humanos devem pensar e agir, elas irão agir humanamente, e os
trabalhos de caridade, justiça, e generosidade serão realizados espontaneamente
por todos.
Curso de Filosofia Esotérica
Módulo
6
Estados Após a Morte
Eu mesmo nunca deixei de existir, nem vós, nem todos
os príncipes da terra; nem iremos, futuramente, cessar de existir. (Krishna no
Bhagavad-Gita)
Para apreciar e se beneficiar da luz que a Teosofia lançou
sobre a passagem tão incompreendida que nós chamamos de morte, é necessário que
tenhamos em mente alguns enunciados axiomáticos, os detalhes que serão
apresentados conforme iremos prosseguindo. O primeiro é o fato de que o Ego, o
homem real, a consciência, nunca morre. Segundo, ele não vai a lugar
algum, mas experimenta mudanças de estado, diferentes estados de consciência.
Terceiro, a natureza e o caráter destes estados são em grande medida o
resultado do seu próprio pensar e agir enquanto no corpo. E quarto, a morte não
representa nada a ser temido, mas sim um interlúdio necessário, benéfico, e,
com poucas exceções, delicioso e revigorante.
O QUE OCORRE NO MOMENTO DA MORTE?
Controvérsias recentes sobre qual o momento certo de
interromper os sistemas de suporte à vida nos casos terminais destacaram o fato
de que tanto os setores médicos quanto os religiosos estão questionando o
momento exato da morte. Os padrões antigos não encontram mais aceitação e
muitos estão começando a acreditar que a situação associada ao evento morte é
muito mais complexa do que estamos acostumados a crer. A existência de
mais aspectos associados a este evento é delineada pelo Sr. Judge na página 99
do Ocean of Theosophy no qual ele afirma:
A respiração deixa o corpo e nós dizemos que o homem
está morto, mas este é apenas o começo da morte; ela continua em outros planos.
Quando o corpo está frio e os olhos fechados, todas as forças do corpo e da
mente correm para o cérebro, e por uma série de quadros a vida inteira que
termina é impressa indelevelmente no homem interior, não apenas em um apanhado
geral, mas até o menor detalhe de um simples minuto e da mais fugaz impressão.
Neste momento, embora todas as indicações levem os médicos a declarar a morte e
para todos os propósitos a pessoa estar morta para esta vida, o homem real está
muito ocupado no cérebro, e não antes do seu trabalho terminar a pessoa se vai.
Quando este trabalho solene está terminado, o corpo astral se destaca do físico
e, tendo partido a energia da vida, os cinco princípios remanescentes estão no
plano de kama loka.
Este plano é o plano astral que rodeia e penetra a terra, e
estende-se a uma distância moderada dela. Neste nível ele é um lugar, mas não
como nós definimos lugar, já que as mesmas leis de tempo e espaço não são
aplicáveis ali. Além do mais, devido a estas e outras condições, um outro
estado de consciência é necessário.
Na morte a separação começa quando o corpo e a vitalidade
corpórea são abandonados. Neste ponto duas coisas acontecem. Um: as memórias
dos planos interiores se tornam vivas, adquirem movimento, realidades ativas, e
devido a isso nós não ficamos conscientes da mudança. E dois: a mudança é uma
mudança de estado de consciência. Sem o corpo, apenas uma parte ou aspecto da
nossa consciência pode se manifestar, e sem os contrastes da vida corpórea nós
somos incapazes de realizar julgamentos. Nós apenas experimentamos o estado.
Em Kama-Loka o Corpo Astral coalesce com a Natureza Desejosa,
formando uma entidade conhecida como Kama-Rupa, o repositório de todos os
desejos e aversões da última vida. Ele é um corpo do qual o Ego tem que se
soltar enquanto experimenta o indisfarçável cortejo das representações
pictóricas destes sentimentos. Ele é chamado lugar do desejo, e o desejo
desprovido de inteligência é a força dominante.
A menos que haja um apego exagerado a esta natureza, o Ego se
liberta, nós nos libertamos deste “purgatório” em um tempo relativamente curto,
e “caímos”, por assim dizer no Devachan. O corpo dos desejos, Kama-Rupa,
finalmente passa pelo mesmo processo de desintegração que ocorre com o corpo
físico. O Ego não tem que esperar por isso para se completar, mas ele irá
encontrar a força e o caráter desses desejos na forma dos chamados Skandhas, que
formam os novos veículos na encarnação. A constituição destes estados pós-morte
é infinitamente variada, e nenhuma descrição definida iria ser precisa, uma vez
que eles dependem inteiramente das condições da última vida que se passou.
Kama-Loka é um estado completamente pessoal e subjetivo.
O QUE OCORRE COM O KAMA-RUPA?
A vida do Kama-Rupa depende da intensidade dos desejos que o
constitui. Se eles são fortes, ele durará como uma entidade por um longo
período no plano astral; se não, irá flutuar sem objetivo ao redor e logo se
desintegrará. Sendo formado a partir do Plano Astral, ele tem a facilidade de
reter as memórias da última vida. Em seu artigo “A Student's Notes and
Guesses”, o Sr. Judge salienta que “O plano astral é o solvente e o armazém das
formas, idéias e memórias do homem e da natureza, e de todos os hábitos e da
hereditariedade”. Então, se a tendência em direção às práticas psíquicas foi
estabelecida durante a vida, este corpo pode ser atraído às salas de sessões
espíritas e forçado a expelir suas memórias. Os psíquicos freqüentemente
enganam este “banco de memórias” astral das almas que partiram, uma vez que sob
certas circunstâncias este Kama-Rupa pode ser forçado a repetir o que possui
nos seus registros como um gravador pode extrair pode que está gravado na fita.
Mas a Alma, o Ego, não está ali. Ele partiu para um estado no qual não pode ser
contatado ou perturbado.
Estes Kama-Rupas nos afetam? Não a menos que permitamos. Não a
menos que deixemos a porta aberta a eles. Eles são massas coerentes de desejo,
inveja, luxúria, etc., que não têm vontade ou direção. Eles estão dentro da
atmosfera psíquica da terra e irão, se deixados sozinhos, morrer de inanição.
Entretanto, para aqueles que são passivos, que não mantém o controle das suas
mentes, e para aqueles que se “interessam” por práticas psíquicas, eles são uma
ameaça constante. Eles são uma fonte constante dos piores tipos de pensamentos.
É dito que nós atraímos estes pensamentos quando temos fortes sentimentos de
ódio, inveja, luxúria, etc. Aparentemente este é o modo que alimentamos e
sustentamos estas entidades sem consciência.
Uma última palavra: em Kama-Loka nós não produzimos Carma, nem
pagamos Carma negativo ali. No senso estrito ele é um estado de conseqüência, e
nós não realizamos qualquer progresso ali; e virá o tempo em que nós não
precisaremos passar por tal estado. É um processo de separação, separação de
todo o egoísmo e dos aspectos ruins última vida, de modo que o Ego possa
desfrutar do necessário descanso no Devachan. E quando esta separação tiver
ocorrido, os seres caem em um estado de inconsciência logo antes da mudança
para o próximo estado, e então acordam para os “Prazeres do Devachan”.
O QUE É O DEVACHAN?
Embora a palavra signifique a “morada dos deuses”, o Devachan
não é um lugar e não pode ser limitado a nenhuma localização. Similar ao
sonho, ele é um estado de consciência, um estado puramente pessoal e subjetivo
que não está sujeito a nenhuma interferência externa. E desde que cada
indivíduo cria o seu próprio Devachan, estes são de infinita variedade e
descrição, cada um se encaixando nas necessidades do indivíduo envolvido.
O ato que nos envia ao Devachan é a nossa saída do Kama-Rupa e
a sua natureza inteiramente desejosa. Isto nos deixa apenas com o bem, o
altruísmo, o espiritual. Nós somos então constituídos da tríade superior e todo
o bem que trouxemos conosco da nossa última vida. Nós não temos natureza
“Inferior” e conseqüentemente nem mesmo as memórias de qualquer sentimento
egoísta. Estando desimpedidos da vida terrena, estamos livres para desenvolver
e expandir as nossas elevadas aspirações, e para construir a essência delas em
nossa natureza Buddhica. Estas afirmações da Doutrina Secreta (Vol. I, p.
243-4) devem lançar uma luz adicional ao processo:
1 – Manas é imortal, porque após cada
encarnação ela adiciona a Atma-Buddhi algo de si mesma, e assim, assimilando-se
à Mônada, compartilha da sua imortalidade.
2 – Buddhi se torna consciente pelos
acréscimos que recebe de Manas após cada nova encarnação e morte do homem.
3 – Atma não progride, esquece ou se lembra. Atma não
pertence a este plano: é apenas o raio da luz eterna que brilha sobre e através
da matéria, quando esta assim anseia.
É precisamente por que estamos desimpedidos das pressões
conflitantes que o descanso para a alma pode ser produzido.
Aparentemente, nossa natureza superior é tal que ela adquire seu descanso
realizando atos e pensamentos altruístas. No Ocean, p. 110, o Sr. Judge
adiciona:
Agora o Ego, sem o corpo mortal e kama, veste
a si mesmo no devachan com uma vestimenta que não pode ser chamada de
corpo, mas pode ser qualificada de meio ou veículo, e assim opera no estado do devachan
inteiramente no plano da mente e da alma. Tudo é tão real para o ser como este
mundo parece ser para nós. Ele simplesmente tem agora a oportunidade de fazer o
seu próprio mundo desembaraçado das obstruções da vida física. O seu estado
pode ser comparado ao do poeta ou o artista que, arrebatado pelo êxtase da
composição ou da disposição das cores, perde a noção e a preocupação com o
tempo ou os objetos do mundo.
Durante a vida nós estamos estabelecendo causas tanto no mundo
externo e objetivo quanto no mundo interno e subjetivo. Estes estados ou
impulsos psíquicos, estas elevadas inclinações e aspirações da alma, se não
colocadas em prática no mundo objetivo, devem encontrar sua resolução no mundo
subjetivo. Elas devem, de acordo com o Sr. Judge, “ser a base, a causa, o
substrato e o apoio para o estado do devachan”.
Tudo o que o Ego desejou de bom durante a vida, desejos
puros e altruístas; todas as esperanças e aspirações elevadas que concebeu
durante a vida como a existência ideal, pessoal e espiritual; aqui encontram a
sua frutificação. Elas formam a substância a partir da qual o Ego cria e
recria, pelo poder da sua agora ativa imaginação espiritual, o seu próprio
mundo, cuja população é formada, em sua percepção, de seres e vidas reais. É
uma existência de sonho, ainda que seja tão real que nada ou ninguém pode
provocar nele a percepção de que ela é auto-criada e .0pt;
margin-left:0cm">Para aqueles que acreditam no conceito dos “Portões de
Pérola”, isto irá dar cor às suas criações neste estado. Para aquele cujo maior
desejo na vida foi se colocar a serviço dos seus irmãos humanos, o seu descanso
será uma seqüência irrestrita destas oportunidades. No seu artigo “Life and
Death”, H. P. Blavatsky afirma, “A morte é um descanso. Após a morte, se
inicia para os nossos olhos espirituais a representação de um programa que foi
aprendido pelo nosso coração em nosso tempo de vida, e foi algumas vezes
inventados por nós, a realização prática das nossas verdadeiras crenças, ou das
ilusões criadas por nós mesmos”. Nós não podemos, nos estados após a morte,
experimentar nada que não seja encontrado nas experiências, percepções e
crenças da última vida.
UMA PESSOA DEVE ACREDITAR NA CONTINUIDADE DA VIDA PARA TER
UMA?
No mesmo artigo H. P. Blavatsky afirma, “De modo a viver uma
vida consciente do outro lado da sepultura, o homem deve ter adquirido a fé
neste mundo, durante a vida terrestre”. Isto não significa que uma pessoa que
não acredita não irá ter uma experiência pós-vida. Significa que ela não a
experimentará conscientemente. No “Mysteries of the After Life” ela
continua ao dizer, “O Ego recebe sempre de acordo com o seu merecimento. Após a
dissolução do corpo, se inicia para ele um período de total clareza de
consciência, ou um estado de sonhos caóticos, ou ainda um sono absolutamente
sem sonhos, indistinguível da aniquilação; e estes são os três estados de
consciência”.
A imortalidade consciente é uma condição que deve ser
construída por cada individuo, e ela deve ser construída enquanto no corpo
físico. Uma pessoa pode professar a crença no “paraíso” e ainda assim não acreditar
nele. Outra pode ser completamente materialista no exterior e ainda assim ter
um sentimento prolongado de que a consciência simplesmente não se apaga como
uma luz. Em ambos os casos é o sentimento interior que irá determinar e dar cor
à condição do Devachan. Nossos estados pós-morte estão em nossas mãos, e embora
nós não devêssemos gastar nosso tempo imersos neles, seria sábio para nós
entender o seu propósito, quais leis operam e quais os efeitos do nosso pensar
e agir aqui na vida diária sobre eles.
NÓS ENCONTRAMOS NOSSOS ENTES QUERIDOS NO DEVACHAN?
Na página 170 do Answers to Questions, o Sr. Crosbie
responde a esta questão diretamente. Ele diz “Não há nenhum contato entre seres
no estado devachanico; de outro modo seria uma existência objetiva e não
subjetiva. Também não existem possibilidades da alma experimentar a condição do
paraíso, onde há contato com outros seres, já que este contato é a fonte da
maioria dos problemas que temos”. Entretanto, nós veremos que esta não é a
resposta completa, conforme vemos o que coloca H. P. Blavatsky no Key,
p. 146. Ela afirma “Nós dizemos que esta bênção do Devachanee consiste
na completa convicção de que não se deixou a terra, e que não há tal coisa como
a morte; que a consciência espiritual pós-morte da mãe irá
representar para ela uma vida rodeada das suas crianças e todos aqueles que ela
amou; que nenhuma lacuna, nenhuma ligação será sentida como perdida, para
tornar o seu estado desencarnado da mais perfeita e absoluta felicidade”. Neste
estado nossos entes amados e mesmo aqueles por quem tivemos um pequeno
sentimento de amor, estarão conosco sem erro. Nós os veremos da melhor luz
possível, e assim nos trazendo felicidade, descanso para a Alma.
Nós estaremos completamente livres de qualquer dor, problema
ou tristeza, e estaremos até mesmo livres de saber que existem tais condições,
porque mesmo a consciência de que exista algo como a tristeza iria nos negar o
merecido descanso e o propósito deste estado. Mas H. P. Blavatsky salienta um
ponto adicional interessante na p. 150 do Key. Ela afirma:
Nós estamos com aqueles que perdemos na forma
material, e muito, muito mais perto deles agora do que quando eles eram vivos.
E não apenas na fantasia do Devachanee, como alguns poderiam imaginar,
mas em realidade. Pois o puro amor divino não é apenas a flor de um coração
humano, mas tem suas raízes na eternidade. O amor espiritual completo é
imortal, e o Carma traz, mais cedo ou mais tarde, todos aqueles que se amaram
com verdadeira afeição espiritual a encarnar uma vez mais no mesmo grupo
familiar. Novamente nós afirmamos que o amor além da morte, da ilusão, tem uma
potência mágica e divina que reage sobre os vivos. O Ego de uma mãe
cheio de amor pelas crianças imaginárias que ela vê perto de si mesma, vivendo
uma vida de felicidade, tão real para ele como quando na terra, este
amor irá sempre ser sentido pelas crianças na carne. Ele se manifestará em seus
sonhos, e freqüentemente em vários eventos, em proteções e escapes providenciais,
porque o amor é um forte escudo, e não é limitado pelo espaço ou tempo.
QUANTO DURA O DEVACHAN, E O QUE DETERMINA A SUA
DURAÇÃO?
Pela mesma razão que a Filosofia não pode oferecer uma
descrição que se encaixe em cada estado Devachanico, ela não pode
afirmar o tempo exato de duração da permanência neste estado. O tempo é
dependente das causas estabelecidas ao longo da vida do Ego envolvido. Para
alguns o tempo pode ser bastante curto, alguns poucos anos ou até meses. Para
outros, pode ser de milhares de anos. Na página 145 do Key, H. P.
Blavatsky responde a esta questão afirmando, “Isto, nos foi ensinado, depende
do grau de espiritualidade e mérito ou demérito da última encarnação. O tempo
médio vai de 10 a 15 séculos”. O Sr. Judge enfatiza o fato de que este é um
valor médio, e não um número definido.
Também é explicado que o tempo não tem a mesma conotação
naquele estado como o que temos aqui. Para o Devachanee não existe a
percepção do que nós conhecemos como tempo. Ele é consciente apenas da passagem
dos eventos, a seqüência de experiências. Não possuindo conceito de tempo, o Devachanee
não tem sentimentos de ansiedade, impaciência ou tédio, já que ele está
completamente absorto no desfrute das suas próprias criações.
A extensão do tempo no Devachan depende de quanto se leva para
trabalhar ou expender os impulsos psíquicos que foram gerados durante a vida.
Como explicado anteriormente, os impulsos gerados no plano subjetivo devem ser
trabalhados naquele plano. Se nos envolvemos em muitos sonhos, sonhos a
respeito do que gostaríamos de ser e fazer, se pensamos muito sobre tirar um
longo período de descanso ou férias, e se fazemos pouco para transformar estes
sonhos em realidade, então nós provavelmente iremos permanecer um longo tempo
nesse estado subjetivo, trabalhando e desfrutando essa deliciosa ilusão. É dito
que no Oriente existem práticas especiais designadas a dar aos indivíduos uma
longa estada longe dos rigores da vida terrena.
Entretanto existe o outro lado da situação. Para aqueles que
encontram prazer no seu trabalho, que colocam seus sonhos em prática ou se
desfazem deles, e que estão sempre desejosos de voltar ao trabalho, o seu
Devachan, embora adequado ao descanso da Alma, será relativamente curto. No
Answers to Questions, p. 171, o Sr. Crosbie salienta um ponto adicional. Ele
afirma:
As entidades são mantidas no devachan pela
própria força do seu estado de felicidade; elas não têm qualquer incentivo para
sair dali; apenas quando a força das suas aspirações de vida é exaurida elas
emergem dali. Este é o caso da maioria dos seres, mas se uma entidade de
natureza forte e limpa entra neste estado com o desejo de ser útil na terra em
forma corpórea, ela pode ser despertada do seu sono para assumir um corpo por
aqueles Adeptos cuja função é desempenhar tais serviços. Estes Adeptos são seres
livres que qualquer ilusão e não entram no estado devachanico, mas são
capazes de agir conscientemente em todos os planos da existência. Assim, eles,
e somente eles, podem entrar em contato real com os seres no devachan.
Esta citação enfatiza a afirmação de que, uma vez que uma
entidade esteja no devachan ela não pode, por si mesma, voltar ou se comunicar
com qualquer um ou qualquer coisa neste plano objetivo de existência. Isto iria
contra o inteiro propósito do Devachan. Uma aparente exceção a isto é o
caso da pessoa moribunda que aparece a alguém próximo ou amado no
momento da sua morte. Em “Dialogues Between the two Editors” H. P. Blavatsky
explica deste modo. “Se ela pensa muito intensamente, no momento da sua morte,
na pessoa que ela está muito ansiosa para ver, ou ama muito, ela pode aparecer
para esta pessoa. O pensamento se torna objetivo; o duplo, ou a sombra de um
homem, sendo apenas a representação fiel deste, como o seu reflexo em um
espelho, repete o que a pessoa faz, mesmo em pensamento.” Ela vai além ao
explicar que também é possível a um “sensitivo”, pela simpatia ou pelo ódio,
evocar esta aparição através da intensidade de pensamento. Mas novamente, o
Ego, o ser real, se foi e não pode ser contatado. E quem iria querer incomodar
uma alma que partiu?
QUANDO NÓS PRECISAMOS MORRER?
Nos tempos que virão, quando tivermos superado nossa crença na
realidade da matéria e nosso apego às formas que constituem esta
existência, e quando tivermos produzido o hábito de colocar nossas boas intenções
em prática imediatamente, então não haverá necessidade de Devachan. Mas nesta
era de ferro a Alma precisa de um descanso das batalhas desta vida. Manas, uma
vez que as limitações colocadas nela pelas prisões físicas e astrais sejam
liberadas, expande-se e sente-se livre para operar em um modo próximo à sua
verdadeira natureza.Durante a vida nós não podemos, não transformamos em ação
nem uma fração dos pensamentos que temos; nem podemos exaurir as energias
psíquicas que produzimos. No Echoes from the Orient p. 55 o Sr.Judge
afirma, “Nenhuma energia pode ser aniquilada, menos ainda as energias
psíquicas; estas devem em algum lugar encontrar o um ponto de escape. Ele se
encontra no Devachan; esta realização é o descanso da alma.”
Outra razão pela qual a morte é um processo necessário e que
este é o único modo pelo qual podemos progredir a uma nova e melhor forma e
situação. Nós certamente não gostaríamos de permanecer eternamente nos corpos e
condições atuais, e é apenas pela compreensão de que todas as formas morrem,
que a morte está ocorrendo o tempo todo, que nós podemos começar a viver no
mundo do Espírito.
NÓS PROGREDIMOS APÓS A MORTE?
No sentido Cármico, não há progresso após a morte. O Carma não
é produzido nem saldado nestes estados, uma vez que o Ego não está realizando
escolhas nestes períodos. Entretanto, há progresso em outro sentido. O fato de
que o Ego está assimilando o melhor da sua última vida é um modo de progresso.
Este é um passo muito importante no progresso Espiritual do indivíduo, e,
embora um efeito, é muito necessário. As formas devem ser destruídas, mas a
inteligência, as idéias, o despertar deve ser retido na natureza Buddhica.
Uma idéia correspondente para ser compreendida é a de que os
eventos no Devachan não estabelecem o aspecto ou o caráter da próxima vida. É o
nosso Carma e a lei da economia que estabelecem estas condições. Entretanto,
existem aqueles que, no final do período no Devachan, têm alguma influência na
próxima vida.
A Teosofia ensina que quando as forças psíquicas foram
exauridas, gastas no seu limite, as forças de Tanha, a sede pela vida, empurram
o Ego de volta à encarnação. Mas antes da encarnação real há um breve período
quando o Ego, livre de todas as personalidades, consciente no seu mais elevado
grau, recebe uma visão de todas as causas que o conduziram à presente condição,
assim como as circunstâncias resultantes que irão constituir a próxima
encarnação. Neste breve momento o Ego vê a justiça do que está diante dele e,
nos foi ensinado, entra de boa vontade no caminho do trabalho pela humanidade.
MAS O QUE A MORTE REVELA?
Em resposta a essa questão nós não podemos fazer melhor que
citar uma carta escrita por um dos Mestres, impressa por H. P. Blavatsky em Seu
artigo “Memory in the Dyind”. Ela afirma:
No último momento, a vida inteira é refletida em
nossa memória e emerge de todos os cantos e refúgios escondidos, imagem após
imagem, um evento após o outro. O cérebro moribundo expulsa a memória com um
impulso forte, supremo; e a memória restaura fielmente cada impressão que foi
confiada a ela durante o período de atividade do cérebro. As impressões e
pensamentos mais fortes naturalmente se tornam as mais vívidas, e sobrevivem,
por assim dizer, a todo o resto, que agora desaparece para sempre, para retornar
somente no Devachan. Nenhum homem morre louco ou inconsciente, como alguns
psicólogos afirmam. Mesmo um louco ou alguém em um quadro de delirium
tremens terá este instante de perfeita lucidez no momento da sua morte,
embora seja incapaz de dizer isso aos presentes. O homem pode freqüentemente
parecer estar morto. Depois da última pulsação, e entre o último batimento do
seu coração e o momento em que a centelha de calor animal deixa o corpo, o
cérebro pensa, e o Ego vive, nestes breves momentos, toda a sua vida
novamente.
Este é o resumo do que cada ser passa durante a morte. Muitos
estiveram próximos o suficiente da morte para relatar este quadro, mas os
nossos psicólogos ainda têm que dar uma explicação adequada ao fenômeno. No seu
artigo citado anteriormente, H. P. Blavatsky oferece uma afirmação interessante
a respeito do que ocorre. Ela diz “Talvez isso não se dê pelo simples fato de
que, por uns poucos segundos pelo menos, nossas duas memórias (ou melhor nossos
dois estados de consciência, o superior e o inferior) se fundam, assim formando
um, e que o ser moribundo encontra-se em um plano no qual não existe passado ou
futuro, mas tudo está presente?”
O QUE DEVEMOS FAZER NO MOMENTO DA MORTE?
Certamente no momento da morte tanto os vivos como os
moribundos necessitam do poder mantenedor do conhecimento claro ou da convicção
do que está acontecendo. Aqueles que estão sendo deixados para trás devem ter
alguma base para as suas ações neste momento de possível crise emocional.
Conforme vimos anteriormente, a morte é um momento de
concentração e sabemos que a concentração não é fácil para nenhum de nós. O Ego
de partida tem muito a fazer e necessita de toda forma de ajuda. Ele deve ser
deixado sozinho, quieto e sem perturbações enquanto o processo ocorre. Os
professores ensinaram que o “corpo” deve permanecer sem perturbações por “pelo
menos” doze horas, uma vez que Manas está ocupada mesmo muito depois que todos
os sinais apontam para a morte. E como a ciência moderna não chegou a um acordo
sobre quando exatamente a pessoa está morta, é sábio dar a Manas todo o tempo
que ela necessita.
Outra questão concerne à disposição do corpo. A cremação foi
introduzida no Ocidente pelos Teosofistas não apenas porque ela é o mais limpo
e higiênico método para desfazer-se do corpo, mas é o menos caro e na verdade o
melhor para a Alma de partida. A cremação não tem efeitos diretos sobre o Ego,
nem sobre qualquer dos seus veículos. Mas ela tem um efeito indireto em liberar
o astral e lhe dar a chance de se dissipar mais rapidamente e entrar no
processo de reciclagem.
Ano após ano a cremação ganha maior aceitação e, tomara, ela
irá um dia substituir as práticas inúteis e dolorosas que a superstição nos
impôs. A morte deveria ser um momento quieto porém prazeroso, um momento para
pensar não na forma, mas no espírito que deu vida à forma.
ÚLTIMAS PALAVRAS
Observando estas afirmações feitas pelo Sr. Judge no Echoes
from the Orient, p. 56, nós sentimos que elas deveriam ser incluídas como
uma nota a respeito do que a é vida afinal. Ele diz
Quando um homem morre, o cérebro morre por último. A
vida ainda está ocupada ali após a morte ser anunciada. A alma organiza todos
os eventos passados, alcança o resumo total, a tendência média se sobressai, a
esperança dominante é vista. O seu aroma final forma a linha central da
existência Devachanica. O homem morno não vai nem ao céu nem ao inferno.
A natureza o expele para fora da sua boca. A distribuição Devachanica é
governada pela intenção determinante da Alma. Aquele que odeia pode, por reação
se tornar aquele que ama, mas o indiferente não tem propulsão, nenhum
crescimento.
Após pensar muito a respeito da morte, estas afirmações e
outros escritos nos levam a pensar a respeito da vida e a tolice de levar uma
vida inútil. Nós gostaríamos de citar Henry David Thoreau sobre o que ele
pensava ser a vida:
Eu não conheço fato mais encorajador que a capacidade
inquestionável do homem em elevar a sua vida através do esforço consciente. É
uma coisa ser capaz de pintar um quadro particular, ou esculpir uma estátua e
assim produzir alguns objetos de beleza; mas é muito mais glorioso esculpir e
pintar a própria atmosfera e o meio pelos quais nós vemos, o que moralmente
podemos fazer. Afetar a qualidade do dia, esta é a mais elevada das artes. A
cada homem é dada a tarefa de fazer a sua vida, mesmo em seus detalhes, digna
de contemplação dos seus momentos mais elevados e críticos.
* * * * * * *
Nós fizemos citações de três artigos de H. P. Blavatsky que
contém muitas informações interessantes sobre este assunto. Eles são “Memory in the Dying”,
“Mysteries of the After Life”, e “Dialogues Between the Two Editors”. Nós
sabemos que você irá encontrar outras passagens muito interessantes se puder
lê-los.
The Key to Theosophy, de H. P. Blavatsky, salienta
muitos pontos sobre este assunto que não podem ser encontrados em nenhum outro
lugar. E, é claro, The Ocean of Theosophy de Wm. Q. Judge e o Answers
to Questions on the Ocean of Theosophy de Robert Crosbie são excelentes
fontes de ensinamentos básicos colocados em uma forma compreensível.
QUESTÕES SOBRE O MÓDULO 6
1 - Como nós podemos melhor nos preparar, e aos nossos entes
queridos, para a morte e o que irá acontecer naquele momento?
2 - Quais são alguns dos efeitos que o medo da morte pode trazer
em nosso viver diário?
3 - Qual a importância de manter a mente ativa e não permitir
que nos tornemos passivos?
<p class="MsoNormal"
<p class="MsoNormal"
__________________
Tradução: Marcelo Pagliarussi (marcelo@nit.ufscar.br)
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